Vídeos estão na moda: O que você precisa saber sobre o TikTok

Vídeos estão na moda: O que você precisa saber sobre o TikTok

O ano de 2020 pode ser considerado perdido para algumas empresas devido às medidas de distanciamento social, mas sempre tem alguém que consegue se dar bem nesse momento de crise. A dona e proprietária do aplicativo TikTok é uma delas.

A empresa não informa sua taxa de crescimento em 2020, mas, falando como alguém que está na plataforma desde outubro do ano passado, o app bombou do Carnaval pra cá. A quantidade de celebridades que apareceram usando o aplicativo no período de folia chamou a atenção.

Depois de conquistar o mundo, com escritórios em Los Angeles, Nova York, Londres, Paris, Berlim, Dubai, Mumbai, Singapura, Jacarta, Seul e Tóquio, o Brasil se tornou aposta da empresa. Numa entrevista ao CanalTech, Rodrigo Barbosa, community manager do TikTok no país, disse que os brasileiros eram os preferidos da plataforma, por serem criativos e divertidos.

Curiosamente, logo depois do Carnaval passamos a vivenciar uma pandemia que deixou todo mundo em casa. Agora misture o ócio à criatividade tipicamente brasileira: bingo!

“Quando baixei, inicialmente pensei que não ficaria no aplicativo porque achei os vídeos infantis, adolescentes, porque são engraçados. A gente faz dublagem, desafios. Às vezes a gente não está tão aflorado pra esse lado de criatividade. Na correria do dia a dia fica bem automático. Mas poucos dias depois comecei a olhar de forma diferente, perceber que esse lado nosso de criar, fazer danças mesmo que não sejam perfeitas, fazer dublagens com tema de cinema, de novela, de comédia, exercer esse nosso lado artístico, é bom. Principalmente nesse momento de pandemia. Percebi que o aplicativo podia ser válvula de escape pra mim nesse momento”.

Bárbara Gomes, professora, jornalista e minha amiga que se tornou tiktoker de carteirinha.

Quem usa o TikTok

Na faixa dos 25+, Bárbara Gomes não é público majoritário do TikTok, dominado pela geração Z. Com mais de 1,5 bilhão de downloads, 41% dos usuários nasceram nos anos 2000. Mas ela – assim como eu, que também passeio produzindo conteúdos na plataforma – encontra espaço no que a plataforma chama de “diversidade incrível” em termos de idade, etnia e carreira.

O diferencial do TikTok é seu produto: vídeos curtos de 15s a 1 minuto. Esse tipo de formato tem sido mais facilmente aceito pela audiência. Está na moda.

@barbara_bgomes

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♬ Entrei nessa merda – Dona Hermínia

Lançado em setembro de 2016, o app passou a se chamar TikTok em 2017. Música sempre foi o centro do aplicativo, mas hoje as faixas musicais já foram substituídas por diálogos. As coreografias que acompanhavam as músicas hoje dividem espaço com encenações, dublagens, pegadinhas e desafios.

A assessoria de imprensa do TikTok no Brasil nos disse, em nota, que o importante é que cada um se expresse da maneira que achar melhor e compartilhe sua individualidade na plataforma. Daqui de Salvador, Bárbara tem essa mesma percepção.

“Não é aplicativo para ter celebridades e pessoas vendo a vida dessas celebridades. É aplicativo onde você pode ser você, dançar de qualquer forma, fazer vídeo engraçado ou não. É um lugar que você pode errar e tá tudo certo. Não precisa ser o mais perfeito possível. Só precisa entrar na brincadeira”, observa.

Uma coisa interessante que Bárbara relata ter notado são as transmissões ao vivo feitas por senhoras de 60 anos, e até mesmo por pastores. “Todo mundo se sente importante contribuindo no aplicativo”, ela acrescenta.

É uma dinâmica diferente daquela construída no Instagram, em que acompanhamos a vida de pessoas com um lifestyle diferente do nosso – geralmente aquele socialmente considerado como o melhor, “dos sonhos”. A perfeição do Instagram não se aplica ao TikTok.

Interface intuitiva

Passar a ser usuária do TikTok não é muito difícil. A plataforma intuitiva te apresenta já no “abrir” do aplicativo uma série de vídeos, ainda que você não esteja seguindo ninguém.

A página “For You” mostra os vídeos mais populares naquele momento. Já a aba “Seguindo”, como o nome sugere, mostra as publicações das pessoas que você acompanha.

Natália Huf, também amiga e mestranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas e recém-tiktoker, detalha em um artigo a lógica de seleção dos vídeos “For You”. A base, segundo conta, são as hashtags e efeitos usados nos vídeos mais curtidos pelo usuário – seja faixa de áudio pré-gravadas, transições ou filtros.

A inteligência artificial utilizada pela plataforma ainda utiliza tecnologias de linguagem natural e análise de conteúdo escrito, imagens e vídeos para categorizar o conteúdo e distribuí-lo na rede. A técnica é comum na ByteDance Technology, empresa detentora do TikTok.

O grupo tem como principal produto a plataforma Toutiau, de acordo com Nat. O serviço combina sistema de busca com uma rede social e oferece ao usuário um feed personalizado. Isso só é possível porque a inteligência artificial combinada ao aprendizado de máquina traça as preferências do usuário a partir do modo como ele usou a plataforma.

Imagens: Reprodução/ TikTok

Criar vídeos no TikTok também é fácil. No rodapé tem o “+” que te convida a gravar direto na plataforma ou fazer o upload de algum vídeo da sua galeria. Depois de selecionadas as imagens, você tem uma infinidade de efeitos e sons.

As faixas são segmentadas por recomendações para seu tipo de perfil, listas de reprodução, tendências globais, lançamentos, mais usados, populares, comédia e #TikTokEmCasa, página especial dessa quarentena. Mas você também pode salvar seus áudios preferidos e resgatá-los na aba “Favoritos”.

Empresas já estão usando

Erra quem pensa que o TikTok é restrito para diversão ou para os jovens. Algumas empresas têm visto na plataforma uma maneira de se aproximar dos Zs, geração com comportamento bem peculiar, quando comparados com gerações anteriores.

Por exemplo, a turma nascida nos anos 2000 tem um senso de ética e responsabilidade social mais aflorado; não tem medo de se expor como são nas redes sociais; e rompe com estereótipos e definições, ao passo que tende ao pragmatismo e ao diálogo.

Um resultado de sucesso, de acordo com a WGSN, foi com as semanas de moda. Na fashion week de Nova York. Criadores de conteúdos do TikTok participaram dos desfiles para mostrar detalhes na página inicial do app.

Já na London Fashion Week, a JW Anderson usou sua página no TikTok para mostrar celebridades e influenciadores chegando ao desfile, bem como o backstage da passarela. Os vídeos chegaram a 24 mil visualizações, ainda que a marca tivesse apenas 425 seguidores no momento das publicações.

O lance aqui é: o TikTok pode ser um caminho para chegar aos jovens, que são audiência difícil de atrair.


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