Comportamento,  Opinião

Uma lição: levantar da mesa quando o amor não é mais servido

Nina Simone canta uma sabedoria bastante verdadeira em “You’ve Got To Learn“. Lógica até. Quem continua a assinatura de um jornal quando suas notícias não mais te interessam ou mantém no pé um sapato que não mais lhe cabe? Aprendam essa, migas: precisamos levantar da mesa quando o amor não é mais servido. E a gente sabe quando isso acontece.

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Foi bonito, foi intenso, foi verdadeiro, mas não é mais. E a gente sabe quando chega a esse ponto. Porque, no fim das contas, chega o dia em que o frio sai da barriga e passa pro coração, o suor que antes encharcava nossas mãos de ansiedade agora representam o desespero de não querer estar ali. E a gente sente quando isso acontece.

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Dia desses conversei com um amigo, por quem tenho um carinho imenso e que me compreende bem em se tratando dos assuntos do coração, sobre um boy que passou e marcou. Tava aloka pensando se poderia continuar dando certo e por que, na verdade, deixou de funcionar. E ele me fez a pergunta que eu sempre questionei a mim mesma, mas nunca tive coragem de responder: “Cê acha mesmo que daria certo com a pessoa que ele se tornou?” Deus manda uns anjinhos nos dizerem aquilo que precisamos ouvir, né? Acionou o gatilho. Pouco depois essa frase cantada por Nina Simone apareceu no meu feed.

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Levanta dessa mesa, moça. Tem mais amor sendo servido não! E sabe o melhor? Não existe nenhum problema nisso. Quantas outras mesas não estão disponíveis por aí para que possamos nos deliciar com um amor novo, um petisco diferente do que estamos habituadas, até mesmo uma experiência que a variedade de sabores pode nos proporcionar? Levanta! E dá à lembrança o destino daquela nota fiscal do restaurante: tem gente que guarda e espera que o tempo a apague, tem gente que joga fora, há aqueles que até distribuem pra outras pessoas. Mas levanta dessa mesa!

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“Ai, moça, mas falando parece fácil… E quando a gente já está no vício do gosto, do cheiro, do sabor?”

Se prepara, pelo menos. Fica atenta, foca em si mesma, percebe a quantidade de coisas boas que você merece e se prepara para levantar. E não esquece nunca, nunquinha, que você não merece menos do que aquilo que te sacia e te faz feliz. A filosofia do mercado já diz: o cliente tem que estar satisfeito. Se não tá, levanta e vai embora.

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Levanta e vai embora quando acabar o que te interessa. Sem medo, sem pressão, sem rancor. Só vai. E até que outra mesa apareça para te servir amor – inclusive depois que isso acontecer -, não esquece: se ama mais. Sempre mais.

uma semana bem linda pra gente! <3

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As fotos foram feitas pela fotógrafa Milena Marques, sob direção de Cláudia Cardozo, da Buenas Imagens. A Moça Criada veste um dress by Troca-troca de Bugigangas (ou seja, não sei marca, não sei de onde vem, só sei que não custou nada) e se sentiu em casa com os pés descalços. hihi

Curiosa, jornalista e libriana. Mestranda no PósCom/Ufba, interessada nos valores - os meus, os seus, os de notícia e os humanos. Se piscar o olho, o cochilo vem, mas os olhos sempre estão abertos para uma série ou outra que desperte o interesse.

8 Comments

  • Cris

    Que delicia de texto, Telinha!
    Eu me encanto com o seu jeito sutil de falar/escrever as coisas.
    AS vezes, acredito eu, que ainda ficamos sentadas esperando que a sobremesa valha a pena, esquecendo que tudo que vem antes conta para a nossa satisfação no final!
    E doi, por mais que queiramos dizer que não, levantar e deixar algo pra trás. Ainda nao aprendemos a lidar com a deixa das coisas.
    Lindo texto!! :*

    • Estela Marques

      Ai, que lindo saber que você gostou do texto, Kica! Obrigada <3
      Concordo quando você fala que esquecemos de tudo o que vem antes da sobremesa e também do quanto é doloroso deixar algo para trás. É um exercício diário, né? Mas conseguimos, por mais que queiramos voltar à mesa na expectativa de ter algo de volta - ou até mesmo aquilo que nunca tivemos.
      Volte sempre, amiga! <3

  • Carlos Eleutério

    Q bom! O amadurecimento leva a decisões tão tão importantes e ao mesmo tempo tão difíceis, mas necessárias. Já não é fácil o desapego das coisas. Das pessoas… nossa! Mt difícil!
    Agora, remoer num amor q já deu é se torturar. Preencha a si mesma. Busque a sua essência. E siga!
    E viva as outras tantas formas de amor… familiares, amigos… até q seu olho clínico atue de novo.
    Viva!

    • Estela Marques

      Isso! Isso mesmo! Conseguimos desapegar de coisas que já não nos fazem tão bem quando nos amamos, nos respeitamos e entendemos que merecemos ser feliz. Cada experiência contribui pra esse aprendizado. Sempre! Beijo!

  • Anônimo

    Belo texto!
    No próximo prato, o ingrediente que deverá ser mais usado é o amor próprio, pessa pro Chef caprichar. Você merece ser feliz com ou sem alguém, tudo de melhor sempre, Moça!

    • Estela Marques

      Verdade! A chefe já está ciente que esse ingrediente não pode faltar. Obrigada pela mensagem! 🙂

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