Um lembrete: o caminho também importa

Um lembrete: o caminho também importa

Chorei. Trajetórias me emocionam já faz algum tempo e essa semana, em particular, me emocionei com a conquista que sucede treze anos de esforço. Vejam um caso específico: Lewis Hamilton demorou treze anos para bater um recorde. E eu de cá na expectativa do auge da carreira com cinco anos de estrada.

Trajetórias me emocionam justamente porque mostram o esforço necessário pra chegar em algum lugar, e tranquilizam o meu psicológico ansioso, que não vê a hora de ter aquilo que não sabe bem o quê. Conhecer a trajetória dos outros me incentiva a valorizar um pouco mais a minha, ser mais justa com ela, confiar no processo.

Passei os últimos dias com uma lição ecoando em looping: consistência é o segredo da solidez. Aprendi na terapia, e em teoria. A prática tem sido um tanto desafiadora.

Coisa é quando olho pra um lado, olho pro outro e me dou conta dos privilégios que não tenho e que poderiam facilitar minha vida rumo àquilo que ainda não sei bem o quê. Erro duplo: primeiramente, superestimo a trajetória do outro; além do mais, subestimo a minha.

E o caminho que trilhei até aqui é bem admirável, viu. Isso eu sei.

Na teoria eu sei tudo. Coisa é quando eu preciso transpor isso para a prática.

Atitude autoconfiante nunca foi muito o meu forte, pelo menos não a longo prazo. É porque não me lembro de ter sido consistente nisso. Tudo vai bem até que olho pra um lado, olho pro outro e me dou conta dos privilégios que não tenho e que poderiam facilitar minha vida rumo àquilo que… bom, ainda não sei bem o quê.

Imagem estática com a frase "Por menos que saibamos exatamente o que queremos, sempre há uma pista como queremos estar. Ou onde. Ou com quem. Ou fazendo o quê."

Repetitiva, né? Eu sei. Na teoria e na prática. E todas as vezes que me deparo com uma crise de ansiedade, esbarro nas mesmas questões.

Se já foi cansativo pra você em dois, três parágrafos, imagina como não tem sido pra mim em 26 anos?

Tá bom. Vou ser mais justa comigo, afinal, não me dei conta dessa condição desde quando estive esperando sentada pelo momento de minha estreia. Literalmente.

Mas não desiste de mim, não. Isso eu falo pra você que me lê, mas lendo em voz alta soa também uma mensagem do meu eu prático para o racional.

A gente sabe que ainda tem um longo caminho pela frente, e que as experiências vividas não definem o presente nem o futuro, mas representam um passado bem aproveitado e cheio de aprendizado. A gente também sabe que por menos que saibamos exatamente o que queremos, sempre há uma pista de como queremos estar. Ou onde. Ou com quem. Ou fazendo o quê.

E a gente também sabe que precisa se manter em atividade. Todos os dias. Sendo consistentes, mirando a solidez, confiando no processo. Uma hora haveremos de colher os frutos disso.

+ Veja também: Sobre o ser boa, mas ainda não ser capaz de reconhecer quando for

A gente sabe. E como saber não é suficiente, a gente vai exercitar também. Até virar rotina, hábito, atitude natural diante da vida.

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