Comportamento,  Opinião

Todo laço de amizade é duradouro?

Amizade é um negócio difícil, não é? Eu acho. Dizem por aí que amizades fortes são aquelas que duram pelo menos sete anos. Daí em diante a gente já pode considerar que o laço é verdadeiro, duradouro, coisa e tal. Eu não sei, não.

Não sei, porque a gente nunca sabe o que existe no coração e na cabeça da outra pessoa. Não sei, porque a gente dificilmente tem noção de até quando aquele sentimento de ternura, amizade e empatia vai existe sinceramente. Não sei, porque parece impossível adivinhar o que seria o gatilho para que o amigo passasse a seguir aquela máxima de que “a gente não gosta que ninguém esteja melhor do que estamos”. E – acho que dessa vez é para concluir – a gente não tem como saber em quanto tempo esses sintomas virão a aparecer.

Não quero aqui sentenciar que toda a amizade está fadada à inveja de um ou de outro, tampouco que sua amizade de anos passará por problemas e chegará ao fim por uma razão que eu não sei qual, muito menos você. Mas é complicado isso das relações humanas, né. A gente precisa se vigiar o tempo inteiro para não entrar em disputa com quem a gente gosta, de quem a gente é amigo. E muitas vezes isso é por bobagem: quem convence quem, qual problema é maior do que o outro, como é melhor agir em determinada situação, qual o melhor bar pro happy hour da sexta-feira…

(Foto: Pinterest)
(Foto: Pinterest)

Também não sei como acaba essa história. Talvez não deva ser o fim da amizade se, de repente, você se vê em disputa com sua melhor amiga ou seu melhor amigo. Não sei também se é hora de se afastar de uma vez de alguém que dá todas as pistas de que quer mesmo é te expor e constranger diante das pessoas, com brincadeiras e piadas aparentemente inocentes. É provável que nem você nem sua amiga ou amigo percebam as coisas chegando a esse ponto. Por outro lado, vale observar.

É bom para ter controle sobre o que pode vir a acontecer, sabe? Porque chega uma hora que as coisas começam a ficar estranhas, você cisma, não consegue tratar a amizade da mesma maneira. O que antes era legal e divertido passa a ser desagradável e estressante. E aí aquela amizade que existia vai se desfazendo, desfazendo, desfazendo… Uma pena.

Precisamos tanto de amigos! Mas mais ainda: precisamos nos amar, respeitar nossas limitações e aceitar o que nos acontece como caminhos e degraus para situações melhores. Mesmo que o outro pareça estar tão melhor e desejemos chegar naquele patamar, a gente precisa ter cuidado com o pensamento que é construído. A inveja mata, ainda que não alguém, mas alguma coisa, algum sentimento. Por mais que seja aquela “inveja boa”, o pensamento do “queria passar por isso também” existe. Mas nem todo mundo vai perceber. E isso também é uma pena.

Curiosa, jornalista e libriana. Mestranda no PósCom/Ufba, interessada nos valores - os meus, os seus, os de notícia e os humanos. Se piscar o olho, o cochilo vem, mas os olhos sempre estão abertos para uma série ou outra que desperte o interesse.

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