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Tie-dye é tendência na temporada; saiba mais sobre essa técnica histórica

Se por um lado assistimos o retorno do glamour, de outro vemos também técnicas artesanais ocupando espaço na moda. E com toda sua circularidade, é a vez do tie-dye ganhar as ruas em produções modernas e mais afastadas do estilo hippie, com o qual ficou conhecido. O psicodélico se mistura com modismos já estabelecidos, como o oversized, estamparia e moletons.

Fotos: Reprodução/ Pinterest

Nos anos 1960 e 1970, quando alcançou seu auge, o tie-dye tinha por trás o histórico pedido de liberdade e paz, decorrente da Guerra do Vietnã que assustava os americanos. Podemos dizer que a simbologia hoje é parecida, indo além da circularidade comum à moda. O movimento ultraconservador ensaia um crescimento em contrapartida à geração millenial, que tem como valores o coletivo, o universalismo, preservação de recursos naturais, consumo raciocinado. Seria uma versão atualizada daquela turma de 50 anos atrás.

Outra atualização do tie-dye nessa temporada é que os desenhos não são mais tão abstratos assim. A evolução é curiosa, inclusive. A técnica do “amarrar e tingir” existe desde a pré-história, quando os homens primitivos descobriram corantes ao usar suco de plantas, flores, cascas e folhas, aplicando-os ao tecido básico. Não havia durabilidade, mas servia para embelezar os tecidos.

Já na China do século VI a técnica do tie-dye, também chamado de “zha ran” foi aprimorada: eles giravam, dobrava e amarravam seda ou algodão antes de mergulhar o tecido no corante, de modo que diferentes partes da peça absorviam a cor. O curioso é que o tie-dye era símbolo de poder, apenas sacerdotes e ricos eram autorizados a usá-lo. As cores indicavam a posição social. No mesmo século, o Japão desenvolveu a técnica (lá conhecida como “shibori”) em quimonos.

Fotos: Divulgação/ Riachuelo | Reprodução/ Instagram | Reprodução/ Pinterest
Fotos: Reprodução/ Pinterest | Divulgação/ Riachuelo

Quem é adepto de um estilo mais praiano e descontraído certamente não percebeu a saída do tie-dye da moda, afinal, o modismo é comum a esse nicho e também é possível fazê-lo em casa (o The Sun ensinou um passo a passo). Mas agora parece que a tendência vem com mais força e possibilidade de se firmar. Não só famosas começam a aderir ao tie-dye, como Bruna Marquezine; as lojas de departamento já trazem esse elemento em suas araras. O interessante é expandir o uso da técnica para vestidos, saias, shorts e calças, fugindo do óbvio de usá-la em T-shirts.

O caminho é por aí. Que tal essa tendência pra você?

Curiosa, jornalista e libriana. Mestranda no PósCom/Ufba, interessada nos valores - os meus, os seus, os de notícia e os humanos. Se piscar o olho, o cochilo vem, mas os olhos sempre estão abertos para uma série ou outra que desperte o interesse.

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