Ricardo dos Anjos ensina a cuidar dos cabelos na mudança de estação

Logo que a alta estação termina, tem início a temporada de clima mais ameno – o completo oposto, que demanda cuidados bem diferentes. Confira as dicas do beauty artist!

Foram intensos os dias de sol, sal e cloro. Se nem mesmo nosso corpo dá conta de tanta exposição e logo amolece no fim dessa festa com tanta maresia, já imaginou como ficam nossos cabelos?

E logo que a alta estação termina, tem início a temporada de clima mais ameno – o completo oposto, que demanda cuidados bem diferentes. Mas uma coisa é certa: precisamos ter uma noção nítida do que nosso cabelo precisa para então pensar nos cuidados que adotaremos nesses dois contextos.

Foi exatamente isso que procuramos saber do beauty artist Ricardo dos Anjos, durante sua passagem por Salvador. O especialista veio lançar a nova linha Match Força, de O Boticário.

Acompanhe as dicas!

Observe seus fios

Demos spoiler na introdução porque essa dica é o ponto de partida. Qualquer tipo de tratamento vai depender do estado do seu cabelo. “O cabelo que tem uma química ou mais pode ser que precise de mais de um tratamento”, explica Ricardo.

Cronograma ou mix de produtos

Uma vez observado o estado dos seus fios, é o momento também de identificar do que eles precisam. Dessa forma, você pode optar por fazer o cronograma, alternando hidratação, nutrição e reconstrução.

O beauty artist Ricardo dos Anjos dá uma dica bem legal: faça o tratamento em casa com diferentes linhas, conforme a necessidade do seu cabelo. Então, o shampoo e o condicionador de uma linha tal, podem ser seguidos de uma máscara de outra linha; e você ainda pode finalizar o cabelo com uma terceira linha.

Período de tratamento

Cabelos mais danificados ou que são submetidos frequentemente à química e a processos térmicos, como chapinha, secador e babyliss, devem ter tratamento semanal.

“Tirando a rotina de limpeza, que é a lavagem, que você lava dia sim, dia não, ou todo dia porque pratica algum esporte, o tratamento com máscaras pode ser feito semanalmente quando mais danificado [o cabelo]. Quando tiver recuperado, pode fazer o tratamento a cada 15 dias”, explicou Ricardo dos Anjos.

Como fazer nos dias frios?

Para os dias de temperatura mais amena, como no outono-inverno, o tratamento é completamente diferente. Se no verão investimos em reposição de água dos fios e a reconstrução é muito bem vinda por causa da exposição ao sol, ao sal e ao mar, no outono-inverno o cuidado com os cabelos é outro.

O beauty artist Ricardo dos Anjos explica que esse é o momento de apostar na nutrição, para reposição de lipídios e devolver a oleosidade dos fios. Isso porque nosso couro cabeludo fica ressecado devido aos banhos mais quentes.

“Geralmente, o frio dá uma ressecada no couro cabeludo que a gente não percebe muito, quando a gente usa muita água quente, toma banho em temperaturas muito altas. Isso acaba causando escamação no couro cabeludo, que acaba trazendo a caspa”, acrescentou.

Ricardo dos Anjos comenta escolhas da mulher hoje: ‘É muito ligada à sua identidade’

Beauty artist das famosas esteve em Salvador para o lançamento da linha Match Força, de O Boticário, e conversou com o Moça.

Tão certo quanto sol no verão é aquela pauta sobre os cabelos do momento. Ora são ondulados, ora são longos; num momento são castanhos, noutro são cor de rosa. É um fato dado: o cabelo do momento muda o tempo todo. 

A vibe agora, de acordo com o beauty artist Ricardo dos Anjos, está vinculada à identidade da mulher. Não precisa a indústria, a novela ou a nossa influenciadora favorita determinar como devemos usar nosso cabelo. A gente até olha mídias especializadas pra acompanhar o movimento, mas a palavra final será sempre da nossa personalidade.

“Percebo que a mulher hoje em dia é muito ligada à sua própria identidade. A coisa do cabelo cacheado, que veio pra ficar, de não precisar alisar para trabalhar. ‘Sou advogada e não posso usar cabelo cacheado…’ Onde tá escrito isso? ‘Cabelo colorido é pra quem é punk ou alternativo’. Hoje em dia uma senhora pode pintar cabelo de rosa bebê porque dialoga com a personalidade dela”, explicou Ricardo, que esteve em Salvador nesta terça-feira (3) para lançar a linha Match Força, de O Boticário.

O especialista prefere observar as ruas pra entender a preferência nacional. O que as mulheres comuns estão usando? O que é mais visto na rua, no transporte público?

Ricardo avalia que esse movimento é mais orgânico do que aqueles iniciados por artistas e influenciadoras. Essa perspectiva parte da lógica do mercado, na qual muitas vezes a mulher que trabalha com a imagem está vendendo alguma coisa. Uma marca de tinta, por exemplo, pode contratar uma famosa para que ela divulgue a cor que a empresa aposta como tendência. Nas redes sociais, a escolha pode até parecer natural, mas não necessariamente é.

“Quem mais vende é quem mais tem interesse em disseminar um tipo de tendência. Que produto vou lançar agora? E aí indústria vai procurar uma mulher que seja celebridade, que naturalmente vai levar a tendência pra novela, para o jornal, para o ‘Insta’, enfim”, acrescentou.

Qual o movimento das ruas, então?

Beauty artist de estrelas, empresário de sucesso e atento ao movimento das ruas no que diz respeito aos cabelos, Ricardo dos Anjos percebe que há uma variedade enorme de “escolhas capilares”. Em suas andanças, o especialista já notou alguns cabelos: tons amarronzados, próximos à tonalidade natural do cabelo da população brasileira; loiro nórdico acinzentado, que seria um cabelo fantasia; loiro dourado, aproveitando o tom avermelhado do nosso cabelo. 

Na avaliação do beauty artist, temos quebrado padrões já estabelecidos, como associar feminilidade e sensualidade a cabelos longos. Outra ruptura foi enxergar beleza nos cabelos crespos, comportamento que tem se fortalecido nos últimos anos.

“As pessoas já entenderam, a maioria, que não precisam se enquadrar nisso [cabelo alisado] pra chegar em lugar algum. A gente hoje se enquadra em outras coisas, tenta se encaixar de outra forma, em outros padrões. Mas esse, graçs a Deus, já foi vencido pela grande maioria”, celebrou. 

E Ricardo dos Anjos fala com propriedade sobre esse assunto. Além de ter iniciado sua carreira, aos 14 anos, em uma salão especializado em cabelos afro, as mulheres da sua família passavam pelo drama de alisar os fios.

Em conversa com o Moça, o beauty artist lembrou que sua mãe prendia com tanta força o cabelo de sua irmã que a menina vivia com dor de cabeça e ninguém sabia o porquê. Na verdade, era a maneira escolhida para impedir que os fios soltassem ou que o cabelo ganhasse volume. 

“Não acredito que seja modinha, não. Hoje a gente consegue ver que varias mães incentivam desde nova a não alisar o cabelo. É muito mais fácil mãe conversando com filha sobre o que é bonito pra ela, até porque a  filha tem a mãe pra se inspirar. Se não vê a mãe cacheada, vê a tia, a coleguinha da escola. Ela não tá mais sozinha”, observou.