Looks de agosto: Época de ativar a “memória vestuária”

Queria poder dizer que tenho andado distraída, impaciente, indecisa, mas agosto foi mesmo o mês dos pingos nos is e de muito tempo demandado para isso. As respostas para as perguntas que às vezes nem fizemos ainda surgem quando menos esperamos, observem. E quando não se tem tempo para esperá-las, aí é que nos damos conta da sua presença. Os looks de agosto foram meio assim.

A começar que, diferentemente dos outros meses, as próprias fotos postadas aqui representam a correria que têm sido os últimos dias. Continua que essa mesma correria não me deixou pensar em looks muito elaborados, misturas inusitadas, buscas incomuns para o que já tenho no armário. Muito pelo contrário. Minha “memória vestuária” (se é que isso existe) de looks passados foi muito acionada nesse período. Na falta de tempo para bolar combinações, apostei naquelas que dão certo.

Tipo a pantacourt preta com uma T-shirt podrinha e a botinha da Melissa; ou meu mocassim branco com a MOM’s Jeans e uma blusa listrada de gola alta. Talvez a inovação – pasmem – tenha sido usar uma sandália rasteirinha de plástico com a calça skinny de barra dobrada e uma T-shirt, bem-bem-bem informal mesmo.

E é com muita sinceridade que eu digo aqui: não há problema nenhum em passar por momentos como esse, de zero criatividade para o look do dia. Por sorte (ou puro investimento mesmo), a camisa de estampa abstrata que comprei na Renner compensa todo o marasmo visual do mês. É por ela que começo o #LooksDeAgosto. Vamos ver?!

Essa blusa eu vi por acidente, me apaixonei à primeira vista, experimentei o único tamanho disponível só por desencargo de consciência e tudo culminou para que eu a trouxesse comigo. Nesse dia, combinei com a MOM’s Jeans de sempre e o tênis branco que você verá mais adiante. Uma das roupas mais confortáveis que já usei, exceto pela preocupação que tenho em não mostrar demais com os botões das camisas. (Foto: Moça Criada)
Numa tentativa quase frustrada de espantar a cara de sono, o batom escuro foi a única alternativa. O vestido foi a escolha em um período de marasmo visual. Mas compôs uma proposta confortável, como eu gosto. É isso que importa. (Foto: Moça Criada)
Esse look foi o escolhido para um dos passeios mais legais que consegui fazer no pouco de férias que me restou no intervalo entre semestres. Shortinho, blusinha e sandalinha, no melhor estilo “vem, verão!”. A quantidade de pele exposta foi proposital, afinal, fazia tanto tempo que eu não tomava um sol… (Foto: Moça Criada)
Um look “preciso resolver problemas, mas estou de férias”. O truque da vez (quando eu ainda conseguia pensar em um) foi colocar o cinto por cima do passador da calça. Curiosamente, apertou muito mais. A paleta de cores (camel, mas com aparência coral por causa do efeito na imagem) me agrada. A barra da calça dobrada é um vício. (Foto: Moça Criada)
Aquela roupa preferida pra ir ali e voltar. Básico dos básicos, não tem como errar com uma T-shirt e shorts jeans. O tênis branco deixa a proposta mais casual, assim como a jaqueta com padronagem militar. Ótimo para quando precisamos sair de casa depois de um dia cansativo. (Foto: Moça Criada)
Tênis, calça skinny com barra dobrada e T-shirt formam o combo infalível para os dias de pressa ou falta de criatividade. É uma junção de conforto, estilo e adequação que poucas peças conseguem fazer. (Foto: Moça Criada)
Mulherão. Foi assim que me senti com essa calça skinny mega justa de cintura alta, cropped e salto tratorado. E é um visual bem descomplicado, né? Note como você consegue looks impactantes, dependendo das peças que possua em casa. Por isso é bom investir em roupas boas e bonitas, que geralmente vêm num valor mais caro. Mas claro que encontramos muita coisa boa e barata por aí! Esse cropped, por exemplo, não chegou a custar R$ 40. (Foto: Moça Criada)
Básico, básico, básico. Tênis, calça e T-shirt. Mais um look normal, não fosse o lenço no pescoço. A ousadia do dia pra dizer adeus ao semestre 2018.1 no mestrado. Aprovada?! (Foto: Moça Criada)
Um close pra mostrar o lenço com mais detalhes. (Foto: Moça Criada)
Essa blusa de todo mês ataca novamente pra reforçar que segue valendo repetir roupa, viu. Repita muito. Repita sempre. E sorria tanto quanto. Beijo!

Somos tão bonitas…

Nós somos tão bonitas. Uma pena demorarmos tanto para nos dar conta dessa realidade. Falo isso sobre todas nós: índias, negras, brancas, orientais. Do cabelo liso, encaracolado, crespo, louro, ruivo, cinza, rosa, azul. Sejamos altas, baixas, gordas, magras, corpo tipo pêra ou violão; ainda que nossa estrutura corporal nos caracterize como retas ou com o tronco menor dos que os membros inferiores ou vice-versa. Nosso nariz não é problema, nem o tamanho do nosso olho deveria ser um fator em se tratando de nos acharmos bonitas. A grossura dos nossos lábios deveria ser um orgulho pra gente, da mesma maneira que o formato dos nossos narizes, afinal de contas, ambos carimbam de onde viemos e para onde nossos descendentes haverão de ir.

É realmente uma pena que demoremos tanto para nos aceitar como somos e enxergarmos que, sim, somos bonitas. Somos tão lindas que a beleza da outra não diminui um tantinho sequer a nossa. Por mais que a convenção de um grupo pequeno da sociedade seja capaz de estabelecer o padrão daquilo que é belo e nos molde a reconhecê-lo em um traço ou outro – numa determinada tonalidade de cabelo e até mesmo no tamanho de um peito e de uma bunda – não podemos esquecer jamais de olharmos no espelho e reconhecermos a beleza que nós temos.

Não estou dizendo que seja fácil. Pelo contrário. É difícil aceitar aquilo que recebemos da natureza ao nascermos, ainda mais reconhecê-los como belo quando aqueles que possuem o poder (apenas porque nós demos) de dizer o que é bonito apontam exatamente para aquilo que não temos. Mas se demos a um seleto grupo a liberdade de determinar onde está a nossa beleza, por que não fazermos o caminho contrário e delegarmos a nós mesmas esse poder?

Gosto é construção social, eu sei e imagino que vocês saibam também. E a partir do gosto reconhecemos o que é bonito, o que é feio, o que é desarmônico e o que não é. Onde é que está escrito que lábios desenhados e nariz afilados são harmônicos, enquanto que lábios grossos e nariz “de batata” são tão desproporcionais? Quem determinou? Imagina que louco se convencionássemos que o olhar para o belo seria direcionado para aquilo que temos e não para o que deveríamos ter, conforme vontade de um ou outro com o poder de dizer o que somos ou quais atributos somos obrigados a possuir?

Dia desses perguntaram o que é beleza. Respondi que, para mim, era mais uma questão de harmonização de traços do que de atributos que correspondem a determinado padrão. Mas reconheço que minha lógica de harmonia acompanha os estímulos que recebo desde criança, segue os padrões aos quais tive acesso ainda pequena, embora esteja disposta à desconstrução. E é isso que deixo proposto aqui. Somos tão bonitas! Vamos reconhecer isso em nós mesmas e nos outros também. Que seja diferente, mas nunca deixa de ser belo.

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Essa é a última proposta de look com a t-shir oversized verde oliva, que comprei nas Lojas Riachuelo. Depois de incluí-la em um visual mais trabalho (aqui) e em outro mais verão (aqui), aposto nessa composição para uma baladinha topzera, à noite, com salto e tudo! Detalhe para esse tratorado que encontrei na Leader por aproximadamente R$ 90 moedinhas, em dezembro, quando procurava um sapato para a formatura da minha amiga Ailma.

O colete foi um achado na Renner em 2014, assim como a bolsa – mas esta é um achado de dezembro2016 mesmo hehe. O short de moletom (<3) é meu xodó by Riachuelo. As fotos são de Claudia Cardozo, da Buenas Imagens. Ângelo Rosário ficou com a assistência de produção desse ensaio divertido de fazer.

Uma questão de fé

Dia desses alguém contou o caso de uma paciente que recebeu do médico a notícia sobre o progresso do seu tratamento e, de imediato, agradeceu a Deus. O constrangimento pairou no ar e foi preciso o acompanhante tratar de minimizar o clima, lembrando que a atuação da medicina também foi importante para aquele sucesso. “Não tem problema, é uma questão de crença”, teria dito a médica, não exatamente com essas palavras. Mas é uma coisa engraçada, não é? E parece não ter absolutamente nada a ver com a religião.

Falo isso porque já ouvi de pessoas sem qualquer hábito religioso que elas acreditam em algo, em alguém, em uma entidade maior capaz de feitos que a racionalidade humana não consegue explicar. Católicos creem em santos, candomblecistas têm fé em orixás, evangélicos acreditam na existência de um Deus da salvação. Eu e minha forte inclinação ao espiritismo acreditamos em Deus, em Jesus Cristo, em espíritos de luz que nos acompanham e orientam conforme nossa permissão, sempre em respeito ao que viemos cumprir aqui.

Mas a fé me intriga. Ainda estou construindo meu entendimento a respeito desse sentimento tão abstrato e ao mesmo tempo tão presente. Até dois ou três anos atrás lembro de questionar a meu pai sobre o que seria a fé, como reconhecer isso. As releituras do capítulo XIX do Evangelho Segundo o Espiritismo, O Poder da Fé, me esclarecem cada vez um pouco mais sobre isso. Além daquela passagem sobre a montanha ir até Maomé, algo é bem explicativo: se você tiver a crença de que algo vai acontecer, por menor que seja ela, isto acontecerá.

Não posso dizer que é dessa maneira em 100% das vezes, porque nem tudo ocorre ao nosso tempo – coisas que pedi e espero realizar ainda não se concretizaram, então não dá pra concluir – e nem de tudo somos merecedores, porque nossas provas e expiações, conforme minha interpretação da doutrina, também interferem em nossas experiências. Mas as coisas acontecem, amigas, e acontecerão. Já tive pistas desse sentimento tão forte em momentos distintos da minha vida, como quando desejava com todo fervor a aprovação no vestibular e do fundo do coração algo me dizia que eu conquistaria. Tive também em uma seleção de estágio mega concorrida que participei, para o jornal Correio, e algo dentro de mim dava a segurança que eu precisava para manter a calma e continuar – e, enfim, conquistar.

Apesar dos êxitos, não é sempre que esse sentimento vem. Começo a esboçar que a fé é uma relação de confiança que se tem em algo ou alguém e, como todas as outras, ela é construída. Dia sim e dia também sou confrontada por situações que me estimulam a pensar negativo e até mesmo desistir, mas aquela mesma vozinha que falava comigo anos atrás, no vestibular, tenta se fazer ouvida. Aí eu lembro de todas as outras lições que encorajam em mim uma reação: Deus não dá cruz que a gente não possa carregar; não vale o desespero pelo dia de amanhã, porque a cada dia basta o seu mal; pedi e obtereis; o mínimo de certeza na realização é o suficiente para que ela se concretize.

Volto a dizer que as coisas não se realizam nem se realizarão no meu tempo, mas isso não enfraquece a minha fé. Porque a gente sente e sabe que as coisas acontecem em seu tempo, conforme o nosso merecimento e progresso, e o das demais pessoas envolvidas no processo. Mas a confiança na realização nos dá a paciência para esperar e até mesmo aceitar se nosso pedido não for atendido. No fim das contas, o que chega sempre se mostra melhor. E lá vai mais um ponto na conta desse Cara Lá de Cima – ou daqui do horizonte, de todo lugar, já que Ele é onipresente!

E é com todo o respeito e a memória do mar, a melhor visão que eu poderia ter, que deixo um pouco do que eu sou. Também sou mar. Aproveito e convido vocês a me contarem um pouco das suas crenças. Agora que já contei o que acredito, em que vocês têm fé?

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Essa é a segunda proposta de look com a t-shirt verde oliva oversized das Lojas Riachuelo. Se na semana passada a intenção foi um visual mais work, aqui deixo a simplicidade para um passeio despretensioso no fim de tarde, na orla ou em um parque, quem sabe?!

O short é de alguma loja de departamento que não lembro qual; a sandália é Zaxy; a bolsa é Riachuelo e os óculos são das Lojas Renner. As fotos foram feitas por Cláudia Cardozo, da Buenas Imagens, com assistência de Ângelo Rosário.

Vamos estimular nossa criatividade e adequar o que temos em casa para diferentes ocasiões, porque roupa tá aí pra gente usar, lavar e botar pra jogo de novo, não é mesmo?