O que fazer diante do medo que nos paralisa?

Antes de você seguir a leitura, já adianto, leitora, é um desabafo. Talvez você se reconheça nas palavras, no drama, na dificuldade em questão, mas esse texto nada mais é do que a liberação de um sentimento que tem me consumido de um jeito absurdo. Chega a me paralisar e me fazer questionar: até que ponto o medo me faz ser livre?

Me encorajei a falar isso depois de ver uma montagem com frases associadas a Nina Simone. Não sei ao certo se ela mesma disse aquelas palavras, mas elas me fizeram todo sentido. “Liberdade pra mim é isto: não ter medo”. E é. Porque o medo muitas vezes é irracional, não possui ganchos reais capaz de os sustentar, mas ainda assim paralisa. Dos mais bobos aos mais… um pouco menos bobos.

Não sei ao certo como vencê-los e adoraria alternativas pra tentar – se você tiver alguma sugestão, não hesite em me falar. Há quem defenda que, se der medo, o bom é ir com medo mesmo. “Só vai”, eles dizem. Mas a gente sabe que não é assim. A mente trapaceia de um jeito bem sacana, põe situações adversas que talvez não aconteçam de verdade, mas a mínima possibilidade de acontecer, bem pequenininha que seja, é o suficiente pra dar o tom do que seria aquela experiência.

Afinal, quem nunca evitou se envolver novamente com alguém depois de ter passado por um relacionamento que não deu certo? Quem não imaginou que diferentes bichos apareceriam em sua casa, depois de encarar uma barata invasora? Pior ainda se ela apareceu e sumiu, sem que você tivesse a oportunidade de vê-la definhar com o veneno para insetos. “Será que ela vai aparecer aqui do meu lado no sofá?”, “E se de repente eu durmo e ela aproveita pra vir pra cima de mim?”. Tem gente que sua só de pensar em dirigir sozinho, porque pode matar alguém, causar um acidente, se tornar um obstáculo no meio da pista.

(Foto: Moça Criada)

É irracional. A gente sabe que a situação não decorrerá necessariamente desse jeito que tememos. A gente sabe que as pessoas são diferentes, que não brota bichos do chão. A gente sabe que tem controle sobre o veículo, então não precisa se assustar. Mas ainda assim a gente paralisa. Nota: não vou tranquilizar ninguém sobre as baratas, porque elas sempre dão um jeito de reaparecer, ressuscitar do mundo dos mortos. Rsrsrs

De qualquer forma, não dá pra conviver pra sempre com isso e deixar de viver coisas incríveis por causa de um sentimento tão paralisante. Acredito que aceitar que ele existe e falar a respeito pode ser uma saída. O que vem depois, sinceramente, não sei. Talvez não dar importância demais; talvez seguir o caminho devagarinho, apesar desse medo; talvez se perguntar o tempo todo se faz sentido deixar de fazer algo por causa disso; talvez pensar na expectativa das pessoas por uma ação sua…

não se julgue, nem se considere mais fraco por temer. Deve ter aí dentro de você um motivo que te leva a alimentar esse medo, e é nisso que você deve trabalhar. Certamente uma ajuda profissional resolva, ou exercitar o autoconhecimento. Quem sabe?

Já pensou no que você deixou de viver por causa do medo?

Deixei para escrever esse texto no último minuto, graças à minha capacidade de procrastinação (alô, resoluções de ano novo), e, olha o curioso, logo cedo algo me fez pensar sobre o medo. Pauta essa que já estava marcada há pelo menos uma semana. É aquela coisa que sempre digo: quando é para ser, todos os sinais indicam para isso. E estes mesmos sinais são bons balizadores do medo.

Porque, veja, a gente recebe sinais o tempo todo. Às vezes não os enxergamos seja por não acreditarmos, por acharmos que é tudo coisa da nossa cabeça, ou por uma razão qualquer que inventamos para alimentar o tal medo. Você pensa em mudar de emprego ao perceber que as oportunidades de crescimento no atual são bastante limitadas. Até que você começa a pensar na estabilidade e questionar se vale à pena a troca. “Ah, mas começar de novo?”, “Estou tão bem onde estou agora”, “Todos aqui já sabem como trabalho, tenho intimidade com a chefia”, “E se me demitirem desse novo emprego por não gostarem do meu trabalho?”.

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Uma vez alguém me disse que toda nossa verdade vem do coração. A mente, por sua vez, nos prega peças com todo seu pessimismo. Note você como faz sentido. Ao se motivar a algo, o desejo partiu do seu coração. E quando você não se engaja em algum propósito para a vida, seu coração também não se estimulou para tal. Por mais que existam contratempos lá na frente e sempre haja o risco de nada sair como o planejado, você sabe que é capaz de dar conta do que vier. Não sucumba a uma mente que te subestima por causa de uma segurança que te impede de explorar além da zona de conforto.

Isso vale para carreira, para o lazer, para amizade e para a vida afetiva também. Você tem noção da quantidade de coisas não vividas por causa do medo? Um amor novo, depois de um antigo ter partido seu coração em pedacinhos, pode ser a liga que faltava para colocar cada peça no lugar e te mostrar que essa loucura pode render uma parceria pra vida toda. Já pensou o risco que você corre de não viver o amor que sempre quis por puro medo?

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Já falei e repito: as respostas estão dentro do nosso coração. Não só elas, como também o combustível para seguir e os argumentos capazes de contradizer todo pessimismo da nossa mente racional demais. Permita-se. Dê a si mesmo uma chance. Não tema o que, lá no fundo, você sabe que te fará feliz!

Beijo no core!

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E se der medo?

Num desses dias normais de passear pela web sem nenhuma pretensão ou mesmo reparar em quem publica o quê, vi uma frase que muito me marcou. Era algo tipo “não deixe que o medo te leve a um caminho oposto ao que você gostaria“. Na mesma semana conversei com uma amiga sobre o medo que eu sentia em me envolver com alguém, e ela foi um intermediário para a mensagem que eu precisava: “Ela queria que a felicidade invadisse seu peito, mas não queria abrir seu coração”.

Existem coisas que são complicadas de serem entendidas. Confesso a vocês que faz uns dois anos que estou tentando entender essa loucura que é se deixar envolver com alguém. No início eu achava que era por causa de um relacionamento que precisava ser findado, mas que eu não estava preparada. Em seguida veio a transição capilar, que foi além fios de cabelo: autoestima, amor próprio, relação com o outro. Tudo mudou.

A coisa se torna engraçada, apesar de complicada, quando a gente sabe exatamente o que nos trava. Dizem que aceitar o problema é o primeiro passo para superá-lo, mas há controvérsias, sim. Não no efeito, mas no processo. Nem sempre a gente consegue interpretar as situações que insistem em se repetir na nossa vida. Por mais que identifiquemos as similaridades, sempre haverá um “mas o que eu preciso aprender disso?” que não terá uma resposta tão imediata.

Mas isso deverá ser um impeditivo para seguirmos em busca daquilo que queremos? Não. Essa mesma amiga com quem conversei dia desses me falou aquele velho clichê – mais verdade impossível -: se der medo, vai com medo mesmo. E eu completo: e se não for como você gostaria, se não te fizer bem, volte.

Mas vai. Vai com frio na barriga, mão trêmula, vontade de fazer xixi tamanha a ansiedade. Vai com suas inseguranças e mostra a elas que você é capaz de lidar muito bem com aquele e qualquer outro desafio que aparecer pelo caminho. E se não der certo, tenta pelo menos tirar uma lição.

Observe cada situação e como ela já aconteceu na sua vida, como você agiu antes que ela acontecesse e depois. Tente entender qual mensagem o universo quer te passar. É difícil, eu bem o sei, mas precisamos aprender algo com as coisas que vivemos, principalmente as ruins.

E outra coisa: refletir a respeito não nos impede de continuar vivendo. Talvez a gente não acerte de imediato, mas quem sabe essas próximas situações não nos ajudem a entender o que precisamos aprender aqui?! Pelo menos a gente se diverte!

As fotos foram tiradas pela fotógrafa Cláudia Cardozo, da Buenas Imagens. As peças são arquivo pessoal da Moça Criada.