Marca de Marina Ruy Barbosa lança coleção em prol da Amazônia

Moletons da nova coleção cápsula da Ginger terá lucros revertidos para ações de educação e empoderamento promovidas pela Casa do Rio.

A nova coleção cápsula da Ginger, marca de Marina Ruy Barbosa e Vanessa Ribeiro, terá lucros revertidos para iniciativas que atuam em prol da Amazônia. Com modelagem genderless, a coleção conta com um conjunto oversized de blusa com capuz e calça de cintura alta. Todos são produzidos em malha 100% feita com resíduos de confecções têxteis.

O uso de retalhos coloridos como matéria-prima implica economia de água e corante no processo de tingimento. O material também tem acabamento antiviral, capaz de diminuir a hospedagem de vírus no tecido.

A dupla se aliou à instituição Casa do Rio, que há seis anos atua na região da BR-319, no Amazonas, promovendo ações de educação, empreendedorismo e agroecologia. Todo o lucro obtido com os moletons da nova coleção deverá ser usado na construção do Viveiro Agroflorestal da instituição para produção de mudas de espécies nativas da floresta.

Fonte de ajuda renovável

A ideia é que o espaço seja uma fonte renovável para a região e seja replicados em pequenos viveiros nas comunidades locais. Em comunicado, Marina disse que o projeto deverá garantir recursos importantes e inesgotáveis para a educação e empoderamento da população local.

“Para nós também era importante ser uma fonte de ajuda renovável, que não encerrasse com a doação”, afirmou.

+ Veja também: O lançamento da Ginger, marca de moda de Marina Ruy Barbosa

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As consumidoras também poderão fazer doação direta para o Viveiro Agroflorestal através do site da Ginger. É só acessar o e-commerce, escolher as espécies de muda que quiser comprar e o valor com o qual gostaria de contribuir. Os preços variam de R$ 3 a R$ 8 por muda.

A Ginger foi lançada em julho deste ano e contou com uma divulgação que movimentou as redes sociais. Dias antes, Marina Ruy Barbosa virou notícia por ir à feira. Toda vestida de laranja, a atriz global vestia as peças da coleção Prefácio, a primeira da marca.

O que podemos concluir sobre as coleções com moletom lançadas na quarentena?

As novidades são bem parecidas e nos fazem questionar: Por que tão semelhantes? Por que tão caras? Quem pode usar moletom no Brasil, afinal?

É oficial: o moletom caiu nas graças de quem valoriza, e pode sustentar, o conforto. O período em casa devido à pandemia do novo coronavírus escancarou a necessidade de peças confortáveis e apresentáveis, porque de alguma sorte as que usamos para trabalhar no cotidiano não dão conta do bem estar e as que usamos para os dias de bobeira não são apropriadas o suficiente para a videochamada.

O moletom, ou hoodies, em inglês, caiu como uma luva para esse período. Não à toa assistimos a três lançamentos interessantes de coleções que tinham como elemento central a peça de algodão e poliéster. A empresária Helena Bordon e as atrizes Thaila Ayala e Marina Ruy Barbosa apostaram num dos ícones do sportswear e do street wear para investir tempo, imagem e dinheiro.

As novidades são bem parecidas e nos fazem questionar: Por que tão semelhantes? Por que tão caras? Quem pode usar moletom no Brasil, afinal?

Conforto e estilo

Estivemos trancafiadas em casa, oficialmente, entre março e julho. Nos dois últimos meses desse período de quarentena, Helena Bordon, Thaila Ayala e Marina Ruy Barbosa movimentaram as redes sociais com seus lançamentos. Alguns mais polêmicos do que outros, certamente.

Foi o caso da atriz Thaila Ayala, que em junho lançou a marca VIR.US, toda focada em moletons. O nome repercutiu negativamente nas redes sociais, por causa da pandemia. Depois do episódio, Thaila e suas sócias renomearam a marca para Amar.ca.

Foto: Divulgação/ Amar.ca

Em entrevista a Ela Digital, de O Globo, Thaila contou que a aposta da brand era produzir peças confortáveis para quem estava trabalhando de casa durante a quarentena. A marca, segundo ela, tem cadeia produtiva sustentável e feminina.

No mês seguinte, a empresária Helena Bordon lançou a segunda coleção de sua marca de moda, a Helena Bordon Essentials. Tendo como elemento central o moletom, foram dois modelos de casacos e dois modelos de calças em cores diferentes. A proposta cool e confortável se materializa em peças que, segundo a marca, são feitas 100% em algodão.

Em seu site, Helena Bordon trata as peças como possíveis para um aerolook e que podem ser usadas em conjunto ou não, como também em diferentes ocasiões. Dos três lançamentos, é o que parece mais fácil de incluir em contextos mais chiques sem parecer tão despojado quanto sugere o moletom.

Marina Ruy Barbosa se inspirou na arte e no design para as blusas, calças e shorts da Ginger, lançada também em julho. A primeira coleção, Prefácio, foi toda em moletom com cores como laranja, off-white e lilás.

+ Veja também: O lançamento da Ginger, marca de Marina Ruy Barbosa

O lançamento repercutiu bem nas redes sociais, apesar dos preços elevados. O short custa R$ 367, enquanto uma blusa que mistura tendências do ombro estruturado e mangas bufantes chega a custar R$ 527.

Marina garante que os preços são altos devido a fatores como qualidade dos tecidos, detalhes do acabamento, matéria-prima que gera menos impacto e o formato slow fashion com produção em menor quantidade.

Em entrevista ao UOL, a ruiva explicou que a sustentabilidade é uma preocupação da marca, que ainda tem como valores qualidade, versatilidade e estética apurada.

Kanye West Way of Wear

Quem vê o hype do moletom hoje, certamente, pode não lembrar que há alguns anos o item era marginalizado e suscitava preconceitos. A peça ganhou popularidade na cultura hip-hop e passou a ser usada por grafiteiros nos anos 1970 para garantir seu anonimato, de acordo com reportagem do Metrópoles.

Isso porque o capuz e as mangas longas protegem a identidade de quem usa. Por anos os moletons foram associados ao crime.

Uma exposição do Het Nieuwe Instituut dedicada aos hoodies contou a trajetória da peça, que representa diferentes aspectos do nosso tempo: desigualdade social, racismo, subcultura, brutalidade policial, medo, privacidade, cultura jovem, estilo. O escritor Troy Patterson, em artigo para a New York Times Magazine, lembra que essa cultura jovem foi responsável por tirar o moletom da esfera do sportswear e trazer para o street wear.

Foto: Divulgação/ Helena Bordon Essentials

Conforme conta, os hoodies foram desenvolvidos nos anos 1930 pela Champion Athletic Apparel para manter jogadores de futebol aquecidos nos bastidores. No entanto, os itens também atraíram empresas que atuavam em operações com retroescavadeiras, pickers e empilhadeiras.

Um trecho interessante do seu artigo ilustra como o moletom era simbólico para os garotos do hip-hop novaiorquino:

Havia e há um teatro do capô: puxando-o para cima com um floreio, puxando-o para baixo para se acomodar em sua postura enérgica. O capuz emoldura um look sujo, obscurece acne e ansiedade, mascara fones de ouvido na sala de estudos, forma um cone de solidão que bastará para um reino autônomo.

Troy Patterson, em para a New York Times Magazine

Das ruas e da periferia social, o moletom ganhou status de luxo ao desfilar nas passarelas da Vetements e da Balenciaga. Dominou as ruas, virou símbolo de estilo, passou a ter novos contornos e detalhes. O capuz também é bordado, os ombros ficam mais estruturados, até mesmo a gola alta vira inspiração.

Com a Yeezy, marca de Kanye West, a potencialidade do moletom foi ainda mais explorada. Em um grupo de amigas, brincamos com a moda do Kanye West Way of Wear. Tá na moda.

Quem está autorizado a usar?

Uma das coisas que mais me chamam a atenção na moda é a distinção social a partir da roupa. Geralmente, o ciclo funciona assim: os alfas e os betas, públicos inovadores e disseminadores, lançam e exploram uma tendência; nós, mera massa, estranhamos no início, nos familiarizamos até acharmos que combina com quem somos; daqui que passemos a usar e nos consideremos “na moda”, os alfas e betas já estão em outra.

Distinção. Eles se diferenciam o tempo todo.

No caso particular dos moletons, entendo o momento e a dinâmica. Esquenta, aquece, estimula a ideia do conforto. É a acolhida que precisamos em momentos desafiadores como os de pandemia. Mas entendo também como um símbolo de distinção ressignificada que foi apropriada pela indústria da moda.

Foto: Divulgação/ Ginger

Quem pode usar moletons hoje?

Não falo em relação às temperaturas, porque o Brasil é imenso e possui características climáticas diversas. A questão é o que Troy Patterson também questionava, lá em 2016, em seu artigo para a New York Times Magazine.

Os códigos sociais são estáveis e efetivos para determinar quem é o que, quem tem o que, de modo que questões de classe e raça continuam sendo os parâmetros de interpretação consolidados pelos estereótipos. “Quem tem o direito de usar um [moletom] sem objeção?”, Patterson pergunta.

Uma sociedade preconceituosa como a nossa certamente não aceita que qualquer pessoa vista moletom para trabalhar. Minorias sociais precisam reforçar na sua imagem a credibilidade que o outro não consegue reconhecer. Não é todo trabalho que aceita a casualidade, simplicidade e informalidade do moletom.

Quem são as pessoas que trabalham em ambientes que acolhem essa peça?

Não é todo mundo que está autorizado a usar moletom hoje. Não é todo mundo que tem R$ 300 disponíveis para comprar uma peça pra ficar em casa. Não é todo mundo que vai apostar em peças de manga longa, capuz, gola alta para andar na rua, pegar um ônibus, ir ao mercado, o que for.

Quem seria, então?

Deixo com vocês essa resposta.


O moletom dominou o street wear no inverno de 2018, mas, como já vimos, ela está longe de sair da moda. Veja aqui algumas inspirações para experimentar a peça!

O lançamento da Ginger, marca de moda de Marina Ruy Barbosa

Nos últimos dias, a atriz Marina Ruy Barbosa virou notícia por ir à feira. Cheguei a fazer uma série de Stories explicando o porquê de uma atitude tão simples como essa ter virado notícia. Levantei a possibilidade de isso também ser uma jogada de marketing, e calhou que foi. Mas em nada invalida tudo o que falei sobre a noticiabilidade de Marina.

Nos últimos dias, a atriz Marina Ruy Barbosa virou notícia por ir à feira. Com traje e meias laranjas, tênis branco, cabelo em coque, maquiagem neutra e bolsas de algodão cru, no maior símbolo de sustentabilidade, a estrela do global decidiu fazer o que qualquer cidadão comum faz: foi à feira para “comprar” aquilo que mais lhe apetece, afinal.

Cheguei a fazer uma série de Stories explicando o porquê de uma atitude tão simples como essa ter virado notícia. Poder social, ainda que simbólico, ajuda a entender a dinâmica da imprensa que registra como “UAU!” aquilo que celebridades fazem, mas que nós, cidadãos do cotidiano, fazemos frequentemente sem alarde nenhum. Pelo contrário, com toda a maestria de quem já até se cansou de tanto.

Calhou que o “EXTRA, EXTRA!” de Marina Ruy Barbosa numa feira livre era, de fato, uma jogada de marketing. Levantei a possibilidade na série de Stories que fiz no Instagram, e me tranquilizo porque o anúncio do lançamento da Ginger, marca de Marina Ruy Barbosa, não invalida em nada as explicações que fiz.

Inclusive, reforçam. A atriz queridinha da Globo e da imprensa de celebridades brasileira usou a lógica do nosso próprio campo para promover um dos seus projetos.

Quanto mais poder, mais espaço na imprensa

A ida de Marina Ruy Barbosa à feira virar notícia carrega consigo algumas características. É o que no estudo de noticiabilidade chamamos de valores-notícia, que são os atributos daquele objeto de realidade. No nosso caso, o fato de Marina Ruy simplesmente ir à feira.

Mas aí você pergunta: ir à feira todo mundo vai. O que esse objeto tem de tão especial?

O mesmo de quando Caetano Veloso estacionou o carro no Leblon: o poder social de quem é o autor da ação. E a imprensa, independentemente de qual segmento, funciona sob essa lógica. Quanto mais poder possui o indivíduo, mais espaço ele conquista.

É assim com figuras políticas. É assim com figuras do esporte. Não seria diferente com o jornalismo de celebridades.

Marina Ruy Barbosa é “especial” nesse sentido. Um dos principais rostos da Globo, socialmente representa o que há de mais correto numa sociedade moralista como a nossa. Não se envolve em escândalo, é profissional competente, é esposa exemplar, alia a delicadeza que se busca na mulher à atitude que os movimentos sociais reivindicam como de direito nosso.

Mas de maneira comedida, obviamente. Embora não radical, suscita aquilo que muitas mulheres construíram como o equilíbrio ideal em meio a tantos estímulos e cobranças.

E por isso mesmo Marina Ruy engaja. As redes sociais ficam em polvorosa quando a atriz faz alguma coisa: casando, “mexendo” nos intocáveis cabelos ruivos, sendo o centro de algum suposto escândalo matrimonial. Até mesmo quando administrou de maneira considerada inteligente as investidas de um profissional da imprensa sobre si diante de comentários de colegas.

Marina Ruy tem, afinal, um capital de poucos. E que ainda agrega o casamento com um dos principais herdeiros da família tradicional em São Paulo. E os contratos publicitários com marcas poderosas no mercado. E os papéis relevantes que conquista nos folhetins globais.

Os atributos da ida à feira

Não sendo qualquer pessoa, o que Marina Ruy Barbosa faz tem peso. Ela por si só já é notícia, numa sociedade que valoriza o poder: ainda que simbólico, o reconhecimento social por algum motivo.

A gente quer ser importante. Isso por si só explica a base do jornalismo de celebridades, uma vez que, além de nos interessarmos por poder, nos interessamos também por pessoas. Gente. Vida dos outros mesmo.

Some a isso quando as situações fogem do esperado, que é esse ator social com tanto capital sair do lugar de intocável e se forjar “gente como a gente” que de algum modo ele é. Seja estacionando o carro, seja indo à feira.

Há uma quebra de expectativa aos padrões convencionais, que nos ensinaram algo sobre pessoas com poder social: de que elas terceirizariam as atividades do cotidiano. Quem dirige é um motorista, quem vai às compras do mês é a empregada doméstica – isso quando não chegam por delivery. Mais um valor-notícia, então: o inesperado, a surpresa.

Se eu contasse, ninguém acreditaria. Marina Ruy Barbosa numa feira? Ata. Que novidade!

O marketing do lançamento da Ginger

O marketing de lançamento da Ginger, certamente, levou toda essa lógica em consideração. Não consigo afirmar que a revista Quem, veículo especializado em celebridades (“quem acontece”), fazia parte contratualmente da estratégia, mas o produto jornalístico noticiou a ida de Marina Ruy Barbosa à feira sob diferentes ângulos.

A própria atriz fez graça dessa publicação em seu Instagram, tal qual a cartilha de qualquer lançamento. Um teaser bem fora da caixinha, eu diria, e com pleno conhecimento do seu mercado. Se a imprensa especializada em celebridades não sabia do lançamento de Marina, bom, que certeiro esse time de marketing!

Imagem: Reprodução/ Instagram

E alguns elementos garantem a construção da marca.

Não sou nenhuma especialista em branding, mas as andanças que faço no marketing digital me ajudam a identificar alguns elementos:

  • as peças usadas na tal ida à feira aparecem mais de uma vez na divulgação do novo projeto de Marina Ruy;
  • o laranja, no tom próximo ao ruivo dos seus cabelos, é o fio condutor da imagem da marca;
  • as ecobags são o elemento de sustentabilidade que refletem o princípio da Ginger.

E está, inclusive, na bio do Instagram: “Style. Sustainability. Art.” (“Estilo. Sustentabilidade. Arte”., em tradução do inglês). O estilo de Marina Ruy Barbosa, que sempre chamou a atenção em sua carreira artística; a arte, de sua origem; a sustentabilidade, o valor central da nova geração, em conformidade com os princípios que devem reger os novos consumidores e a forma de desenvolver negócios em moda.

Um marketing muito bem feito, afinal de contas.


Marina Ruy Barbosa é um dos ícones de moda do país. Relembre aqui como foi sua curta, mas marcante, aparição no Carnaval deste ano.