Hoje eu conversei com Deus…

Hoje eu conversei com Deus. Pedi, supliquei que ele me proporcionasse aquilo que tanto espero, mas que tanto parece fugir de mim. Sem sinal, sem perspectiva, sem nem mesmo uma ilusão. Perguntei por que eu não podia ter algo que muita gente parece ter alçando. Não sei qual a resposta. Nem sei se de fato o alcançarei também.

Muito se fala por aí que quanto mais se busca alguma coisa, dificilmente aquilo chega até a gente. Mas não faz o menor sentido – e me desculpem vocês que se fizeram de difíceis para as diversas conquistas que acumulam até aqui. Não faz o menor sentido. As conquistas que colecionamos não foram adquiridas com desleixo, indiferença, pouco caso. Nos importamos e nos dedicamos àquilo. Por que então dizer que quanto mais difícil se fizer para a vida, mais atenção ela lhe dedicará?

A primeira resposta que virá à sua cabeça provavelmente será a reprodução de um discurso convencido de alguém que se vê bom o bastante para não correr atrás do que deseja. Ou você admitirá que, bem da verdade, não faz a menor ideia do porquê reproduzir esse o discurso bobo de que “não adianta correr atrás”. Mas, reconheço, a agonia atrapalha os planos. E cada acontecimento tem seu tempo para acontecer – incluindo o tempo do riso, do choro, da conquista, da perda, das chegadas e partidas. Reconhecer cada etapa é o desafio; aceitá-la é a prova mais complicada pela qual haveremos de passar naquele momento específico.

É um exercício de paciência ao qual somos constantemente submetidos, ainda que detestemos essa brincadeira. Não reconhecemos de imediato, mas, tão logo tenhamos nossos interesses atendidos, nós conseguimos perceber o aprendizado que isso traz. Como absorvê-lo na primeira provação pode ser um caminho para, futuramente, não termos que repetir conversas, pedidos e súplicas a Deus.

Quem sabe aí, então, não será chegado o momento pelo qual tanto esperamos?

É dando que se recebe: Uma oração para todos os dias

A oração de São Francisco, pra mim, é uma das mais bonitas que existem no meio religioso. A relação dual de dar para receber, perdoar para ser perdoado e até mesmo morrer para que se viva para a vida eterna me emocionam. E se colocar como instrumento da paz é uma tarefa e tanto. Até porque não é sempre que a gente consegue levar amor onde tem ódio, perdão onde tem ofensa, união onde existe discórdia, nem mesmo fé quando há a dúvida. Mas quando a gente consegue…

De fato, o coração transborda um sentimento que ainda não consigo denominar. Talvez cheguemos ao mais perto da plenitude de paz quando fazemos o bem simplesmente por termos condição de fazê-lo. Quando podemos ajudar, ainda que um desconhecido, e o ajudamos. Se algum dia conseguirmos retribuir a uma ofensa com o amor, porque é aquela máxima deboísta: aquilo que você me diz fala muito sobre você, mas o modo como eu reajo fala sobre mim. E é isso.

Ainda somos muito imperfeitos para alcançar esse nível de sabedoria, de ser instrumento da paz. Nada impede, no entanto, que nos esforcemos para romper cada barreira que se coloca em nosso caminho, subindo um degrau a cada dia. Algumas pessoas veem no trabalho social uma boa trilha, assim como eu. Tratar com respeito e amor (não do afeto, mas o de querer bem) aqueles que um dia nos fizeram o mal também é um bom exercício. Lembro de já ter lido no Evangelho Segundo o Espiritismo algo que me marcou. O que há de mérito tratar com amor aqueles que já te amam ou fazem o bem, se é isso o esperado? O diferencial se torna eliminar o rancor, a mágoa, perdoar e desejar o bem para aqueles que um dia te fizeram completamente o contrário.

Não é fácil. Nem eu mesma coloco isso em prática todos os dias. Mas é vigilância constante. Nada paga um coração sereno e uma mente tão livre de ressentimentos, ambos capazes de tornar luz um ser ainda em progresso. E em momentos assim a gente percebe que aquela oração bonita, por vezes até musicada, faz todo sentido. É dando que se recebe.

Quanto mais amor, mais compreensão, mais luz oferecemos ao universo e ao que nele está contido, mais recebemos de volta.

Funciona. Vamos tentar?

Como fazer o fevereiro da alegria em meio a tantas frustrações?

Ao fazer a programação do blog para o mês, estabeleci que este seria o fevereiro da alegria. Só não contava que a vida estaria de cabeça para baixo nessa semana e a última coisa que eu me sentiria era alegre. Como escrever qualquer coisa desse tipo para vocês, leitoras?

Quando saí do banho na sexta-feira, antes de encontrar uma amiga, ensaiei diversos jeitos de começar esse texto. Não lembro de nenhum deles, infelizmente. Ao longo da noite, percebi que o fevereiro da alegria poderia começar sob uma perspectiva diferente: não faz mal estar triste, mas a gente não pode se render a um estado de espírito que nada tem a acrescentar quando se faz presente por muito tempo. E tem outra coisa importantíssima: a gente não precisa passar por isso sozinha. Vou usar um exemplo particular pra ilustrar isso.

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Não tenho a menor expectativa para acontecimentos neste 2018, exceto o fato de que será um ano de mudanças. E eu comecei janeiro acreditando em todos os sinais de possíveis mudanças que me apareceram: oportunidades de crescimento profissional, nova perspectiva afetiva, possibilidade de fazer mais dinheiro. Todos os horóscopos diziam que logo no início do ano haveria mudança de casa, e de fato houve. Como não acreditar nas demais transformações que permeariam minha vida?

Tudo seguia meu script, até que a frustração fez check em cada item da minha lista. Juntas, tais frustrações me fizeram questionar as capacidades que eu tinha e rasgaram o peito de um jeito cuja dor eu não sentia havia muito tempo – e não quero mais sentir tão cedo. Até que eu recebi uma ligação que veio como um bálsamo, me ajudando a perceber que nem tudo depende de mim e que eu não posso escolher o que sentir, mas o que fazer diante disso.

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Me ajudou muito, muito tomar um banho, usar um batom colorido e sair. Ver gente. Foi a primeira escolha desses novos tempo. E aqui eu quero agradecer a minha amiga da vida inteira, Ailma do Shade. Se algum dia eu não souber contar cada pedaço do que me aconteceu nos últimos tempos, pode perguntar a ela. E pergunta a Bia também. E a Claudinha. Inclusive, esta última me disse algo que faz todo sentido sobre a vida: não tem spoiler. Você roteiriza, você atua, você até idealiza. Mas o fim de cada temporada cabe a Deus, e ele não te deixa saber nadinha.

E aí eu chego à conclusão que o fevereiro da alegria começa assim pra mim. É a lição. Alegria de deixar que os desígnios do Cara Lá de Cima (ou do horizonte?) rejam minha vida de maneira resignada. Resistir e maldizer mudanças ou perdas, nessa impermanência que é a vida, é prolongar um sofrimento que não acrescenta em absolutamente nada. Afinal, a gente não aprende nem mesmo pela dor se não abrir os olhos e encontrar um jeito de enxergar o copo meio cheio. Tenho tentado diariamente não me deixar abater por essas inconstâncias, porque cada dia tem sido um 7×1 diferente. A vida é isso.

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Não sei o que você passa por aí, moça, mas tente não deixar que o sofrimento faça morada em ti. Ao primeiro sinal de tristeza, chore o que tiver que chorar, mas lave o rosto, vista a roupa que te faça sentir mais bonita e vá brindar a vida. Brinde-a, onde quer que seja. Diga pra si mesma tudo aquilo que você gostaria que o outro reconhecesse. Ame-se. E não espere ninguém pra isso.

O resto vem, vamos acreditar.