Influenciadora com nanismo é nova embaixadora da Savage x Fenty, marca de Rihanna

Em seu Instagram, Tamera destacou que novo posto passa uma mensagem de amor-próprio, de amor à pele na qual se vive e a coragem de ir atrás do que desejar.

A influenciadora digital Tamera McLaughlin é a nova embaixadora da marca Savage x Fenty, de Rihanna. A jovem de 23 anos é a primeira embaixadora com nanismo da grife.

De acordo com publicação da Glamour Brasil, Tamera já havia pensado em fazer cliques com as lingeries da marca como estratégia para ser notada, mas antes disso a própria Savage x Fenty procurou a influencer.

“Na semana em que as peças chegaram pelo correio, eu recebi um e-mail dizendo que eles tinham visto um de meus vídeos que viralizaram e tinham interesse em ter meu nome como embaixadora. Comecei a chorar imediatamente. Foi muito rápido como aconteceu”, descreveu, em entrevista ao Buzzfeed.

Em seu Instagram, Tamera destacou a importância do posto que assume a partir de então, principalmente devido à mensagem que passa: de amor-próprio, de amor à pele na qual se vive e a coragem de ir atrás do que desejar.

“Você não vê pessoas com nanismo modelando para grandes empresas. O sentimento de fazer parte disso é incrível e agora, ao me tornar a primeira embaixadora deste tipo, sinto que não serei a última”, afirmou.

Inclusão não é novidade

O convite a Tamera McLaughlin é uma novidade pouco inesperada. As marcas de Rihanna têm como bandeira principal a diversidade, seja na moda ou no segmento de beleza.

Inclusive, a Fenty Beauty incluiu em 2017 uma coleção inédita de 40 tons de base. No vestuário, a marca de roupas da artista e empresária ofereceu tamanhos maiores de sutiãs, calcinhas e pijamas.

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Esse posicionamento tem rendido uma fanbase interessante para a artista. No caso da Savage x Fenty, são mais de 4 milhões de seguidores no Instagram e incremento de 150% no grupo de membros VIP em 2020, com crescimento de mais de 200% na receita.

O que há de diversidade no jornalismo feminino através das capas de revistas de 2020

Nesse exercício analítico, verifico as escolhas de personagens das capas de Elle, Glamour Brasil, Harper’s Bazaar, Marie Claire e Vogue Brasil em 2020.

Esse artigo não pretende academicismo ou falar difícil para tratar de algo que tanto reflete nosso momento social. O que há de diversidade no jornalismo feminino é um exercício de autocrítica tão cobrada da imprensa, que põe no papel – ou no digital – aquilo que ainda circula em nossa sociedade.

Especificamente no universo feminino, cujas publicações editoriais acompanham as mudanças de realidade da mulher, como diz Naomi Wolf em “O Mito da Beleza” (1990). E há muito a desconstruir nessa segmentação.

Em 2020, particularmente, os estímulos para contrariar a ordem vigente foram vários. Esses estímulos vieram de fora e reverberaram dentro – de pessoas, de instituições, de grupos.

A pandemia de coronavírus incentivou reflexões naqueles que alcançaram lugar suficiente na pirâmide que lhe permita pensar em algo além de sua subsistência. Por um lado, o vestir ganhou outros contornos, priorizando o confortável. beleza passou a ser reconhecida em outros aspectos e diminuiu a pressão pela pele perfeita, pelas sobrancelhas perfeitas e até o corpo perfeito. Descobrimos um ritmo de vida mais slow e artesanal, mas também experimentamos a dor e a delícia de mergulhar profundamente em nossa individualidade e na intimidade com aqueles com quem dividimos o teto.

Capas estáticas da Elle Brasil com personagens
(Imagens: Reprodução)
Capas da Glamour Brasil em 2020
(Imagens: Reprodução)

Mais de fora ainda, um movimento étnico e social ecoou dos Estados Unidos para o mundo reivindicando o direito à vida de pessoas negras. O Black Lives Matter ganhou espaço nas redes sociais de quem se entende agregador e ávido por justiça social. Por outro lado, em meio às diversas vozes, algumas delas lembravam: a mudança precisa vir de dentro – de pessoas, de instituições e de grupos.

E as capas de revista, em particular, são o espaço para o que acontece socialmente. O jornalismo por si só cumpre com esse papel. Mas as capas de revista, em particular, refletem a sociedade do seu tempo – mudanças políticas, econômicas e sociais, além de novos comportamentos e fazeres – e criam vínculo com o leitor e a leitora. Segmentadas como são, o diálogo é direto com aquelas pessoas que confiam na informação trazida por aquele título editorial.

Capas da Harper’s Bazaar em 2020
(Imagens: Reprodução)
Capas da Marie Claire em 2020
(Imagens: Reprodução)
Capas da Vogue Brasil em 2020
(Imagens: Reprodução)

Diante desse contexto, repeti o exercício feito em 2018 para verificar, dois anos depois, como a diversidade se manifesta nas capas de revistas femininas de 2020. Assim como naquele ano, avaliei os mesmos objetos: Elle, Glamour Brasil, Harper’s Bazaar, Marie Claire e Vogue Brasil.

Comecei com uma única hipótese: o número de pessoas negras na capa aumentaria no segundo semestre, logo após o Black Lives Matter. Um spoiler: aumentou.

Por que as capas

O jornalismo é reflexo da sociedade na qual está inserido. Consequentemente, é um produto daquela cultura e espaço de representação dos símbolos que correspondem ao sistema de vida daquela sociedade.

Ou seja, se houver mudanças, o jornalismo vai refleti-las. Se houver o fortalecimento de determinado valor ou outro, isso também estará no jornalismo. No jornalismo especializado, em particular, que alcança públicos segmentados e qualificados para aquele tipo de informação produzida, esses aspectos são fortalecidos de maneira mais direta.

A jornalista Fátima Ali escreveu em “A Arte de Editar Revistas: Um guia para jornalistas, diretores de redação, diretores de arte, editores e estudantes” (2008) que:

(…) as revistas, que historicamente se desenvolveram para informar, divertir e distrair, formaram o jeito de pensar, os costumes, os estilos e a cultura do mundo moderno.

Fátima Ali, 2008, p. 306

A capa é o reflexo de todo o espírito dessa revista que dialoga com um público bem específico – embora nem sempre restrito. Esse posicionamento se dá em todas as escolhas: de personagem, de cor, de chamadas, de palavras, de roupas usadas pela personagem. Reconhece-se o espírito de uma revista por sua capa e esse conhecimento não é à toa.

Sendo a primeira parte da revista que a leitora verá quando em contato com o produto, a escolha do que estará na capa e da forma que estará diz bastante sobre o que pensa e pretende aquele título. Não é à toa que a capa da Vogue em maio repercutiu tanto. Com Gisele Bündchen na capa vestindo peças de grife, a chamada “novo normal” em meio à crise sanitária, social e econômica na qual mergulhamos pegou mal.

Na edição bimestral de julho/agosto, a Marie Claire destacou jornalistas brasileiras em atuação no front da notícia durante a pandemia
(Imagens: Reprodução)

Para esse exercício de análise, a capa é suficiente para nos indicar os caminhos que têm adotado as revistas femininas de moda brasileiras.

Que diversidade é essa

Observei 47 capas publicadas por Elle, Glamour, Harper’s Bazaar, Marie Claire e Vogue entre janeiro e dezembro de 2020. Encarei um mercado com algumas mudanças que não existiam em 2018: edições bimestrais, capas digitais dinâmicas, volumes impressos num formato diferente do tradicional, mais de uma personagem na capa por mês.

Optei por focar a atenção nas capas digitais e impressas, e considerar cada personagem por capa e os aspectos sociais que representam. Isso quer dizer, por exemplo, que na Marie Claire de fevereiro com Ludmilla e Brunna Gonçalves trocando carinhos, considerei duas mulheres negras e lésbicas.

No geral, foram 05 capas de Elle, 10 capas de Glamour, 11 capas de Bazaar, 10 capas de Marie Claire e 11 capas de Vogue. Nesse total, observei 10 capas com pessoas negras no 1º semestre e 15 capas com pessoas negras nesse 2º semestre.

Houve maior número de capas com pessoas negras nas revistas femininas de moda no Brasil no período após estourar o movimento Black Lives Matter. Não dá pra dizer que o resultado é reflexo desse movimento, no entanto, considerando a mobilização dos atores sociais ao longo dos anos, mas, principalmente, ao longo de 2020, é de se celebrar esse resultado.

Principalmente porque, em 2018 quando fiz análise semelhante com os mesmos títulos editoriais, de 54 edições observadas, apenas 11 traziam mulheres negras nas capas. Esse levantamento que fiz em relação às capas de 2020 já mostra que são 25 mulheres negras nas capas.

Mas é importante ponderar que são 47 capas estáticas. Se analisarmos outros formatos, como os volumes impressos da Elle e as capas dinâmicas da publicação, esse número aumenta – tanto de capas quanto de pessoas nessas capas.

Há de se observar também a presença de outros enfrentamentos nessas capas. Em menor número, de fato, mas ainda assim presentes, como:

  • a Marie Claire repetindo na edição de fevereiro a capa com duas mulheres lésbicas trocando carinhos, dessa vez mulheres negras, como Ludmilla e Brunna Gonçalves (em agosto de 2018, foi Nanda Costa e Lan Lanh);
  • uma modelo trans na capa de dezembro da Bazaar, neste caso, Valentina. Também na Marie Claire, a empresária Valéria Rossatti, que decidiu assumir os fios grisalhos e contraria toda indústria da beleza tradicional que rejeita a velhice feminina.

Após o mal estar com a edição de aniversário, a Vogue trouxe meses depois uma mulher indígena na capa de setembro, além de outras três pessoas que representando a Amazônia. Uma escolha alinhada ao momento social que passamos, visto que em 2020 atingimos níveis recordes de desmatamento na floresta e em outros biomas brasileiros.

A mesma revista ainda alçou ao seu espaço mais privilegiado artistas drag queens, por muitos anos motivos de chacota socialmente. Pabllo Vittar e Gloria Groove na capa impressa, Bianca Della Fancy e Halessiar na capa digital. Mulheres curvilíneas também ocuparam espaços na Marie Claire, na Glamour e na Vogue, como Lizzo, Tássia Reis, Preta Gil, Rita Carreira e Duda Beat.

O que concluir disso

Houve mudanças, progressos. Não a passos muito largos, mas muitos significativos.

Nem todas as revistas se manifestam da mesma forma, nem compartilham os mesmos valores ou olhares. Há de se considerar a linha editorial de cada uma delas, porque essas diretrizes orientam as escolhas da publicação e estabelecem os parâmetros de atuação institucional.

Consequentemente, não dá pra dizer que todos os títulos devem se posicionar da mesma forma. Talvez seja querer um pouco demais.

Mas é fato incontestável que estamos mudando enquanto sociedade e na medida que mudarmos, as publicações tenderão a refletir nossos processos também. Algumas antes do que outras, e tudo bem.

Independentemente, já temos hoje publicações que dialogam com muitos valores que ascenderam e se fortaleceram, como igualdade de gênero, abaixo à pressão estética e obrigatoriedades estéticas atribuídas às mulheres. Sendo assim, se for de sua vontade, foque nelas.

Por fim, independentemente do quanto conquistamos até aqui, também é incontestável: ainda podemos avançar mais. Vamos.

A tal da autocrítica: Temos a diversidade de que tanto falamos?

No ano de 2018 foi possível encontrar a propaganda da diversidade a cada esquina. “Viva à diversidade“, “ame seu corpo do jeito que ele é”, “não ceda aos padrões impostos arbitrariamente pela sociedade” foram alguns dos gritos que ouvimos nos grandes centros que são os produtos jornalísticos voltados para o nicho de moda. Não havia parado pra questionar se era isso mesmo até que Carla Lemos, do blog Modices, observou em seu perfil no Twitter que pouco adiantava pregar diversidade, se as capas são das mesmas pessoas de sempre: brancas, loiras, dos olhos claros, magras.

É preciso fazer a tal da autocrítica.

Reforço aqui o que repito para quem explico sobre a minha pesquisa no mestrado: jornalismo é produto cultural. Consequentemente, trazer modelos padrãozinho nas capas nada mais é do que reflexo de um grupo específico, num dado momento específico. Não que só existam mulheres brancas e loiras nos castings de agências, mas este continua sendo o perfil ideal de beleza que estamos acostumados a admirar. De 54 capas de revistas às quais tive acesso e que foram publicadas ao longo do ano passado pela Elle, Glamour, Harper’s Bazaar, Marie Claire e Vogue, apenas 11 traziam mulheres negras estampando suas capas – ou dez, porque Taís Araújo é a estrela de duas edições diferentes.

Destaque para a capa de setembro da Marie Claire com a modelo Winnie Harlow, que possui vitiligo. A principal chamada gritava “os novos valores da moda”: respeito à diversidade, produção sustentável, peças perenes, consumo consciente. No quesito discussões, a revista com berço francês, inclusive, sai à frente de todas as demais. A Marie Claire foi a revista que mais propôs debates sobre assuntos polêmicos e incomuns à pauta de revistas femininas. Tinha look do dia, tinha tendências, o que estava na moda naquele momento. Mas também havia pautas como: o que muda quando as mulheres chegam ao poder; descriminalização do aborto; maternidade depois dos 35 anos; estereótipos de raça; amor lésbico; novos acordos de relacionamento e ejaculação feminina.

Capas da revista Marie Claire publicadas em 2018.
Fotos: Divulgação

Numa primeira análise, julguei que a Marie Claire ocupou bem o espaço deixado pela Elle, após o Grupo Abril decidir descontinuar a publicação no Brasil. A Elle era uma das revistas que mais se esforçava em equilibrar comportamento, ruptura com os padrões e moda. Olhando mais uma vez pra esse material, no entanto, reconheço: a Marie Claire defendia uma pauta progressista e mais útil desde antes. O DNA francês pode influenciar nessas decisões. Que bom que ele segue vivo, pelo menos neste aspecto, em nossa terrinha.

Diversidade – e diversificada
Claro que as outras 40 capas não são apenas de mulheres brancas, dentro de um padrão socialmente estabelecido como ideal. O diferente surge em maneiras distintas, ainda que de inexpressivas. Por exemplo, o envelhecimento feminino é um tabu já faz algum tempo. Assumir rugas, flacidez da pele e fios brancos é mesmo um ato político numa sociedade machista como a nossa.

Duas capas trouxeram a terceira idade em evidência, com artistas já acima dos 70 anos como personagem principal do produto. Isso aconteceu com a Elle de julho, com a musa do easy chic Lauren Hutton, no auge dos seus 74 anos, e com a Bazaar de outubro, cuja estrela foi a primeira modelo brasileira Vera Valdez, aos 82 anos. A gente reconhece o esforço, mas não dá pra dizer que existe uma mudança em curso, porque é forte a relação estabelecida, por exemplo, com chegar aos 35 anos de idade e fazer tratamentos de rejuvenescimento da pele. Ainda é forte a lógica da juventude feminina, mesmo que isso apareça apenas nos mínimos detalhes.

Por outro lado, senti falta de artistas LGBTQ+ nas principais revistas femininas. Foi um ano em que ouvimos Pabllo Vittar, Glória Groove, Liniker. Foi um ano em que gays e lésbicas precisaram se posicionar para garantir e preservar sua existência politicamente. Foi um ano em que, por exemplo, a Glamour preparou um especial LGBTQ+ (setembro/2018), mas isso não levou a capa. Naquela edição, a influencer, empresária e escritora Camila Coutinho foi quem estampou a parte mais importante da revista. Do levantamento que fiz, é possível que apenas duas capas tenham trazido um artista declaradamente homossexual, transgênero ou qualquer outra variação. A primeira, a edição de agosto da Marie Claire, que trouxe a atriz Nanda Costa e a percussionista Lan Lanh, abraçadas, rosto colado, sob os dizeres “amor é amor”. A outra capa foi a Glamour de novembro, que destaca a atriz Bruna Linzmeyer.

Também não houve corpos gordos nas capas, à exceção da cantora Gaby Amarantos, cuja estrutura corporal é mais curvilínea do que o que é tido como padrão.

É preciso destacar também que, apesar da pouca diversidade imagética, as pautas das revistas trazem conteúdo pouco conservador – certamente num diálogo com o momento que estamos passando. Falei acima que a Marie Claire foi a que mais discutiu assuntos polêmicos, tidos como tabus, mas não podemos descartar o esforço da mídia em defender a independência feminina e estimular que as mulheres ocupem espaços de poder. É o caso de pautas como manutenção das finanças sob controle, mulheres poderosas, empoderamento no mercado de trabalho e combate ao machismo.

Lauren Hutton, aos 74 anos, na capa da Elle em julho (esq.) e Vera Valdez, aos 82, na capa da Bazaar de outubro (dir).
Fotos: Divulgação

O caminho parece positivo. Que não seja mero oportunismo, nem que se perca o propósito – caso seja esse o caso – de promover mudanças individuais e sociais. Precisamos que o diferente ocupe cada vez mais espaço nos meios de comunicação, por sua vez legitimadores dos valores que compartilhamos em sociedade. É uma demanda ter outros corpos, outros rostos, outras cores e outras vozes em posição de destaque, ainda que nem todos aceitemos. O respeito pode ser demonstrado de diferentes formas, uma delas conferindo caráter de existência a partir da exposição honesta aos holofotes.

Quem sabe em 2019 não façamos a diferença com o que é tido como diferente?