É possível ter bons dias, apesar da ansiedade

Tudo começa com o sonho. Acordada mesmo. Desejar, imaginar, se inserir naquela situação que você vai fazer o possível para que se torne real.

A vida não é muito fácil. Particularmente, tenho protagonizado um drama particular desde quando recebi um belo de um chacoalhão que fez despencar todos os frutos maduros e parar para observar aqueles que ainda precisavam de um tempo para que estivessem prontos.

Tal qual um agricultor, preciso admitir que esperava melhores resultados dessa safra. Afinal, dediquei tempo, criei as condições que imaginei serem favoráveis para tanto — e que então se mostraram ainda insuficientes. Dei, como dizem, o meu melhor.

Mas, passado o choque inicial, pude traçar estratégias de ação que me resgataram do trem sem destino definido no qual eu havia me metido sem ao menos perceber. Tenho andado pela estação ainda em busca do melhor a tomar, mas a busca ficou um pouco mais exata, considerando que eu já sei para onde não quero ir.

Em se tratando de ansiedade, isso facilita tanto as coisas…!

Alguns dias são terríveis 

Mas não é fácil. E não é à toa que comecei esses rabiscos justamente com essa constatação. Alguns dias são terríveis, o verdadeiro inferno na Terra sem direito a purgatório — ainda que eu não acredite nem em inferno, tampouco em purgatório.

Desespero, angústia, medo, cansaço, indisposição; vontade demais, paciência de menos. Algumas vezes o ansiolítico parece desnecessário, enquanto noutras parece insuficiente.

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A próxima sessão de terapia é mais aguardada do que juiz em audiência de divórcio. O alívio pelo desabafo disputa espaço com a frustração por perceber que não será daquela vez que daremos adeus, num estalar de dedos, à aflição que nos inquieta. 

É difícil. Como disse… um verdadeiro inferno na Terra. Falei. 

Mas há um lado bom… 

O lado bom de passar por momentos ruins como esse é aprender a aproveitar os momentos que valem a pena. Sempre há um dia bom para viver. E quando ele está ao seu dispor, putz!, costuma ser incrivelmente delicioso.

Tudo começa com o sonho. Acordada mesmo. Desejar, imaginar, se inserir naquela situação que você vai fazer o possível para que se torne realidade. E, quando isso acontecer, você saberá exatamente o que fazer: estar ali, aproveitar cada minuto, se permitir a felicidade e o bem-estar que você sabe que merece.

Você sorri, vive. Sente o calor, o vento e o frio. Olha no olho das pessoas, interage com quem cruzar seu caminho. Descobre novos contornos do cotidiano. Cria memórias, acumula histórias a contar. É tocada por novas vontades, outros quereres, possíveis alternativas que você sequer foi capaz de imaginar até então.

E nós precisamos mesmo disso, de dias assim.  A realidade é cruel demais para ignorar essa, a busca por novas experiências, como uma estratégia de sobrevivência eficaz.

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Ou podem não ser tão novas assim. Nem extraordinárias, nem custosas, nem trabalhosas. Vale um fim de noite ouvindo “La Vie En Rose”, bebendo um suco de uva integral à luz de velas e do luar, despojada em sua poltrona mais confortável, deixando a brisa da noite primaveril entrar em casa.

Estar bem está no simples também. Sempre há um dia bom para viver. Sempre. E ele começa na nossa imaginação. Crie-o. C’est parti! 

Um lembrete: o caminho também importa

Trajetórias me emocionam já faz algum tempo. Elas confirma aquilo que aprendi na terapia e em teoria: consistência é o segredo da solidez.

Chorei. Trajetórias me emocionam já faz algum tempo e essa semana, em particular, me emocionei com a conquista que sucede treze anos de esforço. Vejam um caso específico: Lewis Hamilton demorou treze anos para bater um recorde. E eu de cá na expectativa do auge da carreira com cinco anos de estrada.

Trajetórias me emocionam justamente porque mostram o esforço necessário pra chegar em algum lugar, e tranquilizam o meu psicológico ansioso, que não vê a hora de ter aquilo que não sabe bem o quê. Conhecer a trajetória dos outros me incentiva a valorizar um pouco mais a minha, ser mais justa com ela, confiar no processo.

Passei os últimos dias com uma lição ecoando em looping: consistência é o segredo da solidez. Aprendi na terapia, e em teoria. A prática tem sido um tanto desafiadora.

Coisa é quando olho pra um lado, olho pro outro e me dou conta dos privilégios que não tenho e que poderiam facilitar minha vida rumo àquilo que ainda não sei bem o quê. Erro duplo: primeiramente, superestimo a trajetória do outro; além do mais, subestimo a minha.

E o caminho que trilhei até aqui é bem admirável, viu. Isso eu sei.

Na teoria eu sei tudo. Coisa é quando eu preciso transpor isso para a prática.

Atitude autoconfiante nunca foi muito o meu forte, pelo menos não a longo prazo. É porque não me lembro de ter sido consistente nisso. Tudo vai bem até que olho pra um lado, olho pro outro e me dou conta dos privilégios que não tenho e que poderiam facilitar minha vida rumo àquilo que… bom, ainda não sei bem o quê.

Repetitiva, né? Eu sei. Na teoria e na prática. E todas as vezes que me deparo com uma crise de ansiedade, esbarro nas mesmas questões.

Se já foi cansativo pra você em dois, três parágrafos, imagina como não tem sido pra mim em 26 anos?

Tá bom. Vou ser mais justa comigo, afinal, não me dei conta dessa condição desde quando estive esperando sentada pelo momento de minha estreia. Literalmente.

Mas não desiste de mim, não. Isso eu falo pra você que me lê, mas lendo em voz alta soa também uma mensagem do meu eu prático para o racional.

A gente sabe que ainda tem um longo caminho pela frente, e que as experiências vividas não definem o presente nem o futuro, mas representam um passado bem aproveitado e cheio de aprendizado. A gente também sabe que por menos que saibamos exatamente o que queremos, sempre há uma pista de como queremos estar. Ou onde. Ou com quem. Ou fazendo o quê.

E a gente também sabe que precisa se manter em atividade. Todos os dias. Sendo consistentes, mirando a solidez, confiando no processo. Uma hora haveremos de colher os frutos disso.

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A gente sabe. E como saber não é suficiente, a gente vai exercitar também. Até virar rotina, hábito, atitude natural diante da vida.

Da onde vem a culpa?

É algo natural, do dia a dia. Acontece quando numa briga falamos algo sem pensar e deixamos o outro magoado. Ou quando respondemos grosseiramente alguém que amamos. Ou até mesmo quando deixamos de fazer algum trabalho. O sentimento de culpa é do humano.

A psicanalista Gisele Gomes, que também é professora de Teoria Psicanalítica Freudiana na RNA Clínica e Escola de Psicanálise, explica que a culpa é resultado do desequilíbrio do ego, aquela instância do indivíduo que balanceia os lados irracional (chamado na teoria freudiana de ID) e racional (ou superego). Na avaliação da especialista, esse sentimento de culpa está atrelado ao exagero de um e à escassez de outro.

“O indivíduo que se culpa muito pode ser aquele que age de forma extremamente impulsiva em busca de prazer e que depois, numa revisão de suas atitudes, consegue enxergar que poderia ter agido de uma forma diferente. Esse é um ponto de surgimento de culpa. Em contrapartida, um indivíduo que tem muita culpa é aquele que se priva demais, aquele que tem um superego extremamente desenvolvido e se proíbe de vivenciar as coisas. A culpa pode surgir dessas duas vertentes”, explica.

É como se você não pensasse antes de beber demais na balada porque aquilo te dá muito prazer, mas a ressaca moral do dia seguinte te lembra que você pesou a mão em algumas atitudes. Aí a culpa vem. Mas também pode acontecer o oposto: você queria muito se declarar para o crush, mas por pensar demais nas consequências daquela atitude, desistiu e perdeu a oportunidade que havia surgido.

A terapeuta quântica Deborah Souza chama isso de “uma água parada no tempo”, porque faz com que a gente acredite “com toda a força” que não é mais possível reverter o dano de alguma atitude tomada. E isso interfere na fluidez da nossa vida. Uma vez que nos sentimos culpadas, temos dificuldade de perdoar a nós mesmas e entramos num ciclo de pensamentos repetitivos porque ficamos remoendo o que deveríamos ter feito ou dito.

“O sentimento de culpa, arrependimento ou remorso, geralmente faz com que a pessoa entre em um processo de autopunição pela ação cometida e acredita que não merece mais ser feliz. É importante entender que esse registro foi feito dentro do subconsciente e que é possível alterá-lo para que a vida possa voltar a fluir. Para isso, é preciso acessá-lo”, acrescenta Deborah.

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Como cuidar disso?

Se você percebe que esse sentimento de culpa está presente numa dose maior do que deveria, te impedindo de seguir o fluxo da vida e encarar com naturalidade que você é humana e está aqui para errar e aprender com seus erros, bom, é hora de pedir ajuda. Terapia é uma boa saída.

A psicanalista Gisele Gomes sugere que essa humildade de admitir que estamos passíveis ao erro impede que o sentimento de culpa se instale. A especialista observa que é importante lembrarmos de que é possível fazer com que o erro seja corrigido, a partir de um diálogo ou de uma nova atitude.

“Nutrir sentimentos de culpa constantemente e ficar olhando para essas situações que geraram esse sentimento pode levar o indivíduo a um quadro patológico de depressão ou ansiedade. Então, é importante tratar a culpa na terapia. O que te traz esse sentimento? Os pacientes muitas vezes em consultório trazem sentimentos de culpa em relação a relacionamentos que não deram certo, a lados profissionais que não deram certo por uma atitude impensada. A terapia visa revisar esse passado, essa trajetória. Obviamente, responsabilizando o indivíduo, mas fazendo com que ele compreenda que está nas suas mãos a possibilidade de reverter isso. E se isso não for mais possível, entender que aquilo não tem volta e revisitar esse passado não levará a nada”, observa.

Outra forma de se libertar do sentimento de culpa é através da terapia quântica. Deborah Souza explica que essa modalidade libera a energia estagnada no tempo e espaço, dando lugar a novos sentimentos. Em se tratando da culpa, substituindo a culpa por autoperdão e amor incondicional.

“As técnicas de cura quântica, trazem um novo sentimento no lugar da culpa instalada. Essas técnicas trazem uma nova consciência de que a pessoa em questão agiu de acordo com a maturidade que ela tinha naquele momento e diante da situação que se apresentava, ou seja, traz uma nova consciência para as células. Em outras palavras, traz essa aceitação de forma consciente liberando esse registro de culpa e faz a instalação de novos sentimentos para esse lugar antes ocupado com esse sentimento como por exemplo: a restauração da alegria da encarnação e merecimento de ser feliz”, explica a terapeuta quântica Deborah Souza.

Entre as técnicas citadas estão Thetahealing, Access Consciousness e Stargate. No caso do Thetahealing, o acesso à energia estagnada é feito de forma consciente, em que o indivíduo é guiado pelo terapeuta para dar as permissões necessárias à alteração energética que precisa ser feita. No Access Consciousness, são utilizados processos corporais e verbais para abrir esses “cadeados energéticos” que estão espalhados pela mente e corpo do indivíduo. Já o Stargate é considerado um grande portal onde acontece as transformações em diferentes níveis do Ser. Ele é acessado através da meditação guiada, que eleva a consciência do indivíduo a um profundo estado de meditação.