Um pedido às moças: deixem o reconhecimento chegar

Atenção, moça, para o que eu vou te falar nas próximas linhas. Espero que você entenda de uma vez que o reconhecimento vem para todos, independentemente do tempo, de quem seja, do que quer que faça. Em algum momento da vida alguém verá o que você faz e dará o devido valor aos seus esforços. Para isso, no entanto, você precisa deixar o reconhecimento chegar.

Você dirá que não é consciente, que seu psicológico sabe lidar com as coisas que dão errado, mas não quando os fatos acontecem conforme seu desejo. Certamente.  Contudo, você precisa identificar o que te prende a uma zona de conforto, tão angustiante que te faz sonhar alto e querer mudar de vez aquela realidade.

É medo de rejeição? É medo de não dar certo? É trauma? Memórias te impedem de fazer as mesmas coisas de antes? Você precisa saber. Precisa, porque se o seu desejo é pelo sucesso, ele só virá quando você se sentir pronta para encará-lo. É tipo força do pensamento, sabe?

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Esses últimos dias têm me feito parar pra pensar nessa coisa louca que é conseguir algo que a gente tanto esperava – ou minimamente chegar perto de realizar. Não sei como é com vocês, mas sou capaz de ter verdadeiras crises de ansiedade. E é ela, a ansiedade, no que aposto como justificativa para a demora do reconhecimento chegar como eu gostaria.

Lembra do poder do pensamento que mencionei há pouco? Pois! Penso tanto no que vai acontecer antes, durante, depois; ensaio reações para possíveis coisas que as pessoas dirão. E se der errado? E se não for nada do que me falaram e, na verdade, eu for constrangida no ambiente? Essa postura muitas vezes me sabota. Acabo desistindo das coisas, não consigo perceber a oportunidade…

Mas sei que não dá pra ser assim. É preciso deixar o reconhecimento chegar. E ele vem de tantas maneiras, aos pouquinhos, como se por indicativos de que ele realmente está ali. Deixe as pessoas falarem o quanto você é boa no que faz. Deixe as pessoas te convidarem para ocupar postos de destaque. Se reconheça boa para as oportunidades, porque elas não viriam se você não fosse!

É um exercício constante de não desistir e aceitar que cada etapa aconteça. No fundo, no fundo eu quero; meu insconsciente tem medo. O truque é equilibrar esses sentimentos, de modo que o real desejo se sobreponha e, enfim, nos leve a concretizar tais objetivos. Vamos continuar tentando?

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Não atribua a ninguém a obrigação de te fazer feliz

Atenção para uma verdade! É clichê, eu sei, mas a gente tem uma dificuldade enorme de absorver essa realidade sobre a vida. E nem adianta vir dizendo que eu já fui melhor em não repetir o que todo mundo fala, viu? Mas é porque isso é realmente necessário. Atenção, vou falar. E bem pausadamente, pra não restar dúvidas. Um, dois, três e já: a nossa felicidade só depende de nós mesmas.

Ufa! Não leve para o lado pessoal e desculpa se o que eu falei não corresponde às suas expectativas, mas, amiga, a gente precisa aprender. Não atribua a ninguém a responsabilidade de te fazer feliz, porque a tendência é a frustração. Sério!

Já começa que ninguém melhor do que nós mesmas para saber o que queremos – ainda que em algumas vezes a gente nem sabe o que quer. Ninguém melhor do que nós mesmas para saber o jeito que gostamos da arrumação da nossa casa, do molho do macarrão ou do amor que queremos. Ninguém também é capaz de adivinhar, tampouco de saber lidar, como gostaríamos de ser tratadas em determinadas situações, ou é obrigado a fazer o que a gente quer. Entende?

O que eu tô querendo dizer é que a gente não pode (nem deve) esperar pelo outro para ser feliz, quem quer que seja esse outro. Se correr na orla te faz bem, por que esperar uma amiga para te acompanhar, ao invés de ir sozinha? E se você quer tanto jantar naquele italiano super chique, vai ficar mesmo na expectativa de algum date para propor o local? Ah! Tá louca querendo assistir ao filme que estreou semana passada, mas a galera te enrola? More, pega sua carteirinha de estudante e vai! Ou passa mesmo no crédito aquela fortuna que é o ingresso de cinema! Haha Mas vai!

Logicamente que quem nunca teve essa iniciativa não vai desenvolvê-la do dia pra noite, só porque leu esse texto ou está a fim de ceder às próprias vontades. Mas a gente precisa apreciar a nossa companhia. Descobrir o que somos, do que gostamos, como reagimos, nos amar de verdade. A partir daí, outras pessoas se sentirão atraídas e passarão a reivindicar o privilégio de nos acompanhar onde quer que estejamos. E aí teremos a prerrogativa de aceitar ou não.

Pra chegar nesse ponto, no entanto, a gente precisa saber viver bem sozinha. Depois disso passaremos a escolher melhor nossas companhias e perceberemos que nem tudo ou todo mundo nos faz bem – e isso não é demérito pra ninguém, ok? Quando aprendermos a estar bem sozinhas, passaremos a não mais aceitar certos tratamentos, determinados comportamentos para conosco. Tudo isso por que nos reconheceremos boas o suficiente para sermos bem tratadas e independentes o suficiente para mandar embora quem não quer agregar.

É um processo, você já deve ter percebido. E o primeiro passo pra chegarmos nesse nível é começar. Que tal hoje?

As fotos foram tiradas pela fotógrafa Claudia Cardozo, da Buenas Imagens. O look é acervo pessoal da Moça Criada.

Sobre ser de si, ainda que você não seja a mesma

Seja sua. Se pertença. Se olhe no espelho, identifique suas necessidades e corra atrás disso. Ainda que você se surpreenda com o que encontrará, se esforce, um pouquinho que seja, para se respeitar. Apesar das expectativas, do que você acreditava que gostaria, deveria ou aconteceria, empodere-se.

E aqui estendo a ideia de empoderamento não só ao aspecto do cabelo ou de ocupar espaços que não estávamos acostumadas. Se empodere ao ponto de tomar decisões que respeitem seus sentimentos. Falo de honestidade mesmo.

Dia desses conversava com uma amiga sobre as duas Estelas que tenho dentro de mim: a de antes da transição capilar e aquela que surgiu depois da decisão de não mais alisar o cabelo. Passei vinte e um anos acreditando ser uma pessoa que tinha determinados gostos e alimentava alguns comportamentos. Um ano e meio depois, me surpreendem minha reação a situações adversas, o que passei a valorizar e ao que não quero me submeter.

E a surpresa é tanta que eu ainda hesito. Será mesmo que eu quero isso? E se eu me arrepender depois? Ah, mas agora que eu posso ter o que sempre quis, simplesmente não consigo avançar?! E que coisa estranha é estar em paz sozinha e focada nos meus objetivos! Quando foi que me tornei assim?

Naturalmente, as mudanças acontecem dentro da gente e só nos damos conta quando passamos por situações que nos fazem revisitar essas certezas. Escrevo esse texto consciente de que estou atravessando essa fase do pertencimento e aprendendo a respeitá-la. Afinal de contas, não faz mal passar por metamorfoses ao longo da vida. É sinal de que agregamos novas ideias à nossa realidade, ainda que mais à frente essas alternativas não se confirmem como tão boas assim.

Se pertença. Respeite seu momento e aja conforme a sua vontade – que talvez esteja disfarçada de intuição, por que não? E nossas intuições nunca falham. Se mais adiante o arrependimento bater, a saudade apertar ou a cara você quebrar, aceite a condição. Reúna os caquinhos e devolva pra si com uma nova lição aprendida, além da certeza de que só você é capaz de se reerguer, se reconstruir e seguir em frente.

Você é sua. Seja.

As fotos foram tiradas pela fotógrafa Claudia Cardozo, da Buenas Imagens. As peças são acervo pessoal.