Sobre o ‘ser boa’, mas ainda não ser capaz de reconhecer quando for

Sobre o ‘ser boa’, mas ainda não ser capaz de reconhecer quando for

O “ser boa” é um negócio muito relativo. Depende dos parâmetros que adotamos, das referências que temos e até das pessoas com as quais nos comparamos.

O “mood” do dia também interfere.
Às vezes estamos tão bem com nós mesmas que somos capazes de reconhecer nossas potencialidades ali… tinindo e realizando coisas que consideramos in-crí-veis. Noutras vezes nos sentimos pior do que a bosta do cavalo do bandido e não tem título acadêmico, pesquisa reconhecida, prêmio profissional, oportunidade de trabalho, nem mesmo post mais lido do Google que faça com que nos sintamos competentes e capazes de conquistar o mundo.

O “ser boa” depende de muita coisa dessa que falei, mas também é resultado da forma como tratamos a nós mesmas. Não que devamos passar a mão por nossas próprias cabeças ou nos contentar com qualquer biscoito que nos deem porque fizemos o trivial.

Querer ir além é bom. Cruzar a linha do mediano anima. 

Mas também não faz mal estar ali na média, onde todo mundo está e todo mundo demonstra uma certa tranquilidade. Sem o peso de ser a melhor, a gente ainda tem companhia pra compartilhar as risadas e as dores que o caminho porventura impuser.

A cobrança vinda de nós mesmas impulsiona, mas aprisiona tanto quanto. “Não pode decepcionar”, “não pode fazer errado”, “não pode ser menos do que excelente”, “não pode”, “não pode”, “não pode”. 

Mas por que não, cara pálida? 

Muitas vezes já somos boas demais e não nos permitimos ver, porque absolutamente nada é suficiente pra nós mesmas. Usamos o outro como parâmetro, fingimos que é “por ele” que queremos ser mais do que já somos, entramos numa de corrida contra o tempo pra chegar num destino que quanto mais nos aproximamos, mais se distancia.

Tudo isso a troco de quê? 

Tento encontrar uma resposta pra isso. Enquanto uma parte de mim luta pra estar sempre à frente e se cobra por não considerar suficiente o meu lugar, a outra parte se orgulha de toda trajetória traçada até aqui. E até tranquiliza aquela ala mais exigente sobre a beleza da história que estamos construindo.

Mas, além de rigorosa, aquela danada é teimosa…

Quem sabe um dia?! 


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