Sobre À La Garçonne, Riachuelo e coronavírus

Sobre À La Garçonne, Riachuelo e coronavírus

A pandemia do novo coronavírus que estamos passando é séria. Todos os continentes do mundo registram a infecção, exceto a Antártida; são mais de 195 mil casos confirmados e mais de 7,8 mil mortes, segundo dados da Universidade John Hopkins publicados na BBC. No Brasil, a corrida é para conter o pico de contaminação, de modo que não seja necessário instituir quarentena obrigatória para tentar controlar os casos de covid-19.

Enquanto À La Garçonne mudou o formato do desfile apresentado no último sábado (14), a Riachuelo tem convocado ao trabalho os funcionários que foram expostos ao vírus. Se, por um lado, a marca de Fábio Souza filmou e fotografou seus modelos no mesmo local escolhido para o desfile, disponibilizando o material nas redes sociais, para evitar a aglomeração de pessoas, a Riachuelo mandou funcionários para a Europa em meio à pandemia.

O caso foi exposto no perfil no Twitter do jornalista Eduardo Viveiros e organizado em reportagem no The Intercept Brasil. O perfil da Riachuelo na mesma rede social reagiu à exposição, dizendo que a saúde dos colaboradores é a prioridade; tem seguido recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde; criou comitês internos e adotou medidas preventivas, como home office, disponibilização de álcool em gel e reforço de rotinas de limpeza e higienização.

Não dá pra gente saber se, de fato, as medidas que a empresa de varejo alega ter implementado estão funcionando. Mas é só olhar ao redor e perceber quão difícil é respeitar a gripe, o resfriado e até mesmo a crise alérgica de qualquer profissional. Em nome de uma “saúde da empresa” o funcionário é obrigado, porque se não cumprir é retaliado, a fazer girar a engrenagem do capitalismo independentemente das suas condições de saúde.

O que vivemos hoje é ainda mais sério. As autoridades de saúde dizem que o novo coronavírus funcional tal qual uma gripe. E deve ser. Mas pesam seu elevado potencial de propagabilidade e as consequências que pode trazer para o organismo humano – seja levando à morte ou deixando sequelas para o sistema cardiorrespiratório.

Não dá pra minimizar, hoje, a pandemia de coronavírus. Não é alarde, nem mesmo terror, é realidade: um vírus tem atravessado fronteiras, mostrado o quanto somos parte de um todo e escancarado em nossos rostos a necessidade de repensar algumas atitudes.

Tanto para o bem quanto para o mal, o que fazemos individualmente reverbera no coletivo. Do microambiente, que é nossa família ou nossos colegas de trabalho, ao macro – nosso bairro, nossa cidade, nosso estado, nosso país. Sair de casa hoje, sem qualquer urgência, é se expor e expor a todos com quem nos relacionamos.

E é possível a adaptação a essa nova realidade. À La Garçonne deu uma aula de como simples soluções podem trazer grandes resultados, só em esvaziar o espaço e oferecer online o que todos iriam buscar num ambiente fechado e expostos a um vírus que apareceu pela primeira vez na pequena cidade chinesa de Wuhan e que já matou quase 8 mil pessoas em todo o mundo.

A gente precisa rever as formas como nos relacionamos. Essa pandemia de coronavírus nos convoca a repensar nossas relações individuais, pessoais e de trabalho. Vale à pena expor toda uma comunidade, seja pequena ou ampla, em prol da “saúde da empresa”? Será mesmo que não existem formas de adequar a rotina de trabalho à realidade, temporária, que estamos vivendo?

É bom a gente pensar isso desde já. As coisas não vão ser como antes, uma vez superada a pandemia de coronavírus.

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