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Saiba quais peças curingas não podem faltar no seu armário

Quantas peças de roupa você tem no seu armário? Já parou pra pensar se o que você comprou, ou costuma comprar, é adequado para as diversas ocasiões que você certamente será demandada? Chega um momento da vida que passamos a ocupar diferentes ambientes. Não é só lazer, mas também faculdade, trabalho, cerimônias, celebrações. De que adianta ter um armário abarrotado de peças que não te servirão tanto?

Já faz algum tempo que o assunto entrou na pauta da sociedade. Comprar por comprar, só porque está em promoção ou porque é bonitinho, não dá mais certo. Principalmente depois do desabamento do Rana Plaza, em Bangladesh, que deixou pelo menos 377 pessoas mortas, em 2013. Ali funcionavam fábricas de uma empresa do ramo têxtil, e o acidente chamou à reflexão para o processo de produção do que vestimos – inclusive, foi por causa desse triste episódio que surgiu o movimento Fashion Revolution. O debate foi ampliado, das condições de trabalho até o impacto ambiental causado pela produção e descarte massivo de roupas. Pensar um armário mais inteligente, com peças curingas que se adequem a uma multiplicidade de ocasiões, passou a ocupar mais espaço nas rodas de conversa.

“É este tipo de consciência que precisamos aplicar quando falamos de sustentabilidade. É todo o processo, do solo que recebe os plantios de algodão, por exemplo, que não deve ser poluído, a toda cadeia de profissionais que trabalham no processo que precisam e merecem condições justas de trabalho e remuneração, ao cuidado que se tem com cada peça que se compra ao usar, lavar, passar para que isso não se torne lixo; e até no descarte, sendo ele doação ou não. Enquanto o pensamento for de consumismo, a sustentabilidade é apenas utopia e marketing”, explica a consultora de imagem Kelly Serrano.

E o caso é sério. Dados disponibilizados na publicação ‘O Livro da Moda‘, da editora britânica Dorling Kindersley e editado pela PubliFolha em 2014, mostram que o guarda-roupa atual é até três vezes maior do que nos anos 1950; 80 bilhões de roupas são fabricadas a cada ano. Em contrapartida, usamos apenas 20% do nosso guarda-roupa em 80% do tempo. Então por que ter tanto? Os armários-cápsula, que contêm poucas peças e agregam muita versatilidade, surgem nesse contexto pra mostrar que dá pra viver bem, sem restrições.

“O perigo de um armário muito enxuto não são as composições ficarem sem graça, afinal, ele é pensado em uma cartela de cores e com acessórios que potencializam a identidade da pessoa que o possui. A questão é a manutenção, onde a pessoa vive, como lava, seca e passa suas roupas. Ter um casaco para um inverno inteiro, em uma semana de frio rigoroso, e este molha ou suja e você não tem como lavar e secar de um dia para o outro é uma grande dor de cabeça”, pondera Kelly.

Como montar um armário com peças curingas?

A consultora de imagem Kelly Serrano explica que o formato de armário-cápsula funciona bem em períodos de transição decorrentes de mudanças físicas, como alguém que emagreceu ou engordou e não tem mais roupas que sirvam. Mas para montar esse armário inteligente também é primordial que você esteja atenta ao seu estilo de vida. Então, assim, considere sua realidade e pense nas necessidades que surgem dela.

“Tem peças que transitam facilmente de um momento para o outro, de uma ocasião para outra, e ter essas peças é ter os curingas na manga para fazer muitos jogos ao se vestir. Muitas mulheres que atendo não têm saia. Sempre indico uma saia midi, de corte impecável, bem forradas, para qualquer eventualidade – de convidada a casamento ao happy hour”, diz Kelly.

A calça de alfaiataria é um curinga: vai do ambiente mais clássico à balada, depende só das peças que você escolher para coordenar a composição. (Fotos: Tiago Caldas/ Moça Criada)

Calças são um clássico nesse aspecto, e não só jeans. Já existem diferentes cortes de calça de alfaiataria, cuja escolha pode ser mais flexível, dependendo da sua rotina e da sua personalidade; uma calça legging ou jogger pode trazer o conforto necessário para ir ao cinema, fazer alguma viagem ou curtir algum momento relax sem estar desarrumada.

“Até um tempo atrás o jeans foi tido como essa peça versátil que saiu de um tecido que era resistente para trabalhos pesados para ocupar nosso armário e nos acompanhar em muitas ocasiões, até algumas mais arrumadas. Hoje vejo que essa ideia saiu do jeans e se expandiu para todas. Uma peça é só uma peça, o que você usar com ela é que, no conjunto, comunicará a mensagem final. Hoje vejo muito mais a calça de alfaiataria, a antiga calça social, que era só usada para trabalhar, sendo usada com tênis, camiseta e acessórios poderosos, da noite ao cineminha”, acrescenta Kelly.

Outras peças curingas do seu armário são vestido ou macacão, que podem ser uma opção nos dias de pressa; camisetas compõem looks descontraídos e estilosos; além da terceira peça, que passa a credibilidade que você precisar para uma dada ocasião. Neste caso, você tem como opções blazer, casaqueto ou colete. O truque é que seja num material nobre e com um corte bacana, de acordo com a especialista.

O vestido é tão curinga que, além dessa função própria, ele pode cumprir o papel de blusa ou saia. Três peças em uma! (Foto: Tiago Caldas/ Moça Criada)

“A roupa tem que nos fazer sentir seguras e não estranhas ou desconfortáveis fisicamente ou visualmente”, acrescenta.

Em ‘O Livro da Moda’, há dicas semelhantes às que foram dadas por Kelly Serrano. Mas a inspiração, por outro lado, vem do armário das francesas. Essa lógica é baseada em dez peças principais para o verão e para o inverno. A partir delas se consegue fazer até 30 composições diferentes. As peças essenciais são: 2 calças jeans (ou uma jeans e uma de alfaiataria); 1 saia ou short; 4 blusas que combinem com as calças, saia e short; 1 cardigã ou suéter; 1 jaqueta; e 1 vestido.

Tudo isso dentro de uma cartela de cores que seja de sua preferência, de modo que as peças combinem entre si. Por outro lado, sapatos, acessórios e casacos são elementos extras. Segundo Kelly, na conta dos acessórios entra tudo: bolsa, óculos de grau ou de sol, até mesmo guarda-chuva – não apenas os brincos e colares, como tendemos a pensar. “Eles são os protagonistas de qualquer roupa”, afirma. Importante que, na hora da escolha, os acessórios coordenem com o que você já possui em casa e, principalmente, te deixe confortável.

Saia ou short são um dos itens do armário inteligente das francesas. Cuidado ao escolher as blusas com as quais combiná-los. Listras são um clássico. (Foto: Tiago Caldas/ Moça Criada)
Acessórios, roupas, paletas de cores: tudo depende do seu estilo de vida e da sua personalidade. (Foto: Tiago Caldas/ Moça Criada)

“Para acessórios, roupas ou look, o importante é, da mais básica à mais exuberante, se respeitar. Experimentar novidades, misturar, mas respeitar a sensação de se sentir segura diante do espelho. Nada pior do que sair e achar que todo mundo está te olhando e te julgando mal por conta das escolhas que fez”, finaliza a consultora.

quem é Teté

Curiosa, jornalista e libriana. Mestranda no PósCom/Ufba, interessada nos valores - os meus, os seus, os de notícia e os humanos. Se piscar o olho, o cochilo vem, mas os olhos sempre estão abertos para uma série ou outra que desperte o interesse.

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