Trabalho com propósito: Você certamente já pensou em mudar de carreira

Trabalho com propósito: Você certamente já pensou em mudar de carreira

De uns tempos pra cá, é difícil não ver alguém falando sobre propósito em algum canto dessa imensidão que é a internet. Nossa existência precisa ter uma utilidade e significado capazes de impactar no nosso entorno.

Uma dessas inquietações tem a ver com a carreira que escolhemos. A pesquisa Re:Trabalho, feita pela Tera e a Scoop&Co, com apoio de Época Negócios e divulgada em fevereiro deste ano, aponta que 70% dos entrevistados querem uma carreira mais alinhada a seus interesses e propósitos de vida. Por outro lado, 63% já mudaram de carreira e 48% consideram a possibilidade dentro de um ano.

É muita gente disposta a deixar uma contribuição significativa para o mundo. E isso acontece por vários motivos. Vários mesmo.

Por que pensar em propósito

A neurocientista e coach Cecília Barreto explica que uma noção mais abstrata norteia todas as razões de ordem prática. A evolução social em termos de consciência do que fazemos com nosso tempo tem estimulado a busca por um trabalho alinhado ao propósito.

A partir de então, segue o aumento da expectativa de vida, que nos dá mais tempo para refletir sobre que trabalho queremos desenvolver ao longo da vida. Além disso, a economia voltada para a informação é outra explicação, informação chega para mais pessoas, é possível aprender sobre tudo e isso aumenta as possibilidades de escolha.

“Outra questão é sobre as liberdades individuais. Antes o julgamento das escolhas de cada um, o que isso fazia com sua reputação e tudo mais, era muito mais problemático do que hoje em dia. Cada um é muito mais dono de si. Claro que ainda existem inseguranças voltadas para aprovação social, mas muito menos”, acrescenta.

Como identificar a carreira ideal

Em um bate-papo com o blog, Cecília Barreto fala em “autoconhecimento profissional” para que se comece a pensar em transição de carreira. Não é algo que aprendemos em idade escolar ou na faculdade, por exemplo, e isso impacta bastante na nossa relação com o trabalho.

Esse saber diz respeito às seguintes perguntas:

  • O que você gosta?
  • O que você faz bem?
  • O que você prioriza na sua vida?

A partir desse ponto de partida, é preciso entender quais oportunidades estão disponíveis no mercado que pagam por essa escolha que fizermos. É simples, mas exige um tanto de organização.

“O planejamento ajuda muito, porque quando a gente planeja, a gente faz as pazes com o futuro, aumenta o nosso nível de previsibilidade. Isso acalma um pouquinho o nosso cérebro e permite que a gente direcione nosso esforço”, explica Cecília.

Mas isso não quer dizer que vai necessariamente ser um momento tranquilo. De acordo com a neurocientista, é preciso ter alguma quantidade de nervosismo para nos impulsionar a tomar atitudes que são importantes para o projeto. Esse “nervosismo na medida correta” é explicado pela teoria do flow.

Essa teoria foi desenvolvida pelo psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi e diz que existe um estado mental de felicidade plena e concentração total que ignora qualquer outro estímulo. Ou seja, é um estado de fluidez total que equilibra o desafio e a habilidade para executar uma tarefa.

Em um TED de 2004, o pesquisador apresenta sete condições para esse estado:

  • Estar completamente envolvido no que está fazendo;
  • O senso de êxtase, de estar fora da sua realidade cotidiana;
  • Clareza quanto ao que precisa ser feito e como pode ser bem feito;
  • Saber que a atividade é factível, ou seja, suas habilidades são adequadas para a tarefa;
  • Senso de serenidade, sem preocupações sobre si mesmo e a sensação de crescer além dos limites do ego;
  • Foco no presente, de modo que as horas parecem ter durado minutos;
  • Motivação própria, independentemente do que produza a fluidez, isso se torna sua própria recompensa.

O consultor em gamificação Marcel Leal resume em três as condições para alcançarmos o estado de flow. Primeiramente, as atividades que estamos envolvidas precisam ter objetivos claros e nos dar um meio de identificar nosso progresso. Em segundo lugar, o feedback precisa ser imediato, uma vez que o foco está no presente. Por fim, as habilidades necessárias para realizar essa atividade e a dificuldade do desafio proposto precisar estar em perfeito equilíbrio.

“Vai da sensibilidade de cada pessoa estimular o nervosismo na medida certa e aliviar o nervosismo quando ele estiver incomodando a gente”, acrescenta Cecília.

Quando fazer a transição de carreira?

O momento certo para fazer a transição de carreira depende de uma única coisa: você. Não tem momento certo, embora os cenários de economia crescente e de variedade de oportunidades sejam ideais. Mas, por exemplo, se você for demitida ou se a empresa onde você trabalha não estiver indo bem, a vida te convoca a fazer essas mudanças.

E isso inclui momentos de crise, de acordo com a neurocientista e coach Cecília Barreto.

“A crise pode, sim, funcionar pra trazer emoções à tona, fazer a gente superar algumas barreiras emocionais. Pra algumas pessoas, a própria crise é como se você fosse jogada do precipício, tipo ‘Olha, agora vai!’. Óbvio que em um cenário próspero qualquer transição é mais fácil. Mas a gente não pode ficar esperando esse momento ideal, das circunstâncias externas, do fator econômico. Além disso, aquele clichê de que muitas oportunidades estão escondidas na crise… Estão mesmo”.

Cecília Barreto, neurocientista e coach

Independentemente do momento que você escolha, uma coisa é fundamental: planejamento financeiro. Então, é necessário guardar dinheiro que seja suficiente pra te sustentar nesse período de transição mesmo. É o que Cecília chama de “fôlego financeiro”. Saber quanto você precisa juntar vai depender de mais alguns fatores:

  • Seu próximo trabalho vai te dar rendimento mais rápido ou vai demorar?
  • Você tem família que depende de você?
  • Quanto custa seu estilo de vida?

O cálculo é individual, não tem jeito. Pra tudo, afinal.


Você acha que o planejamento financeiro é o mais desafiador nesse processo de transição de carreira? Então esse conteúdo é pra você: Como administrar seu dinheiro no cenário pós-crise?!

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