O macaco, o peixe e nós mesmas

O macaco, o peixe e nós mesmas

Parece que quando a gente sintoniza uma vibração o mundo inteiro conspira para que aquilo se realize. Passei a minha virada de ano discutindo sobre se colocar no lugar do outro, matutei a situação esses dias todos para transformá-la em texto aqui no blog, até que, de repente, fui apresentada à história do macaco e de peixe. Era algo tipo o macaco viu o peixe dentro d’Água e pensou que ele estivesse se afogando, logo, o tirou de lá. O peixe acabou morrendo. Moral da história: a gente precisa conhecer o mundo do outro para entender o que ele passa. Isso tem alguma coisa a ver com a gente?

Processed with VSCO with c1 preset

Essa resposta eu vou deixar pra daqui a pouco, quem sabe até não construímos uma juntas ao longo dessas, como diz Erasmo, más traçadas linhas. Antes, lembra daquela sua amiga negra que questionou por que os homens olhavam menos pra ela do que pra aquela outra amiga loira dos traços mais finos, e você chegou a dizer – ou até mesmo pensar – que era impressão dela? E daquela sua colega de trabalho que se sente desmotivada com o que faz e você insiste em lhe dar inúmeras alternativas para que ela recupere o ânimo, quando na verdade nem umazinha sequer foi seguida? Tem também aquele seu amigo do candomblé que sentiu a galera mais distante depois que ele revelou sua fé, sem que ninguém lhe falasse nada. Lembra?

Processed with VSCO with c1 preset

Nestes casos e em tantos outros, que minha vivência não é capaz de abordar aqui, faltou só um trocinho para as coisas caminharem de modo a manter o bem estar entre todos: se colocar no lugar do outro. Mas esse exercício de sair da nossa zona de conforto e tentar entender o contexto daquela pessoa a partir do seu lugar de fala é um tantinho trabalhoso, né não? Obriga a gente a reconhecer muitas vezes algo a que nunca estivemos vulneráveis; nos faz questionar todas as crenças que nos trouxeram até aqui. E isso não é fácil, definitivamente, nem é pra todo mundo. Aqui, por favor, não vejam como uma acusação ou crítica, mas como a constatação de que estamos todos no mesmo processo, porém em diferentes fases desse “realgame” chamado vida.

Processed with VSCO with c1 preset

Na dúvida, a gente reforça nossas certezas diante daqueles que têm as suas próprias baseadas naquilo que vivem ou já viveram. Não é puro mimimi sua amiga achar que os homens não apreciam sua beleza como o fazem com as moças que se encaixam no estereótipo construído ao longo desses anos de colonização, de quando o padrão europeu era idealizado. Use o seu direito de achar, mas que tal tentar o esforço de entender o porquê dessa observação?

Processed with VSCO with c1 preset

A gente também não pode esquecer que as pessoas são diferentes, vêm de mundos diferentes e vivem em realidades distintas. Entendo como deve ser doído apresentar uma solução sem ter depois os louros de quem ajudou a resolver o problema do outro. Por mais que amanhã ou depois a colega siga seu conselho, as coisas precisam caminhar no tempo de cada um e, mais importante, conforme o mundo de cada um. E lá vou dar um spoiler: é tipo a história do peixinho. A gente não pode tirá-lo da água só porque achamos que ele vai se afogar. Apesar de qualquer dificuldade, cada um sabe até onde o braço alcança e quanto peso as costas conseguem suportar. Sabe como é?

Processed with VSCO with c1 preset

E isso se estende à história do seu migo que se encontrou em uma religião tão alvo de olhares tortos e pedras dos justiceiros. Lembram daquele papo de construção sociocultural, daquele padrão europeu que nos foi imposto durante anos de colonização que se perpetuam?! Penso que pode valer à pena se despir da sua bagagem e tentar se colocar no lugar de quem se encontrou nessa religião. Não faz mal. Afinal de contas, a gente nem conhece, por que julgar? Por que reforçar um preconceito, perder uma boa amizade e ainda se manter na ignorância, esta alimentada apenas por ignorantes?

Processed with VSCO with c1 preset

A gente precisa reconhecer o lugar de fala do outro quando ele se encarrega de contar sua própria experiência de mundo. Não é porque aquela realidade é diferente da nossa que ela é melhor ou pior, não. Ela é apenas diferente da nossa. E não há mal nisso. Esse é um jogo em que não há vencedores ou perdedores, mas aqueles que assumem sua ignorância e respeitam o lugar de fala do outro já podem cantar uma vitória. O prêmio é coletivo. Ganham você, seu amigo, o ciclo social que percebe esse comportamento capaz de gerar questionamentos e mudanças; ganha ainda a sociedade, porque de grupinho em grupinho a gente alcança todo mundo. E todo mundo passa a respeitar o lugar do outro aqui.

Processed with VSCO with c1 preset

Vamos arcar com a responsabilidade de não tomar nossa realidade, enquanto macacos, como sendo a de todos, tipo o que acontece com o peixe daquela historinha? 😘

*~~~*~~~*~~~*~~~*~~~*~~~*~~~*~~~*

Essa é a primeira das três propostas de looks que montei com essa t-shirt oversized verde oliva, à venda nas Lojas Riachuelo. Hoje apostei em uma pegada mais séria sem perder a diversão, podendo bancá-la para uma sexta de trabalho com promessa de happy hour. Os cliques são de Cláudia Cardozo, da Buenas Imagens, com apoio de Ângelo Rosário.

Processed with VSCO with c1 preset

A calça pantacourt foi um achado de R$ 149,90 por R$ 49,90 lá nas Lojas Renner; os óculos também são de lá. A sandália é Zaxy e a bolsa é da Riachuelo também. Na beleza: batom Natura cor boca 60, BB Cream, corretivo laranja da Quem Disse, Berenice?, lápis Vult marrom na sobrancelha e máscara de cílios Quem Disse, Berenice? também.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *