O lançamento da Ginger, marca de moda de Marina Ruy Barbosa

O lançamento da Ginger, marca de moda de Marina Ruy Barbosa

Nos últimos dias, a atriz Marina Ruy Barbosa virou notícia por ir à feira. Com traje e meias laranjas, tênis branco, cabelo em coque, maquiagem neutra e bolsas de algodão cru, no maior símbolo de sustentabilidade, a estrela do global decidiu fazer o que qualquer cidadão comum faz: foi à feira para “comprar” aquilo que mais lhe apetece, afinal.

Cheguei a fazer uma série de Stories explicando o porquê de uma atitude tão simples como essa ter virado notícia. Poder social, ainda que simbólico, ajuda a entender a dinâmica da imprensa que registra como “UAU!” aquilo que celebridades fazem, mas que nós, cidadãos do cotidiano, fazemos frequentemente sem alarde nenhum. Pelo contrário, com toda a maestria de quem já até se cansou de tanto.

Calhou que o “EXTRA, EXTRA!” de Marina Ruy Barbosa numa feira livre era, de fato, uma jogada de marketing. Levantei a possibilidade na série de Stories que fiz no Instagram, e me tranquilizo porque o anúncio do lançamento da Ginger, marca de Marina Ruy Barbosa, não invalida em nada as explicações que fiz.

Inclusive, reforçam. A atriz queridinha da Globo e da imprensa de celebridades brasileira usou a lógica do nosso próprio campo para promover um dos seus projetos.

Quanto mais poder, mais espaço na imprensa

A ida de Marina Ruy Barbosa à feira virar notícia carrega consigo algumas características. É o que no estudo de noticiabilidade chamamos de valores-notícia, que são os atributos daquele objeto de realidade. No nosso caso, o fato de Marina Ruy simplesmente ir à feira.

Mas aí você pergunta: ir à feira todo mundo vai. O que esse objeto tem de tão especial?

O mesmo de quando Caetano Veloso estacionou o carro no Leblon: o poder social de quem é o autor da ação. E a imprensa, independentemente de qual segmento, funciona sob essa lógica. Quanto mais poder possui o indivíduo, mais espaço ele conquista.

É assim com figuras políticas. É assim com figuras do esporte. Não seria diferente com o jornalismo de celebridades.

Marina Ruy Barbosa é “especial” nesse sentido. Um dos principais rostos da Globo, socialmente representa o que há de mais correto numa sociedade moralista como a nossa. Não se envolve em escândalo, é profissional competente, é esposa exemplar, alia a delicadeza que se busca na mulher à atitude que os movimentos sociais reivindicam como de direito nosso.

Mas de maneira comedida, obviamente. Embora não radical, suscita aquilo que muitas mulheres construíram como o equilíbrio ideal em meio a tantos estímulos e cobranças.

E por isso mesmo Marina Ruy engaja. As redes sociais ficam em polvorosa quando a atriz faz alguma coisa: casando, “mexendo” nos intocáveis cabelos ruivos, sendo o centro de algum suposto escândalo matrimonial. Até mesmo quando administrou de maneira considerada inteligente as investidas de um profissional da imprensa sobre si diante de comentários de colegas.

Marina Ruy tem, afinal, um capital de poucos. E que ainda agrega o casamento com um dos principais herdeiros da família tradicional em São Paulo. E os contratos publicitários com marcas poderosas no mercado. E os papéis relevantes que conquista nos folhetins globais.

Os atributos da ida à feira

Não sendo qualquer pessoa, o que Marina Ruy Barbosa faz tem peso. Ela por si só já é notícia, numa sociedade que valoriza o poder: ainda que simbólico, o reconhecimento social por algum motivo.

A gente quer ser importante. Isso por si só explica a base do jornalismo de celebridades, uma vez que, além de nos interessarmos por poder, nos interessamos também por pessoas. Gente. Vida dos outros mesmo.

Some a isso quando as situações fogem do esperado, que é esse ator social com tanto capital sair do lugar de intocável e se forjar “gente como a gente” que de algum modo ele é. Seja estacionando o carro, seja indo à feira.

Há uma quebra de expectativa aos padrões convencionais, que nos ensinaram algo sobre pessoas com poder social: de que elas terceirizariam as atividades do cotidiano. Quem dirige é um motorista, quem vai às compras do mês é a empregada doméstica – isso quando não chegam por delivery. Mais um valor-notícia, então: o inesperado, a surpresa.

Se eu contasse, ninguém acreditaria. Marina Ruy Barbosa numa feira? Ata. Que novidade!

O marketing do lançamento da Ginger

O marketing de lançamento da Ginger, certamente, levou toda essa lógica em consideração. Não consigo afirmar que a revista Quem, veículo especializado em celebridades (“quem acontece”), fazia parte contratualmente da estratégia, mas o produto jornalístico noticiou a ida de Marina Ruy Barbosa à feira sob diferentes ângulos.

A própria atriz fez graça dessa publicação em seu Instagram, tal qual a cartilha de qualquer lançamento. Um teaser bem fora da caixinha, eu diria, e com pleno conhecimento do seu mercado. Se a imprensa especializada em celebridades não sabia do lançamento de Marina, bom, que certeiro esse time de marketing!

Imagem: Reprodução/ Instagram

E alguns elementos garantem a construção da marca.

Não sou nenhuma especialista em branding, mas as andanças que faço no marketing digital me ajudam a identificar alguns elementos:

  • as peças usadas na tal ida à feira aparecem mais de uma vez na divulgação do novo projeto de Marina Ruy;
  • o laranja, no tom próximo ao ruivo dos seus cabelos, é o fio condutor da imagem da marca;
  • as ecobags são o elemento de sustentabilidade que refletem o princípio da Ginger.

E está, inclusive, na bio do Instagram: “Style. Sustainability. Art.” (“Estilo. Sustentabilidade. Arte”., em tradução do inglês). O estilo de Marina Ruy Barbosa, que sempre chamou a atenção em sua carreira artística; a arte, de sua origem; a sustentabilidade, o valor central da nova geração, em conformidade com os princípios que devem reger os novos consumidores e a forma de desenvolver negócios em moda.

Um marketing muito bem feito, afinal de contas.


Marina Ruy Barbosa é um dos ícones de moda do país. Relembre aqui como foi sua curta, mas marcante, aparição no Carnaval deste ano.

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