Morar sozinha: Quanto tempo leva para encontrar os motivos certos?

Morar sozinha: Quanto tempo leva para encontrar os motivos certos?

Zapeando pela internet é possível encontrar muitos, muitos conteúdos sobre “Como morar sozinha”. Se esse é seu desejo, é dessa forma que você vai encontrar planilhas de custos e organização de despesas, qual a conta financeira padrão indicada para quem quer pagar as próprias contas e dicas, muitas dicas, sobre o que comprar, como comprar.

Como pintar sua própria parede?” Tem. “Como escolher o melhor jogo de panela?” Tem. “O que ninguém te conta sobre morar sozinha?” Tem também, mas só perrengue clássico e que, mesmo lendo e vendo antes, você vai viver também – e isso é ótimo.

O que eu não achei nas minhas pesquisas foi muito mais pessoal e problemático na minha vivência – e pode ser para você também. Afinal, “por que uma mulher de 25 anos escolheria morar sozinha, se ela não vai se mudar de cidade e nem casar?”.

Oi! Meu nome é Aymée, e vou contar para vocês um pouco da minha história e experiência de um ano que passei a morar sozinha… Porque eu quis.

Do começo

Quando eu tinha seis anos o meu pai faleceu. Minha mãe tinha 36 anos e, desde então, iniciou a sua cruzada espetacular pela minha boa criação. Eu tive o melhor exemplo do mundo de mulher forte, batalhadora, independente e protetora – dentro de casa. Hoje sei que tenho a melhor, mas confesso que na adolescência isso era um fardo que eu dizia aos quatro ventos que não queria carregar. Que culpa tinha eu?

Mal sabia que já era a minha personalidade forte, batalhadora, independente e protetora se manifestando de forma tão ativa quanto tinha aprendido inconscientemente com minha mãe. Cresci uma menina sonhadora, ambiciosa e forte – não como uma rocha, mas talvez um tronco de carvalho novo.

Adiantando a história, eu sonhava em morar sozinha desde muito cedo. Primeiro, pelos motivos errados. Depois, por motivos honestos. Hoje, me sinto realizada pelos motivos que entendo serem os certos. Vou explicar um pouco eles para vocês.

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Motivos Errados

Como uma boa adolescente branca, cis, hétero e de classe média, eu tinha muitas vontades. Minha mãe nunca foi boa em atender todas elas, mas cheguei lá algumas vezes com uma certa capacidade de comunicação e persuasão que acredito ser de nascença. O problema era que eu queria todas as vontades na minha mesa, é claro.

Se eu não conseguia, era quando a vontade de ser independente surgia à mente. Eu ouvia “quando você tiver sua independência, faz o que você quiser” e entendia “preciso fazer algo que me traga independência”. Urgente.

Vendia produtos da Avon e panfletava para ter qualquer dinheirinho e dizer “eu só preciso da sua autorização e não do dinheiro”. Esse sempre foi meu único gatilho de orgulho, muito ruim, eu sei.

Motivos Honestos

Já formada, comecei a passar por uma eterna fase (três anos) de inquietude. Me formei em Jornalismo aos 22 anos. Já trabalhava há um tempo, ganhava meu dinheiro, mas nem com muito esforço seria suficiente para eu conseguir meu objetivo de sair de casa, morar sozinha e não mudar radicalmente meu comportamento de consumo e qualidade de vida.

Pouco ambiciosa, né?

Entenda que, quando a gente vai crescendo, se você tem um senso forte de independência, vai começar a enxergar que aquele espaço onde você está não é seu. Não foi conquistado por você, não reflete a sua personalidade ou vontade.

No meu caso, não refletia nem como eu gostaria de estar me alimentando ou acordando. Meu senso de independência foi ficando tão forte que adquiri naquele momento um respeito pela independência e força que minha mãe criou em si desde muito nova.

Entendi perfeitamente a frase que ela repetia na minha adolescência, mesmo que ela não quisesse dizer isso tudo. Entendi que eu não tinha o direito de querer me meter na rotina daquela casa, porque uma mulher que eu amava mais do que tudo na vida batalhou muito para chegar ali e ter o que era dela. Eu passei a querer iniciar o caminho do que seria meu também.

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Motivos Certos

Então, obstinada, consegui me mudar em 9 de junho de 2019. Foi um dia estranho. Apesar de ter me criado para isso, minha mãe estava, como toda mãe estaria, muito magoada e incrédula. Ela não entendia por que essa necessidade de sair de casa para “me mostrar” independente.

Se eu não estava indo casar, morar com meu namorado ou mudando de cidade, por que deixar o leito materno?

Ouvi essa pergunta tantas vezes, de tantas pessoas, que comecei a me sentir um objeto de estudo. Cansei de responder, de mostrar que eu tinha conseguido a minha conquista. Estava tão feliz, tão triste. Não era tão óbvio que, em pleno século XXI, eu iria escutar isso ao querer tocar as rédias do meu destino. Não consegui enxergar isso antes de acontecer. Parecia tão absurdo…

Nossa sociedade está em mudança, percebi. Mas é gradual, tive que aceitar. Nem a locadora do apartamento que moro deixou de perguntar: “Mas você vem sozinha?”.

Nunca saiu da minha cabeça. Então toda vez que alguém me perguntava isso, eu passei a devolver: “Qual é o verdadeiro problema de uma mulher morar sozinha simplesmente por querer?”.

Como nunca ninguém conseguiu me responder com nada que não fosse ou retórico ou suposição, não vou colocar por aqui. Mas eu vou te contar motivos que eu descobri no decorrer dos últimos 365 dias que tornaram essa escolha uma das mais certas que fiz:

Autoconhecimento

Eu me conheci demais. Em um ano, eu passei por muita coisa comigo mesma. Tive que lidar com minha grave ansiedade, com a luta da preguiça com a força de vontade. Brigar comigo para parar de ser inútil ao passar um fim de semana inteiro vendo uma série perfeita para o guilty pleasure e voltar a brigar comigo para não trabalhar de madrugada, só porque estava com insônia e havia algo a ser finalizado.

Eu aprendi o que eu gosto de verdade em uma rotina que é só minha, caí em todas as armadilhas que nos prometemos quando bolamos uma grande mudança, porque queremos fazer tudo de vez.

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Paciência

Nossa geração Z é muito impaciente. A gente sabe disso, mas ainda assim não luta contra. Nós temos que lutar contra a velocidade com que exigimos que a vida corra. Morar sozinha me fez aprender a ter paciência com meu tempo para cada coisa. Eu não sou uma máquina e, mais importante que isso, eu não quero ser.

Sim, minha mãe estava certa. Cada coisa tem seu tempo e todos os dias eu percebo isso um pouco mais. Me mudar não significa ter a casa perfeita, é uma construção. Uma LONGA construção, e eu tenho que ter paciência comigo para isso não se tornar um fardo.

Felicidade por si

A gente cresce aprendendo a ser feliz por coisas que alguém nos dá ou faz por nós. Presentes e surpresas. Quando nós fazemos, não tem o mesmo gostinho, né? TEM SIM. Se você ainda não aprendeu isso, morar sozinha com certeza vai te trazer o prazer e a felicidade de fazer as coisas por você.

Comprar algo incrível para sua casa, uma comida legal para um dia de vitória, uma planta para provar a si mesma que é capaz não só de cuidar de si, mas de outro ser vivo também. Sinto que as mulheres não foram criadas para saber como sermos felizes sozinhas. Na adolescência minhas amigas me chamavam para ir comprar pão com elas e eu nunca entendi o porquê.

E daí vem o último e melhor aprendizado:

A sua melhor companhia do mundo é você!

E, particularmente, eu te digo: se não for, repense.

Não é que tenha algo errado, mas é importante que seja. Me lembro quando estava solteira e eu dizia: “Tenho medo de namorar porque eu sou boa demais sozinha”. Não falava da boca pra fora, mas tinha mais a ver com relacionamentos do que com a coragem de, de fato, ficar comigo mesma.

Morar sozinha me trouxe a minha própria companhia, como nunca havia trazido. Perceber exatamente o que eu gosto e quais são os famosos “hobbies” que escutamos falar desde cedo. O quanto eu amo deitar na rede, com a casa recém-arrumada, ligar um podcast ou uma música que amo e ver o tempo passar. Definitivamente, essa é uma das minhas atividade preferidas, que me tranquiliza, me faz eu.

Mas é isso. No fim das contas, eu ainda tenho muita coisa para aprender. Às vezes dizem que minhas histórias e trajetória inspiram e por isso eu decidi começar a escrever elas nesse espaço de moças criadas ou em criação. A gente vai se criando juntas.

Oi, meu nome é Aymée e se você quiser saber mais de mim pode me achar no Insta, Twitter, ou no LinkedIn. Mas em nenhum desses lugares vai me achar como estou por aqui! Até mais 🙂

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