#MinhaTransiçãoCapilar O relato de quem decidiu se enrolar

#MinhaTransiçãoCapilar O relato de quem decidiu se enrolar

Conheci uma moça muuito legal quando planejava essa semana da transição pra vocês. Gleiciane Santana tem 23 anos, é estudante de Farmácia e está nesse processo de transição há cerca de um ano, mais ou menos. Nesse período algumas muitas incertezas estiveram presentes, como o medo de perder a feminilidade por causa do BC e o de ser julgada pelas pessoas. Mas isso e como foi a reviravolta é melhor que ela mesma conte, não é?

Aproveitem! ♥

Gleiciane Santana vai contar a história dela pra vocês! :D
Gleiciane Santana vai contar a história dela pra vocês! 😀

“Bem…

Desde que me entendo por gente que aliso a raiz do cabelo com algum tipo de química. Comecei com Amônia – porque sempre gostei de mudar a cor do cabelo e tonalizante sai com mais facilidade – e com tempo comecei a não gostar do cheiro, e pedi para minha mãe mudar para a Guanidina (ah, esqueci de mencionar que minha mãe era cabeleireira, então minha vida inteira foi ela que cuidou do meu cabelo) e como me adaptei muito bem, permaneci com a Guanidina por muitos anos. Não lembro a cronologia exata, mas sei que foi muito tempo. Então, quando fiz 20 anos de idade – hoje tenho 23, quase 24 :3 – decidi que queria enrolar o cabelo, então passei a frequentar o Beleza Natural, que como todas sabem – ou pelo menos a grande maioria -, querendo ou não é um salão que faz o uso de química, e eu permaneci lá durante dois anos e meio. Meu cabelo sempre foi curto e esse tempo que passei no BN meu cabelo cresceu bastante, e isso foi o que fez com que eu sempre quisesse voltar pra lá de três em três meses para relaxar a raiz. Apesar de conseguir enrolar as pontas, ainda não era como eu sonhava, até porque chegava uma fase em que eu dava escova e prancha, porque ficava mais legal, já que a raiz estava relaxada. 

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Até que, em setembro de 2015 – a partir daí, fiquei boa em cronologia, hahaha -, uma amiga minha, a Luara ♥, chegou no meu mundo para revolucionar com tudo. Me sugeriu, só sugeriu, que tentasse a transição e que, se eu não gostasse ou não aguentasse, voltasse atrás, que pelo menos eu tentasse. Marminina, não é que com uns cinco meses – repara que eu não passava de três meses para relaxar a raiz – eu fui mudando meu ponto de vista e a forma de enxergar meu cabelo e a mim mesma?! Eu tava amando ver aqueles cachinhos saindo da minha cabeça e tava a cada dia mais louca pra cortar o cabelo. Ao mesmo tempo, eu sabia que não ia ser fácil enfrentar os olhares na rua, sentia que ia perder o namorado, sentia que não ia conseguir uma oportunidade de estágio – estava à procura há alguns meses – enfim, sentia que tudo iria mudar pra pior no aspecto geral, as coisas à minha volta, mas por dentro eu estava radiante!

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Até que em abril de 2016, com sete meses de transição, eu não aguentei mais esperar e pedi a minha mãe que cortasse meu cabelo, ali, naquele momento! Era o agora ou nunca! E foi agora!! Depois que terminou e eu olhei pro chão pra ver a quantidade de cabelo que havia perdido, veio o choque… [Ah! Esqueci de dizer que durante esses sete meses de transição cortei meu cabelo várias vezes para ir me acostumando com a ideia.] Eu corri pro banheiro e quando me olhei no espelho, chorei… Chorei de soluçar… Me achei feia e menos feminina e todas aqueles incertezas antes do corte só fizeram crescer e ganhar força quando me olhei no espelho naquela hora! Saí do banheiro com os olhos inchados e vermelhos, e meu namorado veio me amparar. Ele foi – e ainda é né ♥ – o melhor namorado da galáxia! Chegou bem perto de mim e disse: “Você não está a pessoa mais linda do mundo, mas vai ficar… Tenha paciência, cuidado e carinho com você mesma e verá o quanto é linda! Eu te amo, e não vou te abandonar!” AAHH, CHOREI MAIS AINDA! Hahahaha Gente, o apoio de quem a gente ama é imprescindível! Logo depois veio minha mãe… Ah, essa eu nem sei como descrever o que ela representa nisso tudo. É ela quem me dá dicas de penteado, de cortes, de cores – como já disse, gosto de pintar o cabelo – de cremes para pentear, para hidratar, para nutrir e reconstruir… Dicas de como ser mulher! OBRIGADA MÃE ♥

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Com o passar do tempo – entre transição, BC e pós BC, que é a fase atual – eu aprendi e tô aprendendo muita, mas muita coisa: como hidratar, como pentear direito, qual maneira que mais gosto de deixar o cabelo, se gosto mais de volume ou definição – DEFINIÇÃO <3 – qual tipo do meu cabelo, que é 3b/c, e pude ver ele crescer. Hoje sou grata a tudo mundo que contribuiu para A MELHOR DECISÃO DA MINHA VIDA, seja de maneira direta ou indireta – me criticando, ou seja, me desafiando a ser melhor, hahaha – pois isso fez com que eu me visse melhor e que aquelas incertezas, que disse no começo, se dissipassem e dessem lugar à certeza de que sou feminina, sim, de cabelo curto, de que sou bonita, sim, de cabelo curto, de que sou mais bonita com o cabelo do jeitinho que ele é e que ninguém é melhor do que ninguém porque decide relaxar o cabelo. Isso tudo é uma questão de escolha e opinião, e a minha escolha foi mudar para me sentir completa!

Hoje, sou completa! <3

Gleiciane, 23 anos, estudante de Farmácia,
e enrolada com a vida ♥”

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