Minha transição capilar em 10 passos

Minha transição capilar em 10 passos

Há exato um ano eu me libertei da chapinha e decidi assumir meus cachos. Fazia quase dez anos que eu não tinha ideia de como era meu cabelo natural, até que quase um ano sem relaxamento fez nascer os primeiros cachinhos e me mostrou como meu fio natural era tão cheio de vida. Cortei meu cabelo em 19 de dezembro de 2015 cheia de dúvidas quanto ao que viria com aquele ato, mas certa de que eu não poderia tomar decisão melhor para minha vida. Era tanta coisa acontecendo e ao mesmo tempo não havia qualquer impedimento para que eu fizesse minha vontade, que pensei: “Quer saber? Vou deixar o meu cabelo ser o que ele é!”.

Claro que essa coragem veio com mais força depois que encontrei o corte ideal. Não queria nada muito óbvio, mas também não queria meu cabelo super curtinho porque eu ainda não estava preparada para tanto radicalismo. Mal sabia que essa vontade viria com o tempo (e digo que ainda nem chegou taaaanto), com a aceitação de quem eu sou.

E é pra comemorar essa decisão que hoje começo aqui no blog a semana Minha Transição Capilar, onde pretendo compartilhar experiências para dividir todo o processo com vocês. Outras meninas que encararam o desafio da transição capilar também terão voz e vez aqui nesta semana, até sexta-feira, e espero que vocês gostem. Para começar, deixo com vocês dez passos para a transição, coisas para as quais considero importante que a gente se atente antes e durante o processo. Sintam-se à vontade para acrescentar itens à lista, se achar que devem. Mas, principalmente, aproveitem!

Quatro meses depois de ter assumido  meus cachinhos (Foto: Buenas Imagens)
Quatro meses depois de ter assumido meus cachinhos (Foto: Buenas Imagens)

1. respeite seu tempo
Demorei onze meses para amadurecer a ideia de passar pela transição capilar e deixar meu cabelo crescer natural. Em novembro, durante viagem da firma, encontrei pessoas que me estimularam muito e contribuíram para que a ideia do cabelo enroladinho, estilo Ronaldinho, latejasse com mais força dentro de mim. Não acho que tem um tempo certo para você retirar a textura lisa, se uma semana, um mês ou dois de transição. Acredito mais no estímulo do seu próprio corpo. Você vai sentir a necessidade de retirar as pontas lisas para dar espaço aos cachos que tanto anseiam por se desenvolver. Chego a dizer que baterá até o desespero, caso você não consiga horário no salão ou tempo para passar a tesoura. Mas o estímulo para cortar estará ali, falando mais alto. Sério. Até chegar nesse ponto, você já vai ter amadurecido a ideia, vai ter tido tempo de pensar nos prós e contras de passar pela transição, vai entender que o processo demanda tempo e cuidado com os fios. Tudo isso conta pra formar sua decisão.

2. escolha um corte que te estimule ao processo
Tudo nessa fase é estímulo. Pode vir de dentro de você mesma, das pessoas mais próximas, de pessoas que te inspiram e até mesmo das possibilidades que seu novo real cabelo te oferece. No meu caso, estava passando por uma fase bem difícil e vi na transição a oportunidade de mudar meu visual investindo em algo mais estiloso e diferente, até mesmo pra dialogar com uma proposta mais cheia de personalidade que eu tanto gosto. Fui ao salão e pedi um corte na altura da nuca, mais curto atrás e alongado na frente. A intenção era tirar as pontas lisas aos pouquinhos, sem muito choque. Quatro meses depois me revoltei com aquelas pontas lisas e tirei o máximo que podia. Saí do salão com o cabelo curtinho, no estilo Joãozinho (mas não na pegada big chop!!). Foi triste me acostumar com o novo corte…

Meu corte inspiração foi esse amorzinho aí que achei no Pinterest (Foto: Reprodução / Pinterest)
Meu corte inspiração foi esse amorzinho aí que achei no Pinterest (Foto: Reprodução / Pinterest)

3. filtre as críticas
Um dos meus maiores medos de assumir meu crespão era com os olhares das pessoas. Ok, cabelos crespo e cacheado estão sendo mais aceitados nesses tempos, mas ninguém do meu círculo social me viu daquela maneira – e quem me viu o fez havia muuuito tempo. Tinha medo de que eles fossem me julgar desarrumada, desajeitada; ou que encarassem como bandeira de militância e deslegitimassem minha decisão. A insegurança bateu mais forte quando cortei meu cabelo curtinho, em abril. Fiquei tão assustada que mandei uma foto em choque pra um dos grupos de amigos. Meu alívio foi tão grande quando eles elogiaram! Faz parte. Por mais que a gente se aceite, a gente ainda precisa da legitimação de pessoas importantes, né? Ah! Foquem bem nessa parte “pessoas importantes”. É fundamental filtrar os comentários que ouvimos nesse período, porque muitos vêm acompanhados de maldade. Prest’enção, moças!

4. se proponha a aprender sobre seu cabelo
Nas primeiras semanas pode ser um pouco difícil. A gente não sabe como o cabelo se comporta, em quanto tempo ele seca, de que maneira ele fica depois de molhado. É importante ter em mente que esse tempo de ajuste é necessário até que o cabelo fique do seu jeitinho, afinal, vocês estão se conhecendo agora, né?! É tipo um relacionamento mesmo, é preciso ter o tempo de adaptação com alguém novo, conhecendo seus trejeitos, suas peculiaridades. Relax! E deixe seu cabelo ser. Não precisa se desesperar.

5. não tenha medo do seu cabelo
Não tenha. Sério. E aceite seus cabelinhos do jeito que eles são, porque eles são lindos e contam muito sobre quem você é, independentemente de como eles sejam. Aqui incluo não só evitar o medo de como seu cabelo vai se comportar, como também o medo de cortes, do movimento da sua cabeleira. Se permita passar pela etapa de se surpreender com seu cabelo.

Meu cabelo ficou curtinho  assim quando decidi tirar as pontas lisas da frente. Imagina o desespero?
Meu cabelo ficou curtinho assim quando decidi tirar as pontas lisas da frente. Imagina o desespero?

6. encontre seus produtos favoritos
Essa é uma parte muito importante. Se antes você tinha a cota para a progressiva, aqui você deve ter para produtos de tratamento. O cabelo cacheado requer cuidados especiais, principalmente de nutrição, porque a textura “ziguezágue” impede os nutrientes de chegarem da raíz às pontas. Daí a importância de manter uma rotina de nutrição e, principalmente, hidratação. Vale investir nos ativadores de cachos nesse comecinho de transição, porque eles estimulam bastante os fios e dão uma recuperada danada no nosso ânimo, quando vemos os cachos bem formadinhos. Gosto do ativador de cachos da Yenzah e da Salon Line, o novo, ‘Vamos Cachear’. Ah! Eu sempre procurei produtos que estimulassem o crescimento do meu cabelo e não largo mais do Bomba de Nutrição, da Salon Line também. #fikdik

7. o cabelo muda, você também muda
Se prepare para ter mais atitude diante das situações e das pessoas. O cabelo muda, mas dentro de você alguma coisa é ativada que te dá uma força tremenda de viver e de bancar suas vontades. Você se verá um tanto mais livre também: das amarras, dos tabus, das convenções sociais. Parece pouco, mas cortar o cabelo para encarar a transição é um verdadeiro empoderamento. Muitas pessoas me falam, mas nem precisaria porque eu mesma percebi, que a Estela de 19 de dezembro de 2016 é completamente diferente da Estela que elasconheceram antes de 19 de dezembro de 2015. Continuo com meu jeitinho libriana com Lua em Gêmeos, mas me sinto mais decidida sobre o que eu quero, quando quero e em quais circunstâncias mereço. O amor-próprio é alimentado diariamente. É incrível!

Prontinha pra formar. Veem como dá pra ficar mui bela sem precisar se render ao alisante?
Prontinha pra formar. Veem como dá pra ficar mui bela sem precisar se render ao alisante?

8. quebre o mito do ‘cabelo arrumado é cabelo alisado’
Tem nada a ver. Absolutamente nada a ver. Real! Fomos muito iludidas quando construíram a ideia de que cabelo arrumado é o cabelo alisado. Nesse período de transição aconteceu minha formatura na faculdade e Nathalie Pinheiro, responsável pelo hairstylist e make up da ocasião, foi mega sensível pra não alimentar esse mito. Ela explorou o babyliss, dando definição aos meus cachos já aparentes, e eu arrasei bem linda com o penteado que eu não sei o nome, mas que vocês podem ver na foto! hahahaha E é muito incrível, porque os cabelos crespo e cacheado te permitem muitos penteados, estilosos, diferentes, únicos, cheios de personalidade. A gente não sabe a mina de ouro que carrega!

9. talvez os boys não te olharão como antes
Esse assunto é sério e, sim, acontece. Por mais que a gente se arrume e encare a transição para nós mesmas, essa área da nossa vida é bastante sensível ao processo. Não é todo cara que tem peito e cabeça pra encarar o poço de personalidade que nos tornamos quando passamos pela transição capilar. Até mesmo porque a construção social não estimulou o gosto pela beleza negra, pelas características negras, e aí somos as últimas opções. Digo com isso que a gente depende do homem pra viver e se sentir bela? De jeito nenhum. Pelo contrário. Só alerto porque, pelo menos senti comigo e algumas amigas relatam o mesmo, o número de investidas é muito menor em relação ao período em que alisávamos nossos cabelos. Que contradição é essa nossa sociedade: quando nos sentimos mais bonitas, quando somos mais naturais, é quando os outros menos se interessam por quem somos de verdade. O ponto positivo é que os caras que chegam vêm com interesse sincero e podem demonstrar um pouco mais de desconstrução. Isso, no entanto, tem me deixado com a pulga atrás da orelha, porque começo a achar também que paire aí aquele imaginário que se tem da mulher negra. Mas aí é papo pra outra conversa. Me cobrem!

10. cabelo cresce
E cresce muito, mon amour! Se cuidar direitinho, já já você vai precisar cortar de novo pra estimular o crescimento, e depois cortar de novo pra estimular o cresciento, e depois cortar de novo, mais uma vez, até não precisar mais. Fique tranquila e aproveite esse momento tão importante para o autoconhecimento!

Fator encolhimento existe, mas cabelo cresce, gente!
Fator encolhimento existe, mas cabelo cresce, gente! (Foto: Milena Marques Fotografia)

Qualquer coisa, falem aqui! Estarei para ouvi-las e atendê-las. <3

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