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“Os Quatro Compromissos” me fez pensar no inventário dos meus parasitas

Comecei a ler “Os Quatro Compromissos”, de Don Miguel Ruiz, faz alguns meses. Comecei num momento muito complexo da minha vida, em que experimentava passos novos, tentava consolidar outros já dados. Foi bem impactante.

O mais curioso dessa experiência é que eu pretendia iniciar a leitura antes. Numa viagem de reconexão e resgate que fiz, fui munida dessa arma contra a manutenção de hábitos disfuncionais, mas não consegui sequer tirá-lo da minha bolsa. Depois entendi que, com todas aquelas sensações, eu não teria condição de absorver as mensagens no modo que eu precisava.

Esse é um livro que tem muito a oferecer, afinal. Não é um clássico à toa. 

Depois de iniciada a leitura, voltei a ser engolida pelas responsabilidades e o deixei de lado. Resgatei-o horas antes de traçar esse texto, pouco mais da meia-noite do meio de semana, ainda cheia de obrigações a cumprir no dia seguinte. Mas apenas cedi ao impulso — ou intuição? — e retomei a leitura.

Mais uma vez, Don Miguel Ruiz pareceu um bom amigo me dizendo coisas correspondentes às minhas mais recentes reflexões. Conexão, só pode. Entre tantas lições, no entanto, uma delas me chamou mais a atenção. Trata-se do inventário dos meus parasitas. 

Como lutar pela mudança, se não sabemos o que precisa mudar?

Antes de prosseguir, preciso admitir que pode haver um quê de excesso em minha empolgação com “Os Quatro Compromissos”. Essa é uma característica forte desta libriana genuína admiradora do belo e sedenta por aprender.

Já aconteceu quando comecei a assistir séries de investigação e até rabisquei alguns diálogos de uma novela própria. Aconteceu quando descobri Cartola, baixei toda a discografia e suspirei com cada verso.

Também experimentei algo semelhante, quando li “Dias de Inferno na Síria”, de Klester Cavalacanti, jornalista brasileiro que ficou preso (literalmente) no país. Mais recentemente, me apaixonei pela série “Lupin” e saí indicando para todo mundo que podia, determinada a conhecer Paris e ouvindo playlists de café francês para já me ambientar.


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Todo mundo tem um monstro de multicabeças para chamar de seu. 

Pensando bem, não é exagero. É a mais genuína expressão do vislumbre, da apreciação, do sonho. De alguma forma, certas obras me tiram do cercadinho que fui ensinada a chamar zona de conforto e me estimulam a encarar as crenças que tanto me limitam. 

Você também deve ter isso. São como nossos “parasitas” particulares, para repetir a analogia que o próprio Don Miguel Ruiz utiliza no livro. Segundo seu raciocínio, o termo é realmente apropriado: assim como o conceito define parasita como um ser vivo que se alimenta de outro e lhe causa danos diversos, nossas crenças limitantes se alimentam da nossa energia (que é viva) e nos impedem de ser quem somos.

Ainda segundo o raciocínio, não há tempo algum para agir fora dessa caixinha porque ao longo da vida somamos “verdades” que nos impõem limites de atuação. Conseguimos ir até determinado ponto e qualquer centímetro além suscita ideias como “quem eu penso que sou pra ousar tanto” ou “o que vão pensar de mim por agir assim, afinal?”. 

Sentenças que proferimos em nosso julgamento particular, diário e recorrente que não permitem que sejamos livres. Verdadeiramente, encorajados a focar em nossa experiência ao invés do crivo alheio.


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Impressionada, decidi ser a hora de seguir as recomendações desta sabedoria tolteca: montar o inventário dos meus medos, dos meus parasitas, meu monstro de centenas de cabeças que precisa ser enfrentado. De imediato me lembro do medo da rejeição, medo da imperfeição, medo do erro, medo da solidão, medo de sonhar — só para evitar a frustração, caso não consiga realizar.

Encontrar formas de vencer cada um deles é o que há. Substituir uma crença limitante por uma mais estimulante parece um caminho interessante de autoconhecimento, autoestima, amor-próprio e autonomia.

Tem muito “eu” acima, mas essa é também mais uma lição de Don Miguel Ruiz, embora a vida já tenha se encarregado de me apresentar antes: a gente só controla a nós mesmos. Somos nossa própria responsabilidade, em primeiro lugar.

A mudança que queremos ver precisa partir de nós mesmas, e talvez seja apenas essa que importe. O paraíso é de cada um, como o inferno também.

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