Já escolheu as receitas pra fazer na quarentena?

Já escolheu as receitas pra fazer na quarentena?

A obrigação de continuar em casa devido às recomendações de distanciamento social por causa da pandemia do novo coronavírus tem feito muita gente visitar a cozinha um pouco mais. Seja por necessidade ou por distração, pelo menos três a cada cinco Stories do Instagram são sobre pão, bolo, pizza, massas ou biscoitos, segundo dados do Instituto DataMoça.

A nutricionista comportamental Luana Galdino explica que essa ida recorrente à cozinha está relacionada ao prazer. Tanto o processo de preparação quanto a degustação do produto final podem despertar boas sensações nas pessoas.

“Acredito que seja pela necessidade de atividades prazerosas, e muitas vezes vai encontrar no ato de cozinhar uma atividade de prazer mesmo. Vai ter gente se dedicando a experimentar comidas nutricionalmente mais interessantes, saladas diferentes, preparações com carnes diferentes; no arroz e feijão do dia a dia pode dar mudada, colocar mais verduras. E vai ter quem, pela própria necessidade do momento, talvez juntando o emocional do momento que traz a necessidade de algo mais palatável e prazeroso, como não pode comprar e tem os ingredientes, pensa na economia também. Junta tudo e acaba sendo tanto cozinhar, quanto o produto final algo que vai fazer bem naquele momento ou aliviar algum sentimento”.

Luana Galdino, nutricionista comportamental

Distração na quarentena

Quem encontrou prazer em meio à necessidade foi a produtora de moda e produtora de conteúdo Déa Conceição. Em um bate-papo com o blog, ela conta que não cozinhava quase nada, até porque não curtia. Mas a necessidade de cozinhar, já que precisou dispensar a funcionária de casa, fez com que a atividade se tornasse mesmo uma distração.

“Não gostava nem de pensar no que iria ser feito no almoço, e tô descobrindo nisso uma forma de autocuidado também. Não sei se quando tudo passar vou continuar gostando dessas tarefas, mas, enquanto isso, tô curtindo aprender e botar a mão na massa”, observa.

As receitas, escolhidas conforme o grau de dificuldade, são compartilhadas em seu perfil no Instagram (@it_guel). Muitas vezes dá certo, noutras as adaptações feitas deixam a receita um pouquinho diferente.

Um brownie que adaptou, por exemplo, virou um bolo crocante. Já um bolo de chocolate acabou com a massa muito líquida, demorou demais pra assar, cresceu demais, a massa derramou no forno.

“Depois fiz seguindo a receita original e deu certo”, comemora.

Cuidado com o que come

Estamos todas indo pra cozinha, mas nem sempre dedicamos nossas habilidades a receitas saudáveis, não é mesmo? O estudo ‘Epidemia da Covid-19 no Brasil: potencial impacto na saúde mental‘, desenvolvido por Daiane Borges Machado, Flávia de Oliveira Alves, Camila Teixeira e Aline Rocha, indica que esse consumo de alimentos doces e/ou gordurosos, por vezes exagerado, é resultado dessa mudança de rotina.

Está implicada também a mudança na forma como temos acesso aos alimentos. Já que precisamos sair o mínimo possível, compramos mais alimentos estocáveis e deixamos de frequentar locais onde podemos encontrar alimentos frescos.

A nutricionista comportamental Luana Galdino pondera que não há um nutriente específico que deve estar presente nas receitas que fizermos em casa, no entanto, é preciso duas coisas: variedade e equilíbrio.

“Na nossa alimentação, tudo demais faz mal. Se eu for comer bacia de manga, com certeza vou passar mal. Assim comer chocolate em exagero vai acabar fazendo mal em algum momento”, observa.

Nesse caso, variar a alimentação é uma boa estratégia: frutas, raízes, oleoginosas, folhas. Os alimentos ultra-processados precisam vir em menor quantidade em nossa alimentação, de acordo com Luana, justamente por causa do açúcar e da gordura em demasia.

“Não tem obrigatoriamente um nutriente principal. Precisa de equilíbrio da orquestra no dia a dia”, acrescenta.

Inclusive, essa diversidade na alimentação pode impactar na saúde mental. O estudo ‘Epidemia da Covid-19 no Brasil’ indica que alguns nutrientes podem ajudar na função cerebral e contribuir para o cuidado com nossa saúde mental. Entre eles: vitaminas A, do complexo B, C, D e E; ácidos graxo poli-insaturados, como o ômega-3; e minerais, como o iodo, magnésio, zinco, selênio, potássio e ferro.

Como estão suas receitas por aí?


Estamos todas ansiosas para o dia em que poderemos retomar a nossa rotina, não é?! Confira aqui algumas expectativas para quando esse dia chegar!

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