Insights,  Sociedade

E se eu disser que família é tipo… pés?!

Eu tenho uma relação bem particular com meus pés. Volta e meia tenho umas crises com eles, não gosto, não consigo aceitar do jeito que são, acho que algo aqui ou ali poderia ser mais bonitinho ou harmonioso. Outras vezes já acho que são os melhores pés que eu poderia ter, me sinto grata por tê-los e por eles me sustentarem por tanto tempo, em tantas vezes, desde sempre.

Uma metáfora bem cafoninha só pra cair na real de que esses pés, essas raízes, se parecem muito com o que a gente costuma sentir em relação à família. É uma relação de amor e ódio tão, tão, tão intensa e bipolar que às vezes nos faz questionar se nascemos no lugar certo. Mas aí vem alguma coisa de lá (sempre assim, observe!) para cair a ficha de que precisávamos exatamente daquelas pessoas, de passar por aquelas experiências mesmo.

Quem sabe não temos que desenvolver alguma habilidade social e os arranca-rabos que temos com nossos irmãos nos servem exatamente para isso? E se as críticas que fazemos ao modo como nossos pais nos criaram não nos dá um parâmetro do que devemos ou não fazer com nossos próprios filhos? E as discussões polêmicas quando  um tio insiste que é o pai de família exemplar, mas não perde a oportunidade de soltar uma piadinha machista para cantar a namorada do sobrinho – ou a amiga da namorada do sobrinho ou a amiga da sobrinha ou qualquer que seja a mulher?

(Foto: Cláudia Cardozo / Buenas Imagens)
(Foto: Cláudia Cardozo / Buenas Imagens)

Acredito que os encontros que temos ao longo da vida são como uma oportunidade para consertarmos erros de outras vidas ou até para continuarmos vivências que por uma razão ou outra foram interrompidas. E se com amigos, namorados, chefes ou quem que seja isso já é tão crível, com a família não poderia ser diferente. Na verdade, família é algo mais forte ainda. Porque a gente nasce com aquelas pessoas, cria um laço de nascença com todos eles desde bem pequeninos, quiçá antes mesmo de nascermos. Tem um motivo para estarmos aqui – ou ali – com eles.

O que exatamente precisamos consertar ou absorver com ou daquelas pessoas, não sei como identificar. A sabedoria está em viver e observar. Quem sabe situações que insistem em acontecer não querem nos ensinar alguma coisa, mas estamos tão focadas em reclamar e maldizer de cada uma delas que somos incapazes de perceber a lição? A gente não tem como se desvincular dos laços de família, das obrigações que socialmente devemos ter com cada uma daquelas pessoas que de alguma forma nos chateiam, mas a gente pode tentar tirar o melhor delas. Ainda que o que elas possam nos proporcionar sejam conflitos, situações que nos tirem a serenidade e nos façam questionar se elas possuem algo bom.

Geralmente tem. Por menos que pareça no momento, a vida nos mostrará aos poucos que só temos a ganhar com isso. 🙂

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