Foto mostra Teté Marques de pé em uma igreja, com foco no revestimento clássico do chão. Ângulo mostra os pés, short, bolsa de palha e um pedaço da blusa verde.
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É possível ter bons dias, apesar da ansiedade

A vida não é muito fácil. Particularmente, tenho protagonizado um drama particular desde quando recebi um belo de um chacoalhão que fez despencar todos os frutos maduros e parar para observar aqueles que ainda precisavam de um tempo para que estivessem prontos.

Tal qual um agricultor, preciso admitir que esperava melhores resultados dessa safra. Afinal, dediquei tempo, criei as condições que imaginei serem favoráveis para tanto — e que então se mostraram ainda insuficientes. Dei, como dizem, o meu melhor.

Mas, passado o choque inicial, pude traçar estratégias de ação que me resgataram do trem sem destino definido no qual eu havia me metido sem ao menos perceber. Tenho andado pela estação ainda em busca do melhor a tomar, mas a busca ficou um pouco mais exata, considerando que eu já sei para onde não quero ir.

Em se tratando de ansiedade, isso facilita tanto as coisas…!

Alguns dias são terríveis 

Mas não é fácil. E não é à toa que comecei esses rabiscos justamente com essa constatação. Alguns dias são terríveis, o verdadeiro inferno na Terra sem direito a purgatório — ainda que eu não acredite nem em inferno, tampouco em purgatório.

Desespero, angústia, medo, cansaço, indisposição; vontade demais, paciência de menos. Algumas vezes o ansiolítico parece desnecessário, enquanto noutras parece insuficiente.

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A próxima sessão de terapia é mais aguardada do que juiz em audiência de divórcio. O alívio pelo desabafo disputa espaço com a frustração por perceber que não será daquela vez que daremos adeus, num estalar de dedos, à aflição que nos inquieta. 

É difícil. Como disse… um verdadeiro inferno na Terra. Falei. 

Mas há um lado bom… 

O lado bom de passar por momentos ruins como esse é aprender a aproveitar os momentos que valem a pena. Sempre há um dia bom para viver. E quando ele está ao seu dispor, putz!, costuma ser incrivelmente delicioso.

Tudo começa com o sonho. Acordada mesmo. Desejar, imaginar, se inserir naquela situação que você vai fazer o possível para que se torne realidade. E, quando isso acontecer, você saberá exatamente o que fazer: estar ali, aproveitar cada minuto, se permitir a felicidade e o bem-estar que você sabe que merece.

Você sorri, vive. Sente o calor, o vento e o frio. Olha no olho das pessoas, interage com quem cruzar seu caminho. Descobre novos contornos do cotidiano. Cria memórias, acumula histórias a contar. É tocada por novas vontades, outros quereres, possíveis alternativas que você sequer foi capaz de imaginar até então.

E nós precisamos mesmo disso, de dias assim.  A realidade é cruel demais para ignorar essa, a busca por novas experiências, como uma estratégia de sobrevivência eficaz.

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Ou podem não ser tão novas assim. Nem extraordinárias, nem custosas, nem trabalhosas. Vale um fim de noite ouvindo “La Vie En Rose”, bebendo um suco de uva integral à luz de velas e do luar, despojada em sua poltrona mais confortável, deixando a brisa da noite primaveril entrar em casa.

Estar bem está no simples também. Sempre há um dia bom para viver. Sempre. E ele começa na nossa imaginação. Crie-o. C’est parti! 

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