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Do início do baile à lista restrita de convidados: 12 curiosidades sobre o MET Gala que você não vê por aí

Maio chega e com ele a agenda do mundo fashion: o MET Gala, baile promovido pelo Metropolitan Museum of Art anualmente para lançar a exposição do ano. Em 2019, a amostra se inspira no ensaio da escritora e crítica de arte Susan Sontag sobre o camp, ‘Notes on Camp’ (1964). O conceito fala de uma estética de exuberância, ironia, que chama a atenção de modo exagerado, beirando propositalmente o mau gosto.

De acordo com o curador do museu, Andrew Bolton, o tema já estava no radar há alguns anos, e tem se tornado mainstream diante das pluralidades do mundo contemporâneo. “Estamos passando por um momento extremo do camp, e foi muito relevante para a convera cultural olhar para o que muitas vezes é descartado como frivolidade vazia, mas pode ser, na verdade, uma ferramenta política muito sofisticada e poderosa, especialmente para as culturas marginalizadas”, disse ele ao site The Independent. E o que pudemos ver na edição deste ano, o 71º MET Gala, o conceito foi interpretado de maneiras muito criativas.

Zendaya vestiu traje inspirado na Cinderela e performou no tapete rosa a transformação do seu vestido, o que podemos interpretar como nossa busca por impactar, em tempos de redes sociais. Assim como o vestido Viktor and Rolf usado por Hailee Steinfeld com os dizeres ‘No Photos Please’. Ezra Miller, de Burberry, investiu numa maquiagem que lhe dava pelo menos dois pares de olhos a mais, e carregava uma máscara como acessório. A mensagem, afinal, pôde ser lida como algo do tipo “posso ter minhas particularidades, mas visto uma máscara que me torna igual aos outros para não ficar deslocado”. Ou não também. O camp permite essa diversidade de interpretações.

De qualquer forma, o MET Gala se renova e resiste ao tempo, com números exorbitantes. As curiosidades que listamos a seguir dão uma noção da dimensão que esse evento possui – e o quão rica pode ser a indústria da cultura.

O baile foi criado pela publicitária Eleanor Lambert, nos anos 1940, para estimular doações da alta sociedade nova-iorquina ao Costume Institute, o instituto de figurinos do MET.
O tema do baile de 2019, 'Camp: Notes of Fashion' é o mesmo da exposição que estará aberta ao público ao longo do ano. A amostra é projetada pelo cenógrafo e designer de iluminação Jan Versweyveld, conhecido por criar 'Lazarus', de David Bowie. E também é subscrita pela Gucci, que tem celebrado o poder do camp desde que Alessandro Michelle assumiu o comando da marca italiana, em 2015. Aproximadamente 175 itens estão expostos, entre pinturas, ilustrações, esculturas e roupas.
Por falar em Alessandro Michelle, o designer dividiu a co-presidência desta edição com Lady Gaga, Serena Williams e Harry Styles. O quarteto foi o anfitrião do baile, junto com a presidente do evento, Anna Wintour, editora da Vogue Americana. A jornalista está no comando desde 1995.
Segundo o site Business Inside, o MET Gala é um evento de aproximadamente 3 milhões e meio de dólares - há quem o chame de "Super Bowl da moda". Os ingressos para o MET Gala custam em média 30 mil dólares, mas podem custar até 50 mil dólares. Já as mesas custam entre 275 mil e 500 mil dólares, podendo custar ainda mais se forem pagos por patrocinadores.
Mas ter o dinheiro não quer dizer necessariamente que você poderá ir à festa, segundo reportagem do site Page Six. Uma socialite que participa do evento há anos, sem ter sido identificada na matéria, disse que a presidente Anna Wintour é "extremamente restritiva sobre quem pode comprar um ingresso". Até mesmo pessoas que fazem parte do comitê Friends of the Costume Institute, grupo que ajuda a levantar fundos para o centro, já foram recusadas. 
Essa postura firme fica nítida numa entrevista dada ao programa 'Today', em que revelou sonhar com a presença de Kate Middleton e Meghan Markle no MET Gala. "Elas podem deixar seus maridos em casa; é apenas elas duas que eu quero", disse Anna.
Os convidados precisam pensar também no lugar onde se vestirão para o baile. O Carlyle é bastante popular entre os participantes, segundo o Business Inside, e um quarto no lugar custa entre 820 e 910 dólares. Já os quartos do The Mark, outro hotel próximo ao local do baile, custam entre 1,1 mil dólares e 1,2 mil dólares.
No ano passado, o MET Gala arrecadou mais de 13 milhões de dólares. Em 24 anos à frente do baile, Anna Wintour já arrecadou mais de 186 milhões de dólares para o Costume Institute. É uma média de 7,7 milhões de dólares por baile.
E mais uma sobre Anna Wintour: a presidente do baile estabelece como única regra não poder tirar selfies.
O MET Gala é um lugar de ostentação mesmo. Paris Jackson já usou brincos de diamante no valor de 1,7 mil dólares, enquanto Reese Witherspoon já adornou as mãos com um anel de mesma joia no valor de 796,6 mil dólares. Em 2019, J-Lo usou um colar estimado em 200 mil a 300 mil dólares, com 15 a 20 quilates de diamantes, segundo estimativa de Andrew Fox, presidente da SuperJeweler.com ao Business Inside. No mesmo ano, o boné com que Billy Porter apareceu era feito de ouro 24 quilates. A réplica de sua própria cabeça, sensação de Jared Leto na edição 2019 do baile, foi projetada pela Makinariu para a Gucci e custa pelo menos 11,3 mil dólares.
Alguns convidados, no entanto, já nadaram contra a maré da ostentação. Blake Lively já usou unhas postiças que custam 5 dólares; em 2018, sete celebridades optaram por usar vestidos criados por designs de lojas fast-fashion; e Mitt Romney usou naquele mesmo ano um smoking Brioni da Amazon, onde os preços variam de 650 dólares a 2 mil dólares.
O baile já esteve envolvido em polêmicas. Em 2015, o evento foi acusado de racismo e apropriação cultural, quando teve o tema 'China: Through the Looking Glass'. Já em 2017, o Departamento de Saúde de Nova York repudiou o comportamento de celebridades do baile. Segundo imagens divulgadas, elas estavam reunidas no banheiro para fumar, violando as leis antifumo de Nova York. Em 2018, a Igreja Católica classificou como "blasfêmio" o baile, por causa do tema 'Heavenly Bodies: Fashion and the Catholic Imagination". Naquele ano, Rihanna se destacou em um vestido Maison Margiela personalizado, de pérola e encrustado de cristais. A composição tinha também um chapéu de mitra e fla combinando, inspirado numa insígnia papal. 

… E por falar em edições passadas, que tal relembrar os temas dos últimos dez anos?

2019 - Camp: Notes of Fashion, com foco em performance, excessos, exuberância (referências do Art Nouveau, Schiaparelli, Moschino, Dior)
2018 - Heavenly Bodies: Fashion and the Catholic Imagination, inspiração no universo religioso católico; a exposição incluía dezenas de artefatos e objetos enviados diretamente do Vaticano
2017 - Rei Kawakubo/Comme des Garçons: Art of the In-Between, uma homenagem à designer japonesa Rei Kawakubo e destaques para seus "objetos"
2016 - Manus x Machina: Fashion in an Age of Technology, com foco na dicotomia feito à mão versus feito por máquinas; a exposição contou com mais de 100 peças de alta costura e ready-to-wear
2015 - China: Through the Looking Glass, numa celebração à influência do país asiático na moda ocidental
2014 - Charles James: Beyond Fashion, para homenagear a maior figura do mundo da moda, embora pouco conhecida do público geral
2013 - Punk: Chaos to Couture, no melhor estilo punk cruzando fronteiras com a alta costura
2012 - Schiaparelli and Prada: Impossible Conversations, que explorava as afinidades entre as duas designers italianas que marcaram seu tempo, ao passo que sugere novas leituras de seus trabalhos icônicos
2011 - Alexander McQueen: Savage Beauty, que celebra as contribuições do estilista para o mundo da moda, principalmente de expansão das compreensões sobre moda a partir da cultura, política e identidade
2010 - American Woman: Fashioning a National Identity, explorou as percepções da mulher americana moderna, de 1890 a 1940, e como elas afetaram a forma como as mulheres americanas passaram a ser vistas; destaca as revoluções de estilo como reflexo da emancipação social, política e indumentária
2009 - The Model As Muse: Embodying Fashion, e a relação entre alta moda e evolução dos ideais de beleza; foco em modelos icônicas na segunda metade do século XX e seus papéis em projetar e inspirar a moda de suas respectivas eras

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Curiosa, jornalista e libriana. Mestranda no PósCom/Ufba, interessada nos valores - os meus, os seus, os de notícia e os humanos. Se piscar o olho, o cochilo vem, mas os olhos sempre estão abertos para uma série ou outra que desperte o interesse.

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