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De Salvador a Recife: O que aprendi um mês após mudar de cidade

Mudanças exigem algumas habilidades, e também nos proporcionam aprendizados no processo. Quando se trata da mudança física, de casa mesmo, as lições parecem inofensivas a um primeiro momento, mas são tão potentes que ultrapassam contextos.

Foi o que percebi pouco mais de um mês depois de mudar de Salvador (BA) para Recife (PE). Saí da capital baiana dentro de cerca de uma semana, depois que meu namorado recebeu uma proposta de trabalho.

Já morávamos juntos havia quase um ano — isso mesmo, saí da casa do meu pai no início da pandemia, mas isso é papo pra outra conversa — e decidimos que continuaríamos assim. Afinal, tínhamos o plano de mudar de cidade ainda esse ano, então foi só questão de oportunidade.

Entre o convite e o check-in na capital pernambucana foi coisa de uma semana e meia. Vinte e dois anos de vida foram encaixotados em uma semana, trazidos em 12 horas de estrada.

Desde o início deu pra absorver muita, muita coisa. A experiência de mudar de cidade dá trabalho, mas é incrível. Compartilho com vocês alguns desses aprendizados. Acompanhe!

A vida doméstica é cheia de burocracias. Aceite.

Depois de me mudar mais de dez vezes dentro de Salvador, eu já sabia que havia todo um ritual pra mudança acontecer. Procurar a casa nova, visitar a unidade, acertar a documentação… Tudo bem. 

Mas há coisas que jamais imaginei que seria possível. Imagina ter de saber informações sobre a quantidade de energia que cada utensílio consome! 

Você sabe quanto de energia as lâmpadas da sua casa exigem? E seu secador? E sua tv? E seu notebook? Ainda pediram informações sobre os equipamentos do poste, da rede de eletricidade da casa…

Essas informações foram necessárias para a companhia de energia elétrica religar a luz da casa nova, que, por sinal, eu nem sequer havia pisado os pés até então. 

Mudar de cidade é caro

Bom, o que não seria caro no brasil de 2021, né? Mas mudar de cidade tem um preço alto mesmo.

Primeiro, devido aos trâmites do aluguel da casa nova, como o caução. Algumas imobiliárias têm usado o formato de seguro, uma tarifa que você paga mensalmente, que pode ser uma alternativa na falta de grana a mais ou de um fiador.

Mas tem também o fator deslocamento, seja de avião, de carro ou ônibus. E se for levar móveis para a cidade nova, ainda tem o valor da empresa de transporte. 

No meu caso, fizemos o trajeto de carro de Salvador pra Recife. Doze horas de viagem. Na estrada. Com o combustível no preço que esteve em 2021! 

Pos é.

Considere também que nem todas as refeições serão feitas em casa de imediato. Você ainda estará se ajustando, é natural que tome café na padaria, peça um delivery no almoço. Sem contar que você também não sabe os preços da região ainda.

Sendo assim, vai caprichando na sua reserva — só por garantia.

+ Veja também: VÍDEO: 7 coisas que aprendi na quarentena

Ficar sem móveis é uma opção, mas vai ser difícil

Nós não tínhamos muitos móveis ao vir pra Recife, na verdade, quase nada além da máquina de lavar e do micro-ondas. Sendo assim, tivemos que comprar o básico de imediato. 

E é básico mesmo. Cama, fogão e geladeira são fundamentais. Mas eu sempre dizia ao boy que inicialmente poderíamos ficar sem sofá e mesa de jantar, por exemplo, nesse momento inicial de se estabelecer na cidade. 

E dá mesmo.

Pode ser que surjam alguns incômodos, mas releve. E se livre da preocupação de ter que comprar toda a mobília da casa de vez. Não precisa. o restante você compra no caminho.

+ Veja também: Mensagem a você que me lê – Chegamos a um recorde!

O emocional vai te azucrinar

Não é fácil. Aliás, ninguém disse que seria. Mas você só vai perceber isso quando viver. Vai dar saudade da família, vai bater a bad porque você ainda não conhece ninguém na cidade nova… Faz parte do processo.

Tive uma crise dessas na segunda semana aqui. Um dia cheguei na janela, vi parte do bairro, olhei pra um lado, olhei pro outro… Não sabia nem onde tinha uma farmácia. Foi intenso.

Em tempo de pandemia piora, né? Porque a gente, que pode, segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e evita sair. Como passear pela região sem tanta necessidade num momento como esse? 

Piora se você não tiver um trabalho certinho ou alguma outra forma de ocupar o tempo, porque todos esses sentimentos parecerão falar bem mais alto. Você se verá obrigada a encarar todos os seus demônios.

Quer uma dica de quem já viveu?

Bom, encare-os. E mande-os embora. 🙂


Enfim, né. A adaptação ao novo lugar exige paciência. O tempero de casa vai fazer falta, você vai perceber que as pessoas são diferentes daquelas que você já conhecia.

Mas não precisa ficar ansiosa pra conhecer tudo da cidade, que ônibus pegar, onde vende isso ou aquilo. O processo de pertencer a um lugar é gradual e exige vivência. É através das experiências que a gente passa a conhecer o funcionamento de cada lugar. Calma!

Publiquei no meu canal no YouTube um vídeo onde detalho ainda mais aprendizados desse último mês. Assista ao vídeo abaixo!

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