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Da onde vem a culpa?

É algo natural, do dia a dia. Acontece quando numa briga falamos algo sem pensar e deixamos o outro magoado. Ou quando respondemos grosseiramente alguém que amamos. Ou até mesmo quando deixamos de fazer algum trabalho. O sentimento de culpa é do humano.

A psicanalista Gisele Gomes, que também é professora de Teoria Psicanalítica Freudiana na RNA Clínica e Escola de Psicanálise, explica que a culpa é resultado do desequilíbrio do ego, aquela instância do indivíduo que balanceia os lados irracional (chamado na teoria freudiana de ID) e racional (ou superego). Na avaliação da especialista, esse sentimento de culpa está atrelado ao exagero de um e à escassez de outro.

“O indivíduo que se culpa muito pode ser aquele que age de forma extremamente impulsiva em busca de prazer e que depois, numa revisão de suas atitudes, consegue enxergar que poderia ter agido de uma forma diferente. Esse é um ponto de surgimento de culpa. Em contrapartida, um indivíduo que tem muita culpa é aquele que se priva demais, aquele que tem um superego extremamente desenvolvido e se proíbe de vivenciar as coisas. A culpa pode surgir dessas duas vertentes”, explica.

É como se você não pensasse antes de beber demais na balada porque aquilo te dá muito prazer, mas a ressaca moral do dia seguinte te lembra que você pesou a mão em algumas atitudes. Aí a culpa vem. Mas também pode acontecer o oposto: você queria muito se declarar para o crush, mas por pensar demais nas consequências daquela atitude, desistiu e perdeu a oportunidade que havia surgido.

A terapeuta quântica Deborah Souza chama isso de “uma água parada no tempo”, porque faz com que a gente acredite “com toda a força” que não é mais possível reverter o dano de alguma atitude tomada. E isso interfere na fluidez da nossa vida. Uma vez que nos sentimos culpadas, temos dificuldade de perdoar a nós mesmas e entramos num ciclo de pensamentos repetitivos porque ficamos remoendo o que deveríamos ter feito ou dito.

“O sentimento de culpa, arrependimento ou remorso, geralmente faz com que a pessoa entre em um processo de autopunição pela ação cometida e acredita que não merece mais ser feliz. É importante entender que esse registro foi feito dentro do subconsciente e que é possível alterá-lo para que a vida possa voltar a fluir. Para isso, é preciso acessá-lo”, acrescenta Deborah.

Gif: Giphy

Como cuidar disso?

Se você percebe que esse sentimento de culpa está presente numa dose maior do que deveria, te impedindo de seguir o fluxo da vida e encarar com naturalidade que você é humana e está aqui para errar e aprender com seus erros, bom, é hora de pedir ajuda. Terapia é uma boa saída.

A psicanalista Gisele Gomes sugere que essa humildade de admitir que estamos passíveis ao erro impede que o sentimento de culpa se instale. A especialista observa que é importante lembrarmos de que é possível fazer com que o erro seja corrigido, a partir de um diálogo ou de uma nova atitude.

“Nutrir sentimentos de culpa constantemente e ficar olhando para essas situações que geraram esse sentimento pode levar o indivíduo a um quadro patológico de depressão ou ansiedade. Então, é importante tratar a culpa na terapia. O que te traz esse sentimento? Os pacientes muitas vezes em consultório trazem sentimentos de culpa em relação a relacionamentos que não deram certo, a lados profissionais que não deram certo por uma atitude impensada. A terapia visa revisar esse passado, essa trajetória. Obviamente, responsabilizando o indivíduo, mas fazendo com que ele compreenda que está nas suas mãos a possibilidade de reverter isso. E se isso não for mais possível, entender que aquilo não tem volta e revisitar esse passado não levará a nada”, observa.

Outra forma de se libertar do sentimento de culpa é através da terapia quântica. Deborah Souza explica que essa modalidade libera a energia estagnada no tempo e espaço, dando lugar a novos sentimentos. Em se tratando da culpa, substituindo a culpa por autoperdão e amor incondicional.

“As técnicas de cura quântica, trazem um novo sentimento no lugar da culpa instalada. Essas técnicas trazem uma nova consciência de que a pessoa em questão agiu de acordo com a maturidade que ela tinha naquele momento e diante da situação que se apresentava, ou seja, traz uma nova consciência para as células. Em outras palavras, traz essa aceitação de forma consciente liberando esse registro de culpa e faz a instalação de novos sentimentos para esse lugar antes ocupado com esse sentimento como por exemplo: a restauração da alegria da encarnação e merecimento de ser feliz”, explica a terapeuta quântica Deborah Souza.

Entre as técnicas citadas estão Thetahealing, Access Consciousness e Stargate. No caso do Thetahealing, o acesso à energia estagnada é feito de forma consciente, em que o indivíduo é guiado pelo terapeuta para dar as permissões necessárias à alteração energética que precisa ser feita. No Access Consciousness, são utilizados processos corporais e verbais para abrir esses “cadeados energéticos” que estão espalhados pela mente e corpo do indivíduo. Já o Stargate é considerado um grande portal onde acontece as transformações em diferentes níveis do Ser. Ele é acessado através da meditação guiada, que eleva a consciência do indivíduo a um profundo estado de meditação.

quem é Teté

Curiosa, jornalista e libriana. Mestranda no PósCom/Ufba, interessada nos valores - os meus, os seus, os de notícia e os humanos. Se piscar o olho, o cochilo vem, mas os olhos sempre estão abertos para uma série ou outra que desperte o interesse.

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