Como deverá ser a vida em sociedade daqui pra frente?

Como deverá ser a vida em sociedade daqui pra frente?

São 18h39 do domingo, 31 de maio de 2020. Deixei pra escrever esse texto até o último momento possível da programação do mês, porque sabia que os sentimentos iriam mudar. Há um mês eu me sentia confortável para especular como poderia ser a vida em sociedade daqui pra frente. Hoje eu já não sei mais.

Deve ser um movimento natural da quarentena. Na primeira semana a gente identifica a janela de oportunidade de mudança. As pessoas percebem como podem ser solidárias, como uma é capaz de interferir no bem-estar da outra, como o desequilíbrio num habitat impacta outro ecossistema etc.

Duas semanas depois, aquilo que aprendemos sobre sermos parte de um todo dá espaço para a loucura de estarmos apenas com nós mesmas. Contamos nos dedos – das mãos e dos pés – nossas inconsistências, nossos defeitos e todas as fragilidades que nos esforçamos para esconder dos outros.

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Até que alguns dias depois deixamos de nos importar com eles – os outros. Que se danem, afinal. No apagar das luzes, prestamos contas apenas à nossa consciência.

Quem eles pensam que são? Quem fizemos eles pensarem que são? Quem pensamos que eles são?

A gente passa a não querer saber dos outros, em todos os sentidos. Ok, que se cuidem, já que eles precisam se proteger para que possamos estar protegidas também. No entanto, o romantismo que deu o tom da conexão entre cada um de nós é silenciado aos poucos.

muito barulho lá fora, literalmente. Talvez a gente não tenha percebido, mas são vários os estímulos que nos fazem esquecer daquela lição inicial que poderíamos ter aprendido. Outras preocupações passam a dominar nossos pensamentos.

E não tem a ver com o “novo normal” decorrente da pandemia. É o que se pretende normalizar em nossa vida cívica. Mentiras, desinformação, negacionismo, intolerância, preconceitos, discriminações, autoritarismo.

Em meio a milhares de mortos, centenas de milhares de contaminados e vários novos hábitos para quando pudermos sair à rua novamente, ainda somos provocadas a pensar no que será de nós enquanto sociedade. E não é por causa da pandemia.

Hoje, domingo, 31 de maio de 2020, não sou capaz de especular como deverá ser a vida em sociedade daqui pra frente. Mas tenho desejos. Muitos.

O principal deles é que consigamos tirar do jogo aqueles que não concordam com suas regras. E que, quem aceite fazer parte do jogo da democracia, não usurpe suas máximas em proveito próprio.

Eis o meu segundo desejo: que possamos, enfim, nos comportar como uma sociedade que entende seu potencial enquanto conjunto. Somos parte do todo. A engrenagem só funciona porque tem um pouco de cada uma de nós ali.

Isso vai desde cuidar da nossa saúde mental, para não descontarmos injustamente no outro, a usar máscara nos dias de resfriado para não contaminarmos o ônibus, o metrô ou o escritório. Passa também por apontarmos uma situação inadequada aos valores de igualdade e respeito ao indivíduo. E ainda por reivindicarmos nosso direito à liberdade e aceitarmos as consequências de nossas escolhas, sem responsabilizarmos o outro se algo não sair como imaginado.

O que desejo pra vida em sociedade daqui pra frente é que nossa voz não seja calada, nem por nós mesmas nem por terceiros. Que os mais fortes sejam pelos mais fracos; que quem tenha mais divida com quem tem menos; que sejamos corajosas para lutarmos e realizarmos aquilo que acreditamos.

O que você deseja?


Se você se identificou com esse texto, aproveite para assistir às nossas lives do #especial5anos sobre o que vai ser do nosso mundo depois que a pandemia passar: na moda, na gestão do dinheiro, nas relações de trabalho, nas relações sociais e com nossa espiritualidade.

3 comentários sobre “Como deverá ser a vida em sociedade daqui pra frente?

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