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Agora são delas: 4 itens do guarda-roupa masculino usados pelas mulheres

Por vezes já me questionei como se deu o processo de abandono daqueles vestidões megaelaborados para incorporação de peças mais descontraídas e práticas no guarda-roupa feminino (mas agora é *guardarroupa*, né?). As coisas ficam mais esclarecidas quando a gente lembra que logo na virada de século XIX para o XX existiu uma guerra, os homens precisaram defender o país e as mulheres foram requisitadas a assumir funções antes de responsabilidade masculina. As moças começaram a usar macacões, calções, túnicas longas, saias até o tornozelo e paletós com corte masculino, por exemplo. A influência da guerra era tão forte, inclusive, que as peças de alfaiataria tinham até detalhes militares.

Mas uma referência muito clara que se pode ter para essa mudança de comportamento – passar a inserir peças do guarda-roupa masculino no feminino – é Coco Chanel. Não tem jeito. A inspiração foi mesmo a indumentária mais descomplicada: suéteres, trajes esportivos. Antes de listar alguns itens, só mais uma info: em 1966, Yves Saint Laurent inaugurou uma boutique com terno desenhado especialmente para o corpo feminino, indo contra o establishment do “new look“.

Hoje vemos que muitas peças que usamos têm como referência um estilo mais descomplicado proposto mais vezes para os homens. Isso não quer dizer que eles sejam melhores ou sequer reforça alguma espécie de supremacia masculina sobre o sexo feminino (aviso aos navegantes!!). Entre os itens, me chama a atenção os sapatos oxford, que calçaram os homens ainda no século XIX. Vieram depois os sapatos de amarrar e com bico arredondado, que se assemelham aos modelos que fazem o pé de muitas moças hoje em dia. O modelo agora vem repaginado, com salto flatform, vazados, detalhes em corda…

Foto: Pinterest
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Particularmente, a surpresa veio com as calças largas, no estilo oxford bags. São pouco justas ao corpo e me lembram as pantalonas e pantacourts de hoje em dia – mas só lembram, por serem folgadas ao longo da perna. Elas são um pouco diferente das calças boca de sino porque em nenhum momento elas se ajustam às pernas, são sempre bem soltinhas, tipo saco mesmo! As calças largas foram adotadas em 1930 pelas moças que optavam por um look do dia mais informal, compondo ainda o visual com blusões e chapéus de palha de abas largas. Ah! Uma coisa: na ocasião, eram usadas com salto tipo anabela. Vê se não é assim que a gente usa a pantalona de hoje em dia?

Foto: Pinterest
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O blazer é outra peça masculina que foi perfeitamente inserida no closet feminino. Ele apareceu listrado, sorrateiro nos passeios de barco quando estes se tornaram uma opção de lazer. O nome surgiu da cor vermelha, que era bem viva. Pouco depois do início do século XX, os blazers foram usados nas cores dos clubes de remo, tênis e críquete, se configurando no estilo informal de verão. Do lado de cá da força, a peça é um coringa para conferir mais formalidade ao look descontraído, né?! Há aqueles em cores mais tradicionais, como o preto, um branco talvez. Gosto da ousadia de quem usa o blazer com terceira peça pra ir ao cinema, por exemplo, combinado com um shortinho e tênis. Personalidade, não?!

Foto: Pinterest
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E por falar em ousadia, vou terminar essa lista com um acessório que poucas pessoas usam aqui em Salvador. Na real, tenho pra mim que elas começaram a se interessar por isso depois da moda boho, na pegada festivais de música. Chapéu, né, mores? Especificamente, o chapéu-coco (também conhecido por bowler, derby ou billycock), o mesmo usado por Charles Chaplin. O acessório de 1850 possui uma copa arredondada e forrada em feltro, endurecida com goma-laca. No visual feminino pode fazer referência a uma pegada mais rock’n roll, talvez?! Mas cheia de personalidade, sim, e uma boa dose de estilo.

Foto: Pinterest
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Curiosa, jornalista e libriana. Mestranda no PósCom/Ufba, interessada nos valores - os meus, os seus, os de notícia e os humanos. Se piscar o olho, o cochilo vem, mas os olhos sempre estão abertos para uma série ou outra que desperte o interesse.

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