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Afro Fashion Day conta história ao homenagear blocos afro: Ser baiano é muito massa!

O que se fala no mercado de moda é que os desfiles precisam se reinventar. Não é mais o lugar direcionado única e exclusivamente para que sejam apresentadas as tendências de roupa, beleza e acessórios para empresários do ramo. Com disseminação potencializada pelas redes sociais, a moda se tornou interesse de muita gente. Aliás, gente pra caramba. E a gente gosta é de se surpreender, se emocionar. Os desfiles precisam, de fato, se reinventar.

A 5ª edição do Afro Fashion Day, que aconteceu neste sábado (30), no Terreiro de Jesus, Centro Histórico de Salvador, acertou nisso. Um desfile que mexia com os sentidos e a imaginação do público desde o início, quando Filhos de Gandhy surgiram pelas laterais da passarela para dar início ao espetáculo.

Era o primeiro de cinco blocos, naquela concepção que de imediato vem à mente dos baianos. Era Carnaval. Mas também era Bahia pura e simplesmente: negra, colorida, festiva.

O Afro Fashion Day desse ano homenageava blocos afro de Salvador (Filhos de Gandhy, Muzenza, Malê Debalê, Cortejo Afro e Olodum) e as coleções, produzidas exclusivamente para o desfile, foram apresentadas conforme cada bloco. Antes dos modelos irromperem na passarela, um espetáculo que casava a tradição da percussão com a modernidade do eletrônico na trilha sonora. O sentimento foi um só: é muito massa ser baiano!

A história foi contada, assim como o produtor de moda e curador do desfile, Fagner Bispo, planejava.

“Desde a segunda edição eu queria falar muito de percussão. Acabava que surgia outros temas e a gente foi deixando meio que de lado. Esse ano, eu disse: “Não, a gente tem que fazer alguma coisa relacionada a percussão!”. Só que eu não queria falar simplesmente da percussão, e percebi que os blocos afros tinham isso em comum. Além disso, tem a estética, que todos têm um trabalho de estamparia que é muito característico e que a gente só vê no Carnaval. Durante o ano, a gente meio que vê tecidos que vêm da África, tecidos africanos, e esse material [dos blocos] é tão bonito quanto. A gente resolveu homenagear os blocos afros e trabalhar em cima da estética deles, da estamparia”, contou.

O trabalho desenvolvido pelas 45 marcas envolvidas na elaboração das peças impressiona. Difícil imaginar que elementos carnavalescos pudessem se adequar tão bem à vestimenta do dia a dia. Os colares dos Filhos de Gandhy como ponto de atenção no look masculino coordenado por calça e blazer; a toalha que deixa de ser turbante para virar uma bolsa; e o turbante, que é substituído por um tecido amarrado à cabeça e destacado pela tradicional pedra azul

Difícil não perceber uma proposta ousada para as mulheres, que davam corpo a calças sob vestidos inspirados em robes; blazer como peça-chave do look, sem blusa ou mesmo sutiã por baixo; fendas que conferiam movimento às saias. Impressiona também a riqueza de peças como o vestido estampado sob uma capa de contas com as cores usadas pelo Olodum. Os acessórios desse desfile foram os meus favoritos, porque aliam a tradição que a banda representa para a Bahia e a versatilidade de poder usar no cotidiano.

É a história: olha como somos ricos em referência, olha o tanto que temos; olha como ser baiano é massa!

quem é Teté

Curiosa, jornalista e libriana. Mestranda no PósCom/Ufba, interessada nos valores - os meus, os seus, os de notícia e os humanos. Se piscar o olho, o cochilo vem, mas os olhos sempre estão abertos para uma série ou outra que desperte o interesse.

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