Comportamento Moda Opinião

A Barbiezinha tem que usar salto para estar arrumada?  

Essa é a pergunta que não quer me calar desde cedo, quando já era notória minha preferência pelas rasteirinhas e flats aos grandes saltos. A gente aprende desde muito cedo que a Barbiezinha precisa estar de salto alto para parecer arrumada, né? De fato, sapatos com essa característica dão um tchan ao look, delineam nossos atributos, potencializam a sensualidade feminina.

Mas de que servem esses benefícios, se esta não é a representação do que somos de verdade?


Já cansei de ouvir gente me dizer que eu tinha que esquecer um pouco minhas sapatilhas e rasteirinhas para dar espaço a sandálias mais altas, por serem mais femininas. Não caiam nisso. Por mais que tenha sido convencionado que as mulheres precisam sofrer para estarem bonitas e alcançarem esse ideal de feminilidade, seja a primeira a levantar a bandeira do conforto para si mesma, em busca dessa desconstrução.

Vivemos um tempo em que a criatividade parece ter aflorado em maior intensidade nos estilistas, consultores de moda, influenciadores. As alternativas para compor um traje mais arrumado são muitas e o look não depende mais do salto como determinante: tecido, recorte, caimento, joias, bolsas, make, cintos, terceiras peças, cor. Percebe como o leque de possibilidades é grande?


É só fugir do óbvio. É só deixar o conjunto harmonioso. E isso independe do tamanho do seu salto. A gente precisa rever esse conceito pré-determinado, que desde cedo atinge nós, moças, quando nossas Barbies já vinham na ponta dos pés, pronta para os sapatos de salto.


Ainda vêm, né. E, ok, sei que é querer muito da boneca que mais representa a chamada ditadura da moda, mas fica aqui registrada minha expectativa que a tendência do conforto seja absorvida por essa indústria. Uma busca rápida no Instabram da Barbie e já notei algumas referências pingadas. Será um bom sinal?

Ah! Muitos dos looks ficariam muito bem sem salto alto. Mas isso eu vou deixar pra uma próxima conversa. 😘

quem é Teté

Curiosa, jornalista e libriana. Mestranda no PósCom/Ufba, interessada nos valores - os meus, os seus, os de notícia e os humanos. Se piscar o olho, o cochilo vem, mas os olhos sempre estão abertos para uma série ou outra que desperte o interesse.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *