12 mulheres que fizeram história na moda pra gente se inspirar

12 mulheres que fizeram história na moda pra gente se inspirar

Neste domingo, 8 de março, quando celebramos o Dia Internacional da Mulher, decidimos homenagear mulheres que têm ou tiveram papel importante no mundo da moda. De estilistas a ícones de estilo, trazemos um pouco da história de cada uma que potencializa essa indústria tão presente em nosso cotidiano.

Confira abaixo as 12 mulheres que são parte do que hoje conhecemos como moda, no Especial Mulheres da Moda.

Donatella Versace

É comparada à imagem da Medusa, personagem da mitologia grega que estampa o logotipo da Versace. Possui imagem fria, distante e agressiva, construída pelos longos cabelos platinados, olhos marcados e lábios carnudos. Está como diretora criativa da Versace há 20 anos, desde quando foi obrigada a lidar com a ausência do irmão, Gianni Versace, morto em 1997. Donatella Versace é símbolo de elegância e luxo, sem dúvidas.

Sob seu comando, a Versace quase dobrou suas receitas entre 2006 e 2016, saindo de 210 milhões de euros para 600 milhões de euros, segundo informações da GQ Magazine. Em 2018, a norte-americana Michael Kors Holdings comprou a grife italiana numa transação de quase 2 bilhões de euros. Donatella segue à frente da criação da Versace.

Em entrevista recente à plataforma fashion SSENSE, Donatella contou que não soube lidar com a pressão da indústria tão logo assumiu a grife. Nesse tempo, viu na cocaína uma válvula de escape. “Cometi um erro atrás do outro e tentei dar às pessoas Gianni. Mas nunca era Gianni o suficiente. Toda vez que eu tentava dar às pessoas algo novo, elas balançavam a cabeça dizendo ‘O que ela está fazendo agora?’”, contou. Somente após sete a oito anos que Donatella se viu forte o suficiente para seguir os passos do irmão.

O ponto de virada de Donatella veio mesmo em 2004, quando ela deu início ao tratamento contra as drogas, no aniversário de 18 anos da filha Allegra. Depois de cinco semanas na reabilitação, ela chegou a continuar fumando, mas em 2010, recebeu um veredito da filha: ou parava de fumar, ou nunca mais a veria de novo.

Apesar dos baixos que passou para manter a Versace de pé, Donatella parece se orgulhar dos 20 anos no comando da grife. Seu ideal feminino acompanha a atual fase das mulheres: possui emprego, mas cuida da casa; glamour sem exagero; roupa versátil para usar tanto às 7h da manhã quanto às 7h da noite. Segundo a própria: “um espartilho para sua confiança, não um meio de provocação”.

Anni Albers

Nome feminino mais importante na Bauhaus e considerada a por estudiosos da tapeçaria a fundadora da categoria “artista têxtil”, Anni Albers foi a primeira tecelã da modernidade a reivindicar à criação de um tecido o status de arte, ao fazer peças de tear para serem pendurada nas paredes.

Nascida Annelise Fleischmann em 1889, herdeira da família Ullstein, dona de uma gráfica e de um jornal na Alemanha, foi a estudante mais rica a ser aceita na Bauhaus, em 1922, de acordo com uma reportagem publicada pela Vogue Brasil em dezembro de 2018. A jovem alemã abriu mão do conforto da família para tentar uma vaga na universidade. Tarefa um tanto complicada, afinal, foi recusada em algumas aulas por ser mulher. Vejam só.

Quem a ajudou, a pedido de amigos, foi o professor Josef Albers, com quem a tecelã se casou três anos depois, quando adotou o nome Anni Albers. Os dois mudaram-se para os Estados Unidos depois que o regime nazista fechou o terceiro endereço da Bauhaus, onde lecionavam.

Apesar da forcinha que recebeu do então professor, Anni era destaque por si só. Na oficina de tecelagem da universidade, aprendeu a experimentar possibilidades dentro da estrutura básica de tecelagem e design têxtil, se tornando um dos membros de destaque do grupo.

Anni também deixou sua marca na Bauhaus com a integração do modernismo abstrato nas tecelagens têxteis e ao introduzir novas tecnologias na oficina. Sua pesquisa sobre fibras sintéticas e celofane na criação de painéis acústicos influenciou a fabricação de painéis semelhantes, levando a inovações no design de teatro.

Anni também foi a primeira designer a ter uma exposição individual no Museu de Arte Moderna de Nova York, em 1949. Mas sua relação com o museu não começou ali. Em 1938, a artista têxtil colaborou com a exposição ‘Bauhaus 1919-1928’, bem como escreveu um artigo no catálogo da exposição.

Segundo a tecelã, que também era professora e escritora, os estudos na Bauhaus promoveram uma espécie de acervo, que posteriormente se tornaram referência para encomendas. Os tecidos pouco comuns criaram um novo estilo, e aos poucos o mundo dos museus despertou para a aquisição desses tecidos.

Recentemente, Anni foi inspiração de uma coleção-cápsula de tricôs e cachecóis do estilista britânico Paul Smith. À Vogue, ele explicou por que ter na alemã sua musa inspiradora: “Anni compensou toda a frustração de não ter virado arquiteta ou pintora na tapeçaria. Conhecia a técnica como ninguém, mas acima de tudo tinha um olho maravilhoso para cores e suas combinações”. Anni morreu em maio de 1994, em decorrência da sua idade.

Miuccia Prada

Feminista e de esquerda, membro do partido socialista italiano, até que nos anos 70 precisou assumir os negócios da família, que hoje rende 5 bilhões de dólares ao ano. Miuccia Prada é uma das estilistas mais importantes da atualidade. Não só pelo que faz, mas pelo que já fez.

Doutora em ciências políticas, produtora de filmes, estudante de arquitetura e teatro, Miuccia reinventou a feminilidade e transformou o conceito de belo. “Quando comecei, a moda era um lugar onde a vida real era algo impensável. No cinema, você via lixo, beleza, maldade. Mas o mundo da moda ainda falava de uma beleza completamente conservadora. Então quis apresentar algo que era real, estava presente em todas as artes. Na época, soou muito estranho”, contou Miuccia, em uma entrevista à Vogue Brasil no ano passado. O conceito da Prada sob seu comando, então, ficou conhecido como “ugly beauty” ou “wrong chic”.

Fundada como marca de artigos de couro, foi com Miuccia que a Prada cresceu: em 1979, lançou a primeira coleção de sapatos; em 1988, foi a vez das roupas; a operação da grife foi expandida para Nova York, Londres, Paris e Tóquio. Seu marido Patrizio Bertelli, designer de bolsas e sapatos, esteve ao seu lado também nos negócios, e hoje ocupa a direção executiva do grupo.

Segundo relatos, Miuccia Prada considerava que ser estilista era o pior que poderia acontecer a uma mulher feminista e de esquerda. Por isso levou a grife à utilidade: criou a Fundação Prada, onde defende e incentiva a arte contemporânea; e transformou suas lojas em centros culturais. Sua grife, inclusive, dá nome ao sucesso ‘O Diabo Veste Prada’, sobre o qual ela teria comentado que ficou apavorada com o livro, mas achou o filme divertido.

Ter alguma informação mais pessoal sobre a “Signora Prada“, como é conhecida, não é tarefa simples. Miuccia é apontada como discreta, que dispensa qualquer autopromoção. Raramente dá entrevistas, não tira fotos, e vê-la na passarela ao final dos desfiles é quase difícil.

Mas a italiana não precisa verbalizar qualquer coisa, uma vez que as peças de suas coleções femininas falam por si só: a visão que ela tem do mundo, geralmente uma visão que contraria o convencional, e que se mostra relevante para aquele momento. Esta é a parte séria, “de trabalho”. Porque Miuccia parece se divertir mesmo na MiuMiu, marca que criou em 1993 e batizou com seu apelido de infância.

Coco Chanel

Personalidade forte, inventiva, revolucionária. Quem diria que a pequena Gabrielle Bonheur Chanel deixaria uma pequena vila de Saumur, na França, e construiria o império que leva seu nome?

Dona de uma história de superação, mas sem qualquer coitadismo, Chanel ficou órfã de mãe aos seis anos, foi levada pelo pai junto com os irmãos para um orfanato, onde morou até quase os 20 anos. Gabrielle aprendeu a costurar na loja de tecidos onde trabalhava. O apelido, Coco, veio da música “Qui qu’a vu Coco”, que costumava cantar em um cabaré.

Seu primeiro negócio foi uma chapelaria, aberta em 1914 em Paris. Pouco tempo depois, Chanel se tornou popular entre as mulheres francesas, devido ao seu estilo particular de encarar a figura feminina. A começar pelos próprios cabelos curtos – corte mais visto entre os homens. Chanel também inovou a moda feminina ao descartar o estilo “belle époque” e suas anquinhas, espartilhos, todos aqueles adereços que deixavam claro o limite entre o masculino e o feminino.

Chanel se inspirava no armário masculino para produzir as peças que vestiria a si mesma e, consequentemente, as mulheres que a seguiam. A silhueta simplificada era marca das suas coleções. Também é sua marca registrada a combinação de azul-marinho e branco. Ainda, o uso do jérsei na produção de roupas femininas.

Outro elemento difícil de dissociar da grife que leva o nome de Coco Chanel é o tweed. Conjuntos de cardigã com bolsos aplicados e saias pregueadas ainda estão presentes nas coleções por tanto tempo assinadas por Karl Lagerfeld. A lista de referências a Chanel só cresce: também partiu dela a ideia do vestido preto básico, tão chique e simples.

O filme ‘Coco antes de Chanel‘ ilustra bem cada passo dado por esse ícone da moda. Até mesmo sua arrogância, que podemos facilmente questionar se não era mero excesso de autoconfiança. Por outro lado, Chanel flertava com o desprezo a concorrentes, como Elsa Schiaparelli – que também aparece aqui neste Especial –, a quem se referia como “a artista italiana que faz roupas”. Para entender um pouco mais a relação entre as estilistas, vale assistir ao episódio Coco Chanel x Elsa Schiaparelli, da série ‘Face2Face‘, distribuída pela Netflix.

Essa altivez não veio do nada. Chanel se via como uma mulher que era a moda, por ter inventado o bronzeado e dado seu toque a itens como decotes canoa, slingbacks, sapatos bicolores, suéteres e pérolas, blazers, chapéus de palha, boinas, roupas de banho, blusas branca sob conjuntos azul-marinho, bolsas com correntes douradas. Sua simplicidade e luxo característicos foram representados pelo perfume Chanel Nº 5, em 1921.

Já em 1939, a Maison Chanel fechou por causa da II Guerra Mundial, depois que Chanel se tornou amante de um oficial alemão. Os franceses a condenaram e a exilaram, segundo informações históricas. A casa voltou a abrir em 1954. Nos anos 1960, foi restabelecida como grife da alta-costura – e permanece até hoje, com seus quatro ateliês.

Iris Apfel

Alguém que irradia criatividade e inspiração. É assim que o presidente da agência IMG, Ivan Bart, vê Iris Apfel. No auge dos seus 97 anos, assinou ano passado com a agência que tem em seu casting Gigi Hadid e Gisele Bundchen.

Empresária, designer de interiores e ícone da moda, Iris é uma figura que não passa despercebida: os cabelos são brancos como algodão; os óculos de armação grossa e arredondada escondem seus olhos azuis; os lábios carnudos não dispensam o batom vermelho. Uma diversidade de cores envolve o corpo que já viajou o mundo!

É que Iris vivia a viajar com o marido, Carl Apfel, morto em 2015 aos 100 anos, em busca de tecidos para assinar projetos das celebridades mais famosas. O casal administrava a empresa têxtil Old World Weavers, fundada em 1950. Mas o que marca mesmo a carreira de Iris é a relação da empresária com a Casa Branca: foram nove projetos de decoração no centro do poder americano.

Vocês percebem que Iris não está aqui à toa, ou “só” porque recém assinou um contrato de agenciamento com uma grande empresa. Ela também é apontada como uma das primeiras mulheres a usar calça jeans – isso mesmo, aquela peça que usamos quase todo dia pra ir trabalhar! – nos Estados Unidos. Não é pra qualquer uma, moças.

E também não é pra qualquer uma ter suas roupas e acessórios expostos no Metropolitan Museum of Art. Iris é a primeira pessoa viva que não era designer a alcançar esse feito. Em 2005 foi lançada a exposição ‘Ave Rara: A irreverente Iris Apfel’, traduzido em português. De acordo com a revista Glamour, a ideia inicial era que fossem expostos cinco looks, numa pequena galeria. No fim das contas, a exposição contou com mais de 80 looks e 150 mil visitantes.

De lá pra cá, a icônica Iris Apfel tem sido estrela de grandes homenagens. Em 2014, o diretor Albert Maysles lançou o documentário sobre a vida de Iris, que leva seu próprio nome como título. Quatro anos mais tarde, Harper Collins lançou a biografia ‘Iris Apfel: Accidental Icon‘. Você pode conhecer um pouco mais dessa figura seguindo-a nas redes sociais: @iris.apfel.

Elsa Schiaparelli

Se existe uma pessoa responsável por manter a moda em contato direto com a arte, essa pessoa é Elsa Schiaparelli, ao flertar com movimentos artísticos e participar da roda de artistas da época, como Marcel Duchamp e Jean Cocteau. Foi para a italiana de família rica e aristocrática, por exemplo, que Salvador Dalí desenhou tecidos. Mas não é só por isso que Schiaparelli está nesse Especial Mulheres da Moda. Sua importância vai além.

A começar por sua relação com outra estrela da época, Coco Chanel. Ao contrário da sua rival, Schiaparelli veio de uma família estruturada, que lhe permitiu estudar e viver aventuras; ela se casou com o filósofo e jogador Willy de Kerlor, teve uma filha, e se mudou para Nova York. Enquanto Chanel apostava em roupas funcionais, Schiaparelli investia em peças surrealistas e exóticas.

De acordo com um perfil publicado na Folha de S.Paulo, algumas delas foram criadas com o próprio Salvador Dalí, como o famoso chapéu-sapato, a bolsa-telefone, o tailleur-escrivaninha com bolsos em formas de gaveta. A inspiração surrealista a levou à inovação nos materiais utilizados: zíper, crepe de seda, celofane, fibra sintética.

Um dos legados mais marcantes deixados por Schiaparelli é a criação do rosa shocking. Isso mesmo: aquele tom de rosa forte e vibrante que conhecemos hoje é fruto do trabalho de Schiaparelli, que é pouco – ou quase nada – reverenciado no mainstream da moda. O mesmo nome da cor, shocking, foi usado para dar nome ao seu perfume, lançado em 1938 e que lhe conferiu fama mundial naquela época.

Um pouco mais dissociado da moda, é preciso reconhecer a mulher que foi Schiaparelli. Quando seu casamento chegou ao fim, a estilista se mudou para Paris com a filha, diagnosticada posteriormente com paralisia infantil. A amizade que desenvolveu com o estilista francês Paul Poiret a fez tomar gosto pela moda – e ser a pessoa que se tornou anos mais tarde.

Dez anos depois de sua entrada no mundo da moda, Schiaparelli tinha mais de 2 mil empregados e 26 oficinas. Uma das primeiras boutiques de alta-costura foi aberta em 1935, após se mudar para a place Vendôme, em Paris.

Schiaparelli decidiu fechar sua maison na transição entre os anos 1930 e 1940, quando os alemães invadiram a França, ocasião da Segunda Guerra Mundial. Com isso, a estilista foi para os Estados Unidos, onde fez uma série de palestras, até voltar à França em 1945.

No retorno, enfrentou a febre do “New Look” de Christian Dior, mas percebeu que aquela fase não era pra ela. O negócio continuou até 1954, quando Schiaparelli o encerrou e foi se refugiar na Tunísia.

Ela morreu em 1973, aos 83 anos. Antes de sua morte, lançou a autobiografia “Shocking life”, onde registrou suas memórias.

Maria Grazia Chiuri

Quase 70 anos de grife e uma mulher só veio assumir a direção artística da Dior em 2016. Só por isto Maria Grazia Chiuri deixa seu nome na história, e garante um lugar aqui no Especial Mulheres da Moda. Assim como todas as outras mulheres deste especial, há mais por trás de um rótulo recebido pela designer. E tem tudo a ver com a virada feminista que tem ocupado passarelas e vitrines nos últimos anos.

A primeira coleção da italiana à frente da Dior foi com o desfile de verão 2017, na Semana de Moda de Paris, em setembro de 2016. Na ocasião, Chiuri levou para as passarelas a dicotomia masculino versus feminino: delicadeza versus brutalidade; claro versus escuro; transparência versus cobertura; curto versus longo. O destaque foi a camiseta com a frase: “We should all be feminists”, traduzido do inglês “Nós todos deveríamos ser feministas”.

A camiseta na passarela parece ter sido o aviso de Chiuri à indústria sobre o que esperar da Dior dali pra frente. “O feminismo para mim é sobre igualdade de oportunidades. Se vou representar algo, gostaria de defender esta ideia: se você é uma mulher, pode ter essas oportunidades na vida”, disse ela, em uma entrevista ao The Guardian, logo após assumir a grife.

E Chiuri sabe bem do que fala. Sua carreira de 25 anos foi construída na Fendi e na Valentino – tudo isso em paralelo ao casamento e à criação dos filhos. Na Valentino, inclusive, ela dividiu por 8 anos a direção de criação com Pierpaolo Piccioli. Juntos, acumularam para a grife receita de 1 bilhão de dólares em 2015, segundo o site Business of Fashion.

O que a fez ser requisitada para a Dior teria sido seu histórico com acessórios, sendo eles parte fundamental do crescimento das vendas de luxo. Chiuri é reconhecida também por saber vestir celebridades para os tapetes vermelhos, ocasião em que as peças ganham destaque na mídia em geral, não apenas naquela especializada em moda.

Naquela mesma entrevista ao Guardian, Chiuri disse que preferia ver a feminilidade, marca da Dior, com o que é ser mulher hoje. Assim como ela mesma se faz parecer: cabelos platinados, maquiagem escura e bem marcada nos olhos; aposta no minimalismo que passeia pela alfaiataria, cores sóbrias, recortes retos, pouca ou quase nenhuma estampa. É uma mulher que atualiza para as necessidades atuais o “new look” Dior – com o fim da Segunda Guerra Mundial, Christian Dior resgatou a silhueta marcada, o excesso de tecidos, a delicadeza que se atribuía parte indissociável da mulher.

A designer segue à frente da marca francesa e recentemente teve muito o que comemorar: algumas criações da estilista foram exibidas no Victoria and Albert Museum, em Londres, na mostra ‘Christian Dior: Designer of Dreams‘.

Stella McCartney

“Não é a estilista que mais vende, nem a mais imaginativa, mas seus valores a colocam muito à frente na construção da moda do futuro”. Foi assim que uma reportagem da FFW definiu Stella McCartney, estilista e ativista que se destacou na indústria por causa de escolhas peculiares.

Filha do ex-Beatle Paul McCartney e da fotógrafa Linda McCartney, Stella herdou da mãe a preocupação com a sustentabilidade que dá cara à sua grife. Também vem da infância a atenção que dá a um consumo mais ético. Segundo a plataforma de notícias fashion, a designer cresceu em uma fazenda na Escócia, onde as pessoas comiam vegetais que elas mesmas plantavam.

Apesar dos anos que passou sendo ridicularizada por seus hábitos – e que hoje estão “na moda” –, a estilista sempre se manteve firme com seus valores. Não é de agora, por exemplo, que ela tem uma pessoa com chefe de Sustentabilidade e Comércio Ético.

Em sua grife, McCartney nunca usou couro, pele, pelo ou penas naturais. Em sua segunda coleção, passou a usar algodão orgânico, o que depois deu espaço para sedas, lãs e poliéster reciclado. Essa postura sustentável é recorrente e McCartney parece estar sempre atenta às novidades.

E não falamos isso à toa. Já rolou uma colab com a startup Bolt Threads, criadora do Microsilk, um material biológico que imita a seda real feita por aranhas. O tecido tem previsão de entrar no mercado só em 2021, mas McCartney já criou um vestido com o material, para ser exposto no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Também foi Stella McCartney que desenvolveu com a Adidas um tênis que pode se dissolver e voltar para a terra.

É, isso mesmo!

O Future Biofabric Shoe foi criado depois que a designer conheceu os males do PVC, um dos plásticos mais tóxicos que existem. McCartney ainda foi a primeira designer de moda de luxo a banir a prática de cortar árvores para produzir viscose – sendo ela também a primeira a romper contrato com um produtor da fibra.

Outra coisa: a designer desenvolveu com a ONG Parley for the Ocean uma fibra feita a partir de plástico retirado dos oceanos. Não dá pra ignorar também a parceria com o projeto Ocean Legend, em que foi desenvolvida uma bolsa usando poliéster reciclado feito de garrafas de plástico encontradas no oceano.

As escolhas sustentáveis, no entanto, não tiram das peças criadas por McCartney a alcunha de desejáveis, contemporâneas e bonitas. E fogem do clichê da “moda ecológica”, em que são típicos crochês, bolsas de pano e papetes. McCartney tem investido na biotecnologia e em alternativas, tipo o micélio, parte da raiz do cogumelo, como matéria-prima para um tecido que se assemelha ao couro.

Uma reportagem do Glamurama diz que Karl Lagerfeld não gostou de ser substituído por McCartney na direção criativa da Chloé, quando ele deixou a marca. O designer teria dito que a marca “deveria ter escolhido um nome maior”. Parece que “o nome” cresceu, não é mesmo?

Marlene Dietrich

Espírito de sedução, foco de volta para as curvas femininas. Os anos 1930 trouxeram reflexos da quebra da bolsa americana, mas nem por isso a vontade do luxo se esvaiu. As estrelas de cinema dependiam da preservação de uma imagem glamurosa. E Marlene Dietrich sabia disso. Mas ela sabia também que os trajes masculinizados lhe conferiam um ar curiosamente sexy.

A estrela de Hollywood foi uma das que marcaram a cena ao vestir calças largas de bainha inglesa, paletós e boinas. Foi ela quem apresentou uma alternativa à imagem feminina. Uma reportagem do The Telegraph diz que, ao desviar o olhar do que era considerado popular na época, Marlene tornou-se um desafio para aqueles que esperavam por uma visão diferente da moda. Há quem diga até que foi esse estilo da atriz que inspirou Coco Chanel e Yves Saint-Laurent.

Na ocasião, Marlene chegou a dizer que se vestia pensando na imagem – não para ela, nem para o público, nem para a moda, nem mesmo para os homens. Declaração curiosa, polêmica até, mas não surpreendente para a pessoa de personalidade forte que demonstrava ser.

Marlene Dietrich na verdade era Marie Magdalene Dietrich, nascida em dezembro de 1901, em Berlim, na Alemanha. Aos 11 anos, a menina adotou o pseudônimo que resultava da junção dos seus dois nomes.

A carreira de Marlene no cinema e no teatro começou em 1922, e passou por uma pausa de dois anos, consequência do nascimento da filha Maria Elizabeth Sieber, em 1924. A atriz foi consagrada mundialmente depois de ter feito o filme ‘O Anjo Azul’, de Josef von Sternberg. O sucesso da personagem Lola levou Marlene a Hollywood, onde se firmou o “Mito Marlene”.

Mas estamos aqui para destacar o lado “mulherão da zorra” de Marlene. Até porque uma pessoa que flerta, ainda que discretamente, com a androginia nos anos 1930 e quebra a expectativa quanto ao comportamento de uma estrela de Hollywood não é qualquer coisa.

Veja só: o governo nazista que ascendia na Alemanha naquela época fez com que Marlene evitasse contato com sua terra-natal e, consequentemente, ganhasse cidadania estadunidense. Os alemães a convidaram pra voltar, mas ela não só recusou, como criticava o governo fascista e ajudava emigrantes judeus. A femme fatale que trocou vestidos por calças largas só retornou à Alemanha em 1960, após a Segunda Guerra, com apresentação em algumas cidades do país.

Marlene saiu de cena em definitivo o final da década de 70, quando sofreu uma segunda fratura na perna. Em 1982, o diretor e produtor Maximilian Schell interrompeu o isolamento da atriz, em Paris, para gravar o documentário “Marlene”, estreado dois anos depois. A estrela, no entanto, não aparece – apenas sua voz. Na década seguinte, em 1992, Marlene faleceu, aos 90 anos. Existe a possibilidade de a morte ter sido causada por superdose de remédios.

Dez anos após sua morte, Marlene recebeu o título de cidadã benemérita de Berlim.

Carry Somers

Empreendedora social e ativista, criadora do Fashion Revolution Day. Carry Somers alcançou importância no mundo da moda e neste especial ao tornar relevante um episódio trágico da indústria: o desastre do Rana Plaza, prédio de oito pavimentos que abrigava fábricas têxteis, em Bangladesh.

A ideia de criar esse movimento começou tão logo o desastre aconteceu e Carry se via diante de clamores por uma indústria de moda mais ética. Em uma entrevista ao site do Fashion Revolution, ela contou que a inspiração para criar esse movimento surgiu durante um banho, dias depois da catástrofe, que aconteceu em 24 de abril.

“Eu relutantemente saí do banho e mandei um e-mail para a pessoa mais óbvia que eu poderia pensar para passar essa ideia, Orsola de Castro”, disse ela.

Essa ideia embrionária de Carry se tornou o movimento que está presente em cem países, e só na edição do ano passado engajou 275 milhões de pessoas, seja indo aos eventos, postando nas redes sociais, assistindo aos vídeos ou fazendo o download dos materiais disponibilizados no site do Fashion Revolution. Foram 173 mil posts nas redes usando hashtags do movimento, entre elas a que pergunta “Quem fez minhas roupas”.

Em uma entrevista ao TheTelegraph, a co-fundadora do movimento acredita que a transparência é uma das principais questões abordadas. Segundo ela, não dá pra começar a lidar com a exploração ambiental sem saber de onde vêm as roupas que compramos e usamos.

Mas a relação de Carry com a sustentabilidade não começou em 2013, com a queda do Rana Plaza. Nos anos 1990, em uma viagem de pesquisa para o Equador, na época que desenvolvia seu mestrado em Estudos Nativos Americanos, ficou inquieta com os padrões de comércio que encontrou. De um lado, a balança carregada de lã; por outro lado, a cobrança por um preço que em nada se relacionava com o preço por quilo.

Nas suas férias, voltou para o país, ajudou as cooperativas a adquirirem matérias-prima a granel e produziu, ainda que sem experiência de design, uma série de padrões de malha que esgotaram em seis semanas. Isso a fez desistir da vida acadêmica para se concentrar em melhorar as vidas de mais produtores.

E sua missão parece se cumprir com mais eficiência a cada ano em que se realiza o Fashion Revolution Day, a cada dia 24 do mês de abril. “Day” que não é só um dia, mas se estende por toda uma semana, com bate-papos, ações, exibições de filmes e workshops. Aqui no Brasil, aproximadamente 23 mil pessoas se engajam no movimento, necessário para os tempos de hoje.

Que tal procurar saber se sua cidade não está inserida e participar dessa revolução também?

Mary Quant

Pense naquele dia quente… Que bom que temos o comprimento mini para incluir no look do dia. Aliás, que bom que Mary Quant decidiu revolucionar o vestuário feminino ao criar a minissaia. Ah! Foi divertido usar hot pants no Calor que fez nesse Carnaval. Que bom que Mary Quant também criou essa peça, não é mesmo?

A designer britânica já fez muito nos seus 85 anos de vida. Esses dois marcos do vestuário são apenas símbolos do que Quant representa para a indústria da moda. Foi ela quem fomentou os movimentos de moda de jovens londrinos dos anos 50 e 60, trazendo formas divertidas e estimulando que aquele grupo se vestisse para si mesmo, agradar a si mesmo… Aquela coisa de que falamos ainda hoje.

É preciso observar que a iniciativa de Quant vem logo após o “New Look” de Christian Dior, que movimentou a Europa no Pós-Guerra. Imagina só que ousadia alguém propor a quebra do glamour por uma pegada mais divertida?

Naquela época, Quant abriu duas lojas Bazaar em dois anos; ganhou os prêmios Sunday Times International, Maison Branch Rex e Piavla D’Ora; foi selecionada Mulher do Ano em 1963, Companheira da Sociedade de Artistas Industriais (cujo prêmio de design ela também levou no ano de 1967) e como designer real da indústria. Conta-se que, por causa das saias de 30 centímetros, Quant abriu em poucos anos cerca de 150 filiais da Bazaar na Inglaterra, 320 nos Estados Unidos e milhares de pontos de venda em todo o mundo!

Quant também foi a primeira vencedora do prêmio ‘Vestido do Ano’, em 1963. Três anos depois, foi nomeada oficial da Ordem do Império Britânico, devido à sua contribuição para a indústria da moda. Também foi nomeada Dama-Comendadora da mesma ordem, mas isso em 2015. Duas autobiografias foram publicadas. A primeira, ‘Quant by Quant‘, de 1966. A segunda, ‘Mary Quant: autobiografia‘, em 2012.

Hoje vivendo na Grã-Bretanha, faz mais sucesso com a marca de cosméticos homônima, criada ainda nos anos 60. No ano passado foi anunciado que Quant ganharia sua primeira retrospectiva em um museu. A amostra ‘Mary Quant‘ foi exibida no último ano, no Victoria and Albert Museum, em Londres. Foram mais de 200 peças do arquivo da designer.

Diane von Furstenberg

Nascida Diane Simone Michelle Halfin, em uma família judaica sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, a estrela do episódio de hoje passou a ser Diane von Fürstenberg depois de se casar com o príncipe Egon von Fürstenberg – príncipe da nobreza alemã e herdeiro da Fiat por parte de mãe, segundo uma reportagem da Glamour. Economista e estilista, a belga naturalizada estadunidense tem um lugar marcado no mundo da moda por causa de alguns feitos, entre eles a criação do Wrap Dress, em 1974.

Uma reportagem da Marie Claire britânica define o vestido como “adequado para todos os tipos de corpor, que imediatamente nos faz sentir elegante e pronta pra todas as ocasiões”. Explica por que o modelo foi um sucesso internacional, usado por centenas de celebridades e mulheres como eu e você.

Em dois anos de inserção da peça no mercado, foram vendidas mais de um milhão de unidades do vestido. A peça, caso você ainda não tenha se situado, é aquele vestido envelope, com uma amarração lateral na cintura.

Tudo bem que a carreira de Diane começou como um passatempo, depois que viajou para Nova York no pós-divórcio. Mas seu desempenho à frente da marca homônima a transformou numa das mulheres mais poderosas da indústria, que assina produtos diversos: bolsas, malas, perfumes, lenços, óculos, cosméticos.

Diane abandonou o sucesso anos depois, ao vender parte de sua empresa para ir morar em Paris, onde trabalhou como editora. No retorno aos Estados Unidos, retomou a carreira de estilista ao perceber que mulheres garimpavam suas peças em brechós. Foi quando rebatizou a grife com suas iniciais, DVF, e a tornou internacional.

O wrap dress, inclusive, passou a ser vendido em diferentes tecidos, cores e versões. Daí pra frente foi só sucesso, claro. Famosas como Madonna, Gwyneth Paltrow, Jessica Alba e Jennifer Lopez já vestiram DVF, assim como a duquesa de Cambridge Kate Middleton e a ex-primeira-dama dos Estados Unidos Michele Obama.

Diane já foi premiada com diversos prêmios da indústria da moda, como o Prêmio de Excelência do American Accessories Council e uma medalha de ouro no Queen Sofia Spanish Institute Gold Medal Gala. Em 2005, ganhou um prêmio de vitalício do Council of Fashion Designers of America, o CFDA, que a elegeu presidente influente do conselho.

A designer também faz parte do conselho da Vital Voices, uma organização que capacita mulheres líderes emergentes e empreendedoras sociais. Ainda na filantropia, Diane atua como diretora da Fundação Família Diller-von Fürstenberb.

Quem quiser saber mais sobre a vida da estilista belga pode procurar o livro ‘Diane: A Signature Life‘, tema de uma exposição itinerante, com curadoria de André Leon Talley, intitulada ‘The Journey of a Dress‘. Diane também publicou outros livros, como ‘The Book of Beauty: How to Become a More Attractive, Confident and Sensual Woman‘, e a série ‘The Bad, Bath and Table‘.

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