Comportamento,  Opinião

Um piercing no septo e algumas razões para contar

Dia desses estava no ônibus voltando pra casa com minha amiga. Tínhamos acabado de sair do shopping e ela me contava a aventura que foi ter o piercing no nariz inflamado: sangue, muito sangue, muita dor e uma vergonha imensa de assumir por piercer que ela tinha mexido no acessório. Não lembro se ela me perguntou ou se a ideia veio na minha cabeça, mas logo pensei: ué, por que não?!

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Desde já adianto que nunca fui a fundo na vontade de ter um piercing. Houve uma época que estava super na modinha e eu queria colocar, mas meu pai sugeriu que eu esperasse. Vai que na profissão de jornalista ter uma joia no rosto seria um problema? Vai que… Aí nem toquei pra frente. Mas naquele dia, com minha amiga, voltei a me questionar e jogar pra cima essa questão do preconceito. E toda empoderada que estou, mas com toda vibe diferentona que sempre tive, quis ir além. Piercing no septo ainda é um pouco chocante, não é?

Como todas as coisas que costumam dar certo, decidi não espalhar a vontade por aí. Optei apenas por esperar o momento certo (o de ter a grana, no caso) para enfim executar minha vontade. Aconteceu há uma semana, dias depois de eu ter comentado no Twitter esse impulso. E digo impulso porque esta é uma coisa que veio de dentro, como se eu tivesse toda a certeza do mundo do que estaria fazendo. E tinha.

BIG DAY

Fui lá furar meu narizinho na Tattoo Art, no bairro da Pituba, aqui em Salvador. O piercer foi ótima, de uma mão super leve, sequer não senti dor. Claro que o fato de o furo ter sido na cartilagem favoreceu, mas talvez por isso mesmo algo inusitado me ocorreu: tive uma crise de espirros! HAHAHA Só que eu tinha tanto medo de me furar com aquela agulha presa no nariz que comecei a tossir, coisa de 1 min entre os 3 ou 5 que o broder gastou para colocar a joia. Mas deu tudo bem certinho, amém!

Quando cheguei em casa e mostrei a meu pai, ele olhou, olhou, olhou… Até que perguntou por que no septo e não no nariz, uma argolinha, como todo mundo. “Porque o septo choca mais, quebra esse rosto doce e de menininha que ainda tenho”, respondi. E a intenção é exatamente essa, chocar. Mostrar que o doce pode surpreender, caso seja subestimado; que a gente é bonita do nosso jeito, piercing ou acessório nenhum é determinante para qualidades ou defeitos. E, na real, esse contraste entre o meigo e o (ainda) agressivo é demais! Talvez há dois anos isso sequer tenha passado pela minha cabeça, mas que bom que mudanças existem, não é mesmo?!

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Hoje, uma semana depois de furar o nariz, me satisfaço com o que vejo no espelho e com o que passo. Aos pouquinhos me pego levantando bandeiras sem nenhuma intenção que não seja a de acreditar e defendê-las. Porque no final das contas é isso o que importa, né? Viver o que acredita, viver o que diz, agir mais do que apenas teorizar. Gosto!

Curiosa, jornalista e libriana. Mestranda no PósCom/Ufba, interessada nos valores - os meus, os seus, os de notícia e os humanos. Se piscar o olho, o cochilo vem, mas os olhos sempre estão abertos para uma série ou outra que desperte o interesse.

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