Todos temos um pouco de mar… Já parou para observar?

Praia nunca foi meu forte. Desde guria preferia piscina porque a areia grudando na minha pele me incomodava profundamente. Parecia que, por mais que você lavasse, sacudisse, batesse, a areia continuava ali. Hoje as coisas são diferentes – amém, maturidade – e por mais que eu ainda me agonie com aqueles grãozinhos, faço esse esforço pelo único prazer de estar perto do mar.

É, porque apesar de toda minha frescurinha, eu sempre gostei disso. Amava ir à Ponta de Humaitá sentar na estrutura próxima ao farol e acompanhar o movimento de vai-vem das águas. Ainda pequena, quando precisava pegar um ônibus que subia a Ladeira da Montanha, ficava atenta para sentar em um lugar cuja janela permitisse ver a Baía de Todos os Santos. Descer a Avenida Contorno, então, é um acalento pro meu coração todas as vezes, há 20 anos.

Vista de um dos meus lugares favoritos de Salvador. A praça, o poeta e a Baía de Todos os Santos (Foto: Moça Criada)

Certa feita alguém em quem confio muito me disse que, quando eu me sentisse só, era pra eu olhar o mar. Naquele momento eu saberia que não estou sozinha nunca. E acredito. Não só em não estar sozinha, mas caio na real do quanto alguns problemas se tornam tão pequenos diante daquela imensidão.

Você olha ao horizonte e perde a linha que separa o azul do céu das águas salgadas. Até que você fecha os olhos e se permite ouvir apenas o balanço das ondas, que parecem levar as angústias e aflições, ao passo que traz lá do fundo a serenidade que o coração precisa para ficar em paz. O vento parece bagunçar seus cabelos, mas já parou pra pensar se não é um jeito encontrado por aquelas águas para te acarinhar?

Não tenho provas físicas capazes de convencer o poder que o mar exerce sobre os sofrimentos que a gente tem. Decerto que só quem já experimentou dividir com as águas seus sentimentos é capaz de reconhecer tal influência. Talvez nos vejamos em todo aquele ir e vir das ondas. No fim das contas, todos temos um pouco de mar.

Às vezes sereno, às vezes revolto; às vezes brilhante como o raio de sol, noutras cinzento como aqueles dias em que só queremos solitude. Apesar dessas variações, reconhecemos a força que possui o mar. A força que a água mole, em pedra dura, tanto bate até que fura. A força de algo que pode afagar ou afogar. Mas que, justamente por isso, nem todos entendem como lidar.

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