Salvador e seus encantos: Uma tarde na Gamboa de Baixo

Tudo começa com uma ligação – pra saber se está aberto hoje, como chegar, essas coisas. “Alô, é do restaurante da dona Su?”, perguntei.

Algumas horas depois saberia que essa intimidade era muita ousadia da minha parte, e pelo menos ninguém que estava ali a tratava daquela forma. Era “Dona Suzana”. É ela quem comanda o RéRestaurante, na Gamboa de Baixo, com vista tão privilegiada quanto a da Marina – eu aposto em mais. Ali a gente come bem, paga pouco e ainda se sente em casa.

O salão improvisado do RéRestaurante de Dona Su. Diga se não é pra se sentir em casa mesmo? (Foto: Moça Criada)
A vista do RéRestaurante. É de cair o queixo, mas olhar pra todo azul e agradecer. (Foto: Moça Criada)

Eu me senti ainda mais já ao chegar na Associação de Moradores, na rua acima ao Museu de Arte Moderna da Bahia e que dá acesso ao local. Um carro muito bem equipado com caixas de som da maior potência tocava o pagodão que não pode faltar numa tarde ensolarada de Salvador. Característico das comunidades.

O desafio era encontrar a casa da Dona Su. “Segue reto e desce na primeira escada à direita”, recomendo um moço muito simpático. Já após a escada, duas moças completaram a orientação. “Agora pode seguir direto e virar na primeira à direita. Você vai ver logo”.

E vimos. Caramba! O mar. As cadeiras e mesas com um grupo de amigos se esbaldando numa moqueca foram o indício mais claro de que estávamos no lugar certo. Até que fomos recebidos pela própria Dona Su, que com um jeito aparentemente tímido, mas bem casa cheia, nos instalou.

Sombra, água fresca, lugar ainda descoberto por poucos. Três mesas grandes compunham o salão improvisado no meio da viela, onde se podia encontrar de uma vista de perder o fôlego até Tubaína. Ah, Salvador! Sombra, água fresca e algo típico dos bairros populares: a vizinhança bebendo nas portas de suas casas ouvindo seresta. Nas alturas. Pra eu me sentir mais em casa ainda.

Comida boa e farta, com preço acessível. Onde esperávamos alimentar três, quatro comiam com facilidade. Tudo isso a R$ 15 por pessoa. (Foto: Moça Criada)
Inclusive, a luz (pra não ser repetitiva quanto ao ambiente) é tão boa que foi irresistível não tirar fotos. (Foto: Cláudia Cardozo / Buenas Imagens)

Dividi minha atenção com o CD das antigas de Asas Livres – da época de Pablo! – e com o peixe que eu não sei o nome, mas tão, tao saboroso – e tão cheio de espinhas. Delícia! A comida, que esperávamos alimentar três, dava pra alimentar mais um com facilidade. Ou mais dois, se a gente não se preocupasse em repetir o prato. E tudo a R$ 15,00 pra cada um.

A espera da refeição não é demorada. Não consigo dizer se porque Dona Su é rápida ou se estávamos tão envolvidos com o lugar que nem sentimos o tempo passar. Fato é que nem mesmo depois, depois de toda comilança e cantoria, nem mesmo depois percebemos o passar das horas. De repente já era quatro… e quatro e meia. O cenário é de fazer esquecer que estamos em Salvador, mas também de confirmar o tanto que essa terra é linda.

Vá lá e tire suas próprias conclusões. Você pega o por do sol, curte o MAM, e, com sorte, ainda ouve um jazz. Com sorte. Porque bênção já possui, só pela oportunidade de ter uma cidade dessa à disposição.

Fomos Cláudia, seu irmão Victor, e eu. Difícil foi subir a comunidade de volta, depois da barriga cheia e a vontade que deu de curtir aquela sombra e água fresca (Foto: Victor Cardozo)
Se você resolver conhecer o RéRestaurante, fotos como essa passarão a ocupar o álbum do seu celular. Recomendo! (Foto: Victor Cardozo)

*Entre em contato com o RéRestaurante para confirmar sua ida. O número é (71) 3328-2056.

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