Quais os prós e contras de usar absorventes de tecido?

A temporada de alta estação já está batendo à nossa porta e deve trazer consigo algumas novidades. A Herself se prepara para lançar em outubro deste ano uma coleção de biquínis e maiôs absorventes. A marca é de Porto Alegre, mas está com uma campanha de financiamento coletivo aberta para arrecadar os recursos para as peças, com possibilidade de envio para todo o Brasil a partir de outubro. Os trajes para banho terão funcionamento semelhante aos já produzidos para as calcinhas absorventes, mas o tempo de duração com a peça é reduzido à metade, por causa do contato com a água. No caso das calcinhas, são 12 horas de uso direto com a promessa de nenhum vazamento; já para os biquínis e maiôs, seis horas. Depois disso é só lavar à mão ou na máquina, esperar secar e usar de novo. Segundo a Herself, as peças funcionam com 100% de absorção por pelo menos 48 lavagens.

Abrir mão dos absorventes aos quais estamos acostumadas pode ser um pouco estranho, mas em tempos como o atual, em que é forte a discussão sobre sustentabilidade, pode ser uma alternativa. De acordo com dados da empresa, uma mulher tem cerca de 450 ciclos menstruais durante a vida, período em que é estimado o uso de 10 mil absorventes. Isso gera um lixo de 150 quilos por pessoa. Essa preocupação com a natureza é o que faz com que a estudante Bianca Menezes pense em aderir à alternativa. Não apenas pelo descarte, mas o próprio processo produtivo dos absorventes que usamos atualmente é prejudicial. “Os materiais plásticos consomem muita água e, depois de utilizado, se tornam resíduos com o tempo de decomposição muito grande. Com o passar do tempo, comecei a questionar se certas atitudes rotineiras não teriam outra forma de serem feitas. Infelizmente ainda fazemos muita coisa no automático, principalmente quando se trata de ‘facilitar’ a nossa vida corrida”, observou.

 

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Ao que contam algumas moças que usam absorventes de tecido, o piloto automático também foi substituído por uma relação mais atenta com o corpo e o próprio fluxo menstrual em si. O ponto em comum é a questão do cheiro da menstruação, que causa desconforto quando em contato com os absorventes descartáveis, mas tem outro completamente diferente quando se trata do contato com o pano. “Sempre ficava incomodada com o cheiro que sentia com a menstruação e hoje entendo a diferença que faz, pois o cheiro que sinto não é desagradável. É cheiro de sangue de gente. Sangue de mulher! Pode parecer uma viagem, mas é só o reconhecimento da minha feminilidade em um aspecto tão corriqueiro e tão poderoso”, comentou a arquiteta Inaha Paz, que usa propostas alternativas há seis meses. Além das calcinhas absorventes e dos absorventes de tecido, ela aderiu ao coletor menstrual, regulamentado pela Anvisa no ano passado.

A ideia de experimentar essas alternativas surgiu depois que percebeu a necessidade de uma solução mais efetiva no seu período menstrual, que sempre a surpreendia com vazamentos. Embora usasse o maior noturno que conseguisse encontrar, ela esbarrava no que muitas moças relatam desenvolver: a alergia às abas do absorvente – que possui agentes sensibilizantes, como polipropileno, poliéster, adesivos termoplásticos, polímeros de látex sintético e polietileno (veja aqui). “Faz três anos que comecei a utilizar o coletor menstrual, mas apesar da liberdade de ir à praia ou piscina mesmo estando menstruada, ainda sentia um pouco de desconforto. As calcinhas absorventes e absorventes de tecido vieram como um presente. Hoje utilizo o coletor apenas em situações relativas à água, e nos demais momentos utilizo apenas as calcinhas absorventes ou absorventes de tecido”, acrescentou.

E lembra aquele papo da sustentabilidade? Pois ele pode alcançar também a economia. Usar absorventes reutilizáveis pode poupar R$ 288 e 480 produtos descartáveis, de acordo com levantamento da Herself. A advogada Luana Rocha corrobora essa perspectiva. Ela substituiu os absorventes descartáveis por calcinhas e absorventes de pano há dois meses e, apesar do alto investimento, o custo-benefício faz valer à pena a longo prazo. “As calcinhas eu acho que o preço não vale tanto assim, mas os absorventes eu acho. O absorvente mais caro que comprei foi R$ 22. A longo prazo, quantos ciclos você pode usar? Pode lavar acho que três anos um absorvente desse. Então vale muito à pena”, comentou.

Prós e contras
Como não vivemos num mundo perfeito, Luana contou que essas alternativas sustentáveis carregam consigo prós e contras. A principal vantagem é o odor, que, no caso, não existe, e o conforto – que, neste caso, existe muito. Os contras ainda seguem a lógica dos absorventes disponíveis nos mercados e drogarias: a preocupação com os vazamentos. “As calcinhas eu achei muito confortáveis, mas não recomendo para os primeiros dias de ciclo. As que eu comprei da Corui não aguentaram meu segundo dia de ciclo. Mas acho alternativa maravilhosa pra quem está no final, e quer algo confortável. Teve uma que passou um pouquinho nas laterais. Talvez outra marca tenha alternativas a isso. Tem uma marca estrangeira que é tipo um mini shortinho… Então tem esse mesmo probleminha que a gente tem às vezes com absorvente normal”, pontuou.

Esse, inclusive, sempre foi o medo de Rithiane Almeida, conforme contou ao blog. O retorno foi positivo e sem qualquer preocupação já no final do ciclo, quando ela foi trabalhar, andou por aí e fez até exercício físico. “Fui levada a viver o período menstrual de forma mais completa, prestei atenção nos sintomas ao longo do ciclo – o que eu costumava negligenciar -, mas acredito que mesmo quem ainda usa absorvente comum deveria fazê-lo. Percebi ainda que o sangue menstrual não cheira mal, como acaba acontecendo com o absorvente comum. Outra coisa é que não tive alergia ou assaduras, o que é ótimo”, acrescentou. O único contra que ela pontua é a logística para usar esses itens. Quem quiser aderir de vez à alternativa deve comprar de uma só vez uma quantidade razoável, para conseguir usar, lavar e esperar secar.

“Eu deixo mais ou menos umas quatro horas de molho na água, depois lavo, daí leva por volta de um turno a um turno e meio pra ficar sequinho de verdade”, contou. “Lavar é algo muito simples. Deixa meia-horinha de molho e depois lava, bota na máquina de lavar. Acho que isso não foi um problema pra mim. É tipo como você lava calcinhas depois do banho, se tem essa prática. É bem simples: bota de molho, faz uma coisinha, depois esfrega e bota na máquina de lavar”, acrescentou Luana. Júlia Morais, produtora de absorventes de tecido junto com sua mãe, na marca Flor de Maio, recomenda um método específico para facilitar a higienização dos absorventes. “Indicamos deixar de molho na água, se estiver com o sangue já seco. É legal colocar sal ou bicarbonato de sódio na água e deixar um tempinho pra tirar as manchas. A lavagem pode ser feita com sabão de coco”, acrescentou, sugerindo o sabão reconhecido por suas características hipoalergênicas.

Qual o impacto dos absorventes comuns?
Ainda não existe amplamente a prática de reciclagem dos ambientes descartados e, por isso, eles acabam parando nos aterros sanitários. De acordo com o E-cycle, os absorventes demoram cerca de 500 anos para se decompor no meio ambiente, mas, em caso de incineração, há a geração de gases tóxicos, como dioxina e cloro. Veja mais aqui.

*Se você quer experimentar essa alternativa, converse com sua ginecologista para tirar todas as suas dúvidas para que cheguem, juntas, a um consenso sobre o que é melhor para a sua situação. Apesar do comprometimento e da responsabilidade, essa matéria se trata de ponto de vista. Cada indivíduo tem um contexto, características de sua saúde, logo, nada nesse sentido pode ser generalizado. Procure seu/sua médico/a. 

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