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Ordem na vida – e na casa – com Marie Kondo

Você certamente já ouviu falar em Marie Kondo, autora japonesa especialista em organização pessoal. Houve um tempo que seu livro ‘A Mágica da Arrumação’ (Editora Sextante, 2015) foi sucesso de vendas. Não à toa, já que Marie promete soluções simples e práticas na arrumação do que temos em casa. A repercussão do trabalho da especialista foi tamanho que no último dia 1º foi lançada sua série na Netflix, ‘Ordem na Casa com Marie Kondo’.

É nesta produção divida em oito episódios, de uma média de 35 minutos cada, que vemos na prática como o método KonMari é aplicado. Ele é dividido em cinco etapas: organização das roupas, livros, papéis, itens em geral (o que ela chama da Komono, inclui itens de cozinha, banheiro e garagem) e objetos sentimentais. Dá pra aprender algumas coisas.

Mas mais do que colocar ordem na casa, é possível colocar ordem na vida com as lições de Marie Kondo. Depois de assistir à toda temporada disponível, notamos alguns truques de ouro. Repare!

Foque no que te traz alegria
Quando se fala em felicidade em primeiro lugar, jamais pensamos que isso deve ser levado tão a sério. Pois Marie Kondo traz esse conceito de alegria para as pequenas coisas do dia a dia: na roupa que temos em casa, nos objetos que acumulamos, nos livros que ocupam nossas estantes. Se projetarmos isso no dia a dia, poderemos ser mais honestos com nós mesmos. O trabalho que eu faço me traz alegria? Frequentar os ambientes que frequento despertam bons sentimentos em mim? E como eu gasto meu dinheiro? E as pessoas? E meus planos? Pensar por esse lado pode ajudar a tornar a vida mais leve, mais próxima do ideal que tanto julgamos nos trazer felicidade.

Veja tudo o que possui, para então escolher o que dispensar
Na série, essa lição cabe às roupas, sapatos, livros, materiais de cozinha, vasilhas plásticas, ferramentas, enfim, tudo o que guardamos em casa. Marie ensina que devemos amontoar cada categoria por vez, para então separarmos o que nos traz alegria daquilo que não desperta um bom sentimento. Imagine agora a revolução que isso pode trazer na sua vida. Vale anotar num papel cada atitude ou escolha já feita, colocar espalhado sobre a mesa e observar o que coloca um sorriso no seu rosto e o que não. Uma vez escolhido o que dispensar, faça como recomenda Marie: abrace, agradeça e mande embora.

Visite sempre para evitar o acúmulo
Essa é uma nota pessoal, mas que muito dialoga com o item acima. Isso quer dizer que de tempos em tempos é bom você revisitar o que possui – de roupas à vida real -, num esforço de manter só o que te traz alegria. Não somos acostumados a refletir sobre todas as atitudes que tomamos, então pode ser que em algum momento nos percamos do nosso propósito, do que consideramos ideal. Vai que de repente você passou a adotar um comportamento que não condiz com quem você quer se tornar? Revisitar permite voltar atrás, começar de novo…

Aquilo que você não quer também te ensina algo
Marie Kondo é uma das pessoas mais otimistas que eu já vi na indústria do entretenimento, do tipo que só vê o copo meio cheio. Uma das lições que ela traz, no entanto, faz todo sentido: o que você não quer também te ensina, por isso você tem que agradecer. Exemplo prático é um sapato que você nunca calçou, mas sabe que jamais o usaria porque ele não combina com quem você é no momento. É aí que mora a lição. O que você não quer ensina aquilo que você gostaria que existisse na sua vida. Sabe o hábito de ir pra balada eletrônica todo final de semana que você não quer mais? Direta ou indiretamente ele te ensinou que no momento há outras vontades. Quem sabe um pagodinho?

Pendentes, importantes e variados
Essa é a divisão que Marie ensina quando formos guardar os papéis. A categoria “pendentes” está relacionada àquilo que só depende da gente: conta de luz, IPTU, boletos em geral. Já em “importantes” devem estar papéis que não podem ser perdidos de jeito algum, como apólices de seguro, certidões, comprovantes. Os “variados”, por sua vez, são tudo aquilo que consultamos de vez em quando, tipo, receitas. Experimenta fazer o teste, vê se sua ansiedade não será um pouco aliviada ao aplicar essas divisões para a vida real?! Daí você pode ter noção do que fazer em cada caso, o que merece prioridade e o que não. Só tenta…

Quando se sentir empacado na arrumação, mude os ares
Marie Kondo fala em abrir as janelas, acender um incenso, perfumar o ambiente. Aqui falamos mesmo de fazer outra coisa, ver uma sitcom, ouvir uma música que te traga alegria. Qualquer coisa que te ajude a espairecer e, na volta, encarar a realidade de um jeito mais leve. Ah! E tá liberado aderir à técnica diante de qualquer entrave, viu!

Questione o motivo do ter
Desafie a si mesmo a responder por que guardar alguma coisa – ou alguém, algum hábito – na sua vida. Por que aquilo ainda te serve? Será que o seu “eu” do presente e do futuro precisam mesmo daquilo? Você se vê carregando aquele peso no médio prazo? Combina com o ideal de realidade que você alimenta? E é processo: você vê o todo, se questiona, observa se te traz alegria, descarta ou guarda, agradece, é feliz. Em algum momento repete tudo de novo.

Pelo menos na prática da organização de casa não tem erro. Deve ser assim na vida também, não é? 

Curiosa, jornalista e libriana. Mestranda no PósCom/Ufba, interessada nos valores - os meus, os seus, os de notícia e os humanos. Se piscar o olho, o cochilo vem, mas os olhos sempre estão abertos para uma série ou outra que desperte o interesse.

One Comment

  • Cris

    Incrivel que ela faz parecer tudo muito simples (O que de fato eu, talvez por ser bem desapegada às coisas, principalmente material, acho). O que eu farei agora é ser grata às coisas que eu tenho e que, por qlq que seja o motivo de desapegar.
    E acho incrível também o alívio que encontro com o ato de organizar a casa, é uma terapia pra mim. Rs.

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