Nós e nossa necessidade de definição

Diante do desconhecido, tendemos a pré-determinar o que aquilo seria. Bom, ruim, não faria, adoraria, é assim ou é assado. Buscamos a todo o tempo definições para as coisas, coisas essas que talvez não precisem ser definidas de imediato. Seria uma suposta dominação do fenômeno, sugeriu alguém de quem gosto muito, num dia desses em que tivemos um papo cabeça. Acredito. E reforço o suposta. Reforço pra ver se desapegamos dessa mania de buscar o controle do que vai além do nosso domínio.

Veja se não é prejudicial precisar ter respostas esclarecedoras para tudo, o tempo inteiro. Ter uma opinião definida sobre a política imigratória de Donald Trump, ter um lado em se tratando dos conflitos do Oriente Médio, quando, na verdade, nem mesmo os conflitos que te rodeiam já estão claros pra você. Ou achar que precisa definir o que você e o paquera têm, porque vai que as pessoas perguntam, não é?! Imagina que louco não haver uma resposta objetiva para aquilo.

Às vezes só precisamos esperar um pouquinho mais para que as tais definições se materializem. É um exercício meio difícil para os ansiosos, eu o sei, no entanto, não é tudo que está ao nosso alcance. Sem contar que corremos um risco sério de perder as surpresas da vida quando sabotamos a liberdade do tempo. O fim pode até arrancar o sorriso, mas é o caminho que proporciona os suspiros e o brilho no olhar que fazem toda a espera valer à pena. Como sempre disse uma amiga, “sossega, barquinho, que o que for pra ser, vigora”. Sossega.

Claro que também não precisamos ser passivas aos acontecimentos e delegar a terceiros a responsabilidade da decisão. Onde trabalhar, que carreira seguir, como pagar os boletos que estão em atraso, casar ou comprar uma bicicleta, o que fazer da vida. Existem coisas que são urgentes mesmo e pedem que sejamos objetivas, determinadas, donas de nós mesmas e definidoras do nosso presente. Porque o futuro é incerto, independentemente dos planos que façamos.

E a graça é essa. Mentira, não é tão engraçado assim. É desafiador. É desafiador reconhecer o que vale a energia, com o que se preocupar, como agir em cada momento, deixar que a vida dê conta daquilo que não está ao nosso alcance. Mas quando conseguimos… Ah, quando conseguimos… Encontramos a graça que é atingir esse grau de serenidade.

Vale a tentativa.

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