‘Meu Malvado Favorito 3′ e algumas lições complexas em um filme infantil

É uma tarde de quinta-feira. As crianças em idade escolar curtem as férias do meio do ano, as filas pro cinema estão quilométricas. Todos os pequenos estão devidamente paramentados com a máscara dos Minions distribuída no McDonald’s. É dia de estreia do filme ‘Meu Malvado Favorito 3′.

Fui lá de ousadia, pra não perder o voucher cuja validade expiraria um dia depois, mas era apenas aceitável de segunda a quinta. Sufoco, hein?! Mas do jeito que ingresso de cinema custa caro, é melhor aproveitar as oportunidades que a vida dá. Fomos uma turma lá do trabalho e eu. Alguns acompanhados das respectivas crianças (ok, pré-adolescentes, na verdade) da família. A sessão estava tão cheia que só nos restou a fileira C. “C” de “cara com a tela“. Fomos.

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Meu Malvado Favorito 3‘ é complexo. Não que ele tenha um ritmo lento, mas os dramas são bem adultos. O vilão, por exemplo, era um astro infantil da TV nos anos 80 e depois que chegou à puberdade foi dispensado pela indústria. Ele não superou o trauma e desenvolveu um sentimento de revanche por causa disso. Como poderia não ser amado, logo ele, um menino mau demais?

Até mesmo as maldades eram complexas. Roubar um diamante, se fazer passar por outras pessoas, construir um superboneco para reproduzir cenas do programa que estrelava trinta anos antes… E os bonecos da sua personagem que viraram um exército de maldades? E as ombreiras que disparavam chicletes infláveis? E estes, por sua vez, que eram produzidos em sua própria casa?!

Talvez as crianças que assistiram e assistirão àquele filme não entendam por que é tão engraçado um vilão caricato como o Balthazar Bratt. Todas as referências dos anos 80 foram incorporadas a ele: ombreiras, a cor roxa, físico magro, cabelo com topete no melhor estilo Chitãozinho e Xororó, tênis basqueteira, cubo mágico, chiclete, malhar conforme programa de TV de exercícios ao som de “Physical”… Acho mesmo que a personagem foi um alento para os pais, naquele tipo “Fizemos isso pra vocês, trintões”.

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As lições que a animação traz também têm sua complexidade. Gru descobre que tem um irmão gêmeo, Drew. Ambos foram separados quando seus pais decidiram pelo divórcio, então cada um ficou com um ente. O pai e a mãe se orgulhavam dos filhos que não foram criados por eles e desprezavam aqueles por quem ficaram responsáveis.

A história se desenrola, chega um momento em que Gru se sente inseguro com a riqueza do irmão. Em outro ele é incapaz de reconhecer o quanto Drew foi importante para a realização de uma missão. No fim das contas o pai de Agnes, Edith e Margo acaba precisando do irmão, que não hesita em ajudar.

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É bem aquela coisa de a gente saber valorizar o outro porque, afinal, o dia de amanhã é um mistério. Vai que…?! É também o tipo de lição que eu não sei até que ponto as crianças conseguem perceber. Ou talvez elas já estejam crescidinhas o bastante pra se dar conta. Ou talvez fique aí a oportunidade dos pais conversarem com seus filhos sobre coisas que importam. Fica o questionamento.

Uma das cenas mais lindas do filme é quando Agnes descobre que seu unicórnio na verdade é um cabrito com um chifre só. Ao invés de se frustrar, ela aceita e diz que aquele é o cabrito mais feliz que ela poderia ter. Ó que coisa linda aceitar o outro (seja quem for) do jeito que é?

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Até mesmo a narrativa dos Minions não é tão simples assim. O ponto alto pra mim é quando eles se apresentam em um reality musical. Incrível, divertido, do jeito que tem que ser. Depois eles vão para a prisão e mostram uma realidade que a gente ouve falar, mas que não sei a partir de qual idade as crianças pegariam a referência. Eles também bolam um jeito muito criativo e trabalhoso de fugir da penitenciária. Mas tem todo um sentimentalismo, insatisfação e também vaidade na história.

De todo modo, filme é gostosinho, sim. Valeu o dinheiro que eu não gastei e o tempo que eu poderia estar fazendo outra coisa. O humor continua, menos do que lembro de ter visto nos filmes anteriores, mas é uma história gostosa de acompanhar numa tarde de frio como essas de inverno.

Leve as crianças da família e converse com elas sobre o filme. Ou vá sozinha e reflita você mesmo sobres as lições que podem ser tiradas daquela história. E me conta depois o que achou!

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3 thoughts on “‘Meu Malvado Favorito 3′ e algumas lições complexas em um filme infantil

  1. Mas é o que sempre costumo dizer, os filmes de animação não são infantis, são coloridos para adultos. RS.
    Sempre trazem uma lição ou, como nesse caso, várias! Cabe a cada um interpretar, se conseguir.

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