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Marca baiana reforça luta pelo empoderamento negro na moda

Representatividade importa, sim, e foi por isso mesmo que um trio de empreendedores criaram a Kumasi. Lançada há cerca de duas semanas, a marca chega ao mercado de moda baiano para marcar o empoderamento do negro e da estética negra. “É mais uma questão de ocupar espaços que nos foram negados. Mostrar que preto e dinheiro não são palavras rivais, assim como preto e moda também não”, explica Monique Evelle, gerente de felicidade da marca.

Lucas Santana, Monique Evelle e Neuza Nascimento são os idealizadores e fundadores da Kumasi (Foto: Divulgação)
Lucas Santana, Monique Evelle e Neuza Nascimento são os idealizadores e fundadores da Kumasi (Foto: Divulgação)

Gerenciada ainda por Lucas Santana, realizador de sonhos, e Neuza Nascimento, gerente de bem estar, a Kumasi reúne em sua loja virtual produções de seis empreendedores. Tem acessórios femininos da Eva Flor, bonés e pulseiras masculinos do Ed Art Style, agendas artesanais EuCriei; headbands, body chains, brincos e outros acessórios da Cândida Dide; coleções dos principais ícones negros do mundo, incluindo Martin Luther King e Angela Davis, produzidos pela Griô Rei; blusas bordadas e bolsas da Casa da Nêga, além de camisas estampadas com frases que estimulam e desconstroem o racismo, machismo e LGBTfobia do Desabafo Social. Estas últimas, do Desabafo, projeto coordenado por Monique, tem feito sucesso com os seguidores nas redes sociais e Érica Ribeiro é prova disso.

“Mesmo com tanta gente falando sobre preconceito, tanta gente se dizendo livre de pensamentos discriminatórios, são poucas as pessoas que têm a coragem de meter as caras e fazer desses pensamentos algo maior”, avalia a estudante de Engenharia Ambiental e Sanitária. Érica já tem até uma peça preferida da Kumasi: as camisetas com a estampa “Se a coisa tá preta, a coisa tá boa”. “Muito representados. Se quiser me chamar pra fotografar, eu vou”, sugere a estudante, divertida.

A estampa escolhida como prefrida da estudante Érica Ribeiro é da coleção Desabafo Social, projeto também coordenado por Monique Evelle (Foto: Divulgação)
A estampa escolhida como prefrida da estudante Érica Ribeiro é da coleção Desabafo Social, projeto também coordenado por Monique Evelle (Foto: Divulgação)

Próximos passos
Nessas duas semanas de lançamento, a Kumasi já alcançou resultados expressivos, como os 15 pedidos no primeiro dia  e os mil likes na página nas primeiras 24 horas. Além disso, a marca já foi apresentada ao Ministério da Cultura e já chegou em mãos de pessoas de destaque, como a família do ator global baiano Érico Brás. Levantando a bandeira do empoderamento negro, a Kumasi deve lançar no final deste março sua primeira coleção própria, inspirada na geração tombamento, na estética como empoderamento.

“As pessoas estão entendendo e apoiando mesmo o que queremos: valorizar e ampliar o empreendedorismo negro. Recebi um depoimento de um rapaz, dizendo que temos que usar o que é feito pelos nossos. Amei, né”, confessa Monique.

Essa estampa é uma das novidades da Kumasi (Foto: Divulgação)
Essa estampa é uma das novidades da Kumasi (Foto: Divulgação)

A perspectiva do trio de baianos não pode ser outra, que não o crescimento, inclusive da discussão sobre o empreendedorismo negro. Monique também destaca a importância de mostrar que o objetivo de uma empresa vai além da assistência. “É parceria, é suporte, é crescer junto. É ver a comunidade negra crescendo junto por conta de uma rede de parceiros que realmente apostam e vivem a causa”, conclui.

Curiosa, jornalista e libriana. Mestranda no PósCom/Ufba, interessada nos valores - os meus, os seus, os de notícia e os humanos. Se piscar o olho, o cochilo vem, mas os olhos sempre estão abertos para uma série ou outra que desperte o interesse.

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