Há coisas que são inegociáveis

Sou careta. É, não tem jeito. E eu juro que tentei ser diferente. Já me esforcei pra ficar com váários caras sem nenhum compromisso, explorei a liberdade sexual que eu me permiti, saí sem ter hora pra voltar ou sequer saber como chegaria em casa. Aventureira mesmo. E tudo isso me fez perceber que eu sou careta.

Talvez o meu parâmetro seja diferente do seu – até porque tudo o que eu fiz não passou de duas ou três vezes, o suficiente pra eu perceber que não é pra mim -, mas o que eu vivi nos últimos meses me fez aceitar quem eu sou. Uma romântica incurada que acredita no amor e espera por alguém para transbordar. Certinha, gosto de ter planejado todos os passos da noite, do dia, da vida.

Percebi que existem coisas que são inegociáveis, exatamente por serem minhas. Cresci com elas ou as desenvolvi ao longo do caminho e me sinto melhor convivendo com cada um desses elementos. Há quem chame de valores e eu vou seguir essa convenção. Valores. São importantes, nos norteiam a vida, fazem as vezes de consciência. Não dá pra negociar mesmo.

E não dá pra conviver com pessoas que sequer compartilham minimamente desses valores. Não tem jeito. Talvez você que esteja lendo esse texto tenha maturidade para conviver com essa grande diferença, mas confesso que tenho muita dificuldade. Não me sentiria confortável em saber que alguém tão próximo vive na ilegalidade ou sustenta um hábito que vai totalmente contra o que eu acredito.

Talvez minha criação tenha me disciplinado pra isso. Durante toda minha vida escolar dentro do Colégio da Polícia Militar da Bahia, li e ouvi que “a palavra convence, o exemplo arrasta“. Lá, onde “cultivamos a honra, o dever e a retidão“. Respeito regras. Questiono determinações, mas não me insubordino. Aceito o que já é estabelecido. Talvez sejam defeitos, mas são meus e fazem quem sou hoje.

Não é fácil. Eu certamente perco experiências e vivências que poderiam ser positivas, só porque sou careta. Algumas pessoas certamente me julgam quando falo que não sei lidar com o uso da maconha, embora seja bem legalize. Também não consigo ser mulher só pra transa com um homem qualquer. Sexo é algo tão íntimo, né?

De todo modo, me tranquiliza que nada disso impede que eu veja a importância de todos termos liberdades individuais, para decidirmos o que nos é melhor. Quem amar, o que usar, quais lugares frequentar. Afinal, os valores são meus e ninguém é obrigado a segui-los.

E a chave de tudo isso está aí.

As fotos foram tiradas pela fotógrafa Claudia Cardozo, da Buenas Imagens. As peças usadas no look são arquivo pessoal da Moça Criada.

Compartilhe com as amigas
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on TumblrPin on PinterestEmail this to someone

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>