Girlboss: Se ignorar a personalidade da personagem, a série é inspiradora

Já se passa pouco mais de um mês desde o lançamento de Girlboss, em 21 de abril deste ano. Não posso mais procrastinar o post sobre a série aqui no blog, não é mesmo?

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A série original Netflix é inspirada na biografia homônima de Sophia Amoruso, fundadora da Nasty Gal. Aos 22 anos ela decidiu vender roupas de brechó no eBay. O segredo do sucesso inicial foi o ressigificado que ela dava às peças: uma calça pantalona vintage virar uma bermuda retrô, por exemplo. Oito anos depois, a Nasty Gal se tornou uma loja virtual de mais de 100 milhões de dólares, com mais de 350 funcionários. Do ano passado pra cá, a marca assinou um acordo de proteção após falência e foi vendida para a empresa britânica de multimarcas Boohoo.com, segundo reportagem da Elle.

Nas rápidas pesquisas que fiz sobre Sophia e a Nasty Gal, sempre se referiam à empresária como criativa, intuitiva, confiante. Mas o que a série construiu para Sophia Marlowe, nome da personagem, ainda cabe algumas coisinhas…

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Qual o problema de Sophia?

Também quero saber. Foi bem difícil pra mim sair dos primeiros episódios. Demorei quase três semanas pra começar o quarto episódio, imagina! Tudo isso porque a personalidade apresentada por Sophia me torrou o pouquinho de paciência que Deus me deu. A mocinha grita demais, não respeita limites, é indiferente aos outros, chega até a ser arrogante às vezes. Um amigo meu me disse que não, que a arrogância consiste no ato de diminuir as pessoas. Mas será que Sophia não chega a fazer isso em um momento ou outro?

Quando ela faz pouco caso do barman que estuda administração, ou faz a sonsa ao comer o sanduíche da gerente da loja onde trabalhava… E quando ela deslegitima o trabalho convencional e se refere com ironia às pessoas que gostam desse tipo de segurança? Sem contar que tudo isso está aliado à histeria, ao drama. Me parecem bem exageradas algumas reações. No episódio 6, por exemplo, ela não consegue vender vestidos caipiras e surta com isso. Mas tanto, que, minha nossa!

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O deboche me pareceu maior quando ela roubou um livro sobre negócios no eBay de uma livraria. Depois de ser pega no flagra por um funcionário já no meio da rua, ela usou da sua hérnia estourada para fugir. Mas o problema não é só o modo como ela tratou o caso. Me desculpem vocês, mas preciso problematizar: já pensou se quem roubasse fosse uma mocinha negra? Será mesmo que iam “deixar pra lá”, como fizeram com Sophia?

O estereótipo é reforçado em outro momento, no episódio 5. Sophia havia se envolvido em uma briga com uma criança enquanto assistia a um jogo de baseball. Ela foi parar na delegacia e tudo mais, onde conheceu sua melhor amiga. Papo vai, papo vem, para convencer Sophia a cortar melhor o cabelo, ela logo argumentou: “Se mostrasse seu rosto, ninguém estaria furioso por ter pego a bola de uma criança”. Então tá, né?!

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Mas os traços de personalidade de Sophia – a personagem, porque eu não conheço a empresária para falar sobre – não deslegitimam ou tornam menos importantes as lições que a gente pode absorver de Girlboss. É inspiradora a postura feminista da personagem ao se enxergar capaz de realizar grandes feitos sem precisar depender do seu pai, um homem rico e bem sucedido, ou de qualquer outro homem. Sua criatividade e o tino empreendedor também são admiráveis, já que ela conseguiu encontrar um diferencial para o mercado de brechós. E logo na internet. No eBay.

Apesar de irritante e pretensiosa demais, também dá um calorzinho no coração perceber que alguém optou por investir em seus sonhos e conseguiu “chegar lá”. Falo isso com toda a carga de experiência pessoal que esse trecho pode ter, porque é exatamente esse meu desejo da vida: transformar em trabalho comercial o que eu faço apenas nas horas vagas. Sophia conseguiu lucrar com isso, tornar isso um grande negócio, se sustentar. Diga aí se não dá vontade de seguir o mesmo caminho?

Talvez dê certo, talvez não dê. Independentemente, a gente não pode perder de vista coisas que a personagem talvez não tenha encontrado ou percebido. É importante respeitar as pessoas e suas escolhas; precisamos valorizar quem está perto da gente e quem é por nós; não nos enxergarmos como “normais” não nos torna melhores do que ninguém; é melhor calçar os chinelos da humildade a ter que abrir mão de nossas vestes porque não temos condições de bancá-las.

No fim das contas, o saldo que tiro de Girlboss é que é uma série ok. Nem ruim, nem boa. Com pontos negativos e positivos. Confesso que estacionei no 8º episódio e não sei se vou continuar. Não tenho ânimo, não é o tipo de série que me emociona ao ponto de ir até o final. Mas vai que um dia eu chego?

 

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