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Etiqueta do perfumado: Pesquisador sugere regras no uso de perfumes e conta curiosidades sobre o assunto

A gente dá mais importância ao cheiro do que imagina. Quem nunca pegou um ônibus cheio de manhã cedo e torceu (ou tapou) o nariz para aquele passageiro que sequer pareceu ter passado desodorante antes de sair de casa? E aquele “cheirinho de novo”, seja do carro, da roupa, do acessório? Mas nada chega tão próximo àquele velho hábito de passar um perfuminho toda vez que saímos de casa. E tudo isso tem um porquê. O jornalista e pesquisador de perfumes Roberto Pires explicou um pouquinho dessa relação e contou outras curiosidades sobre o assunto em um bate-papo rápido com a Moça Criada, depois de sua participação no Barra Fashion Days desta terça-feira (12). Vem saber!

Qual a relação que o baiano tem com o perfume? 

A relação é intensa. Na verdade, o brasileiro e o baiano adoram perfume. O brasileiro é um dos maiores consumidores de perfume do mundo, mais até do que o francês, que é da pátria do perfume. Do Brasil, o Nordeste é o maior consumidor, mais até do que o Sudeste e o Sul. Daí você tem relação, porque, segundo pesquisas, o brasileiro e o nordestino valorizam muito o banho, o frescor, o cheiro. Na Bahia a gente até fala “um cheiro pra você”, então essa relação de cheiro é muito forte. É um mercado promissor, que pode ter muita evolução ainda.

Existe a etiqueta do perfume: há lugares onde você pode usar mais perfume do que outros. Como funciona essa regrinha?

É bom seguir um pouco essa regrinha e tentar pensar nela a partir do bom senso. Por exemplo, se você vai a uma consulta médica, você não está se sentindo tão mal dependendo do seu problema, mas tem alguém no consultório que vai poder ter alguma coisa mais grave ou mais incômoda, então, se você chega muito perfumado, você vai incomodar. Em restaurante tem que ter cuidado quando se vai almoçar ou jantar, não colocar muito perfume porque ali tem os aromas da comida. Se você vai ter os aromas da comida, por que tanto perfume? Se você vai comer uma moqueca, que tem o cheiro maravilhoso do dendê, se você coloca muito perfume, aquilo vai brigar um pouco. Agora, se você vai para uma festa, vai dançar ou ver muita gente, o som vai ser muito alto, você pode usar mais perfume. Tem outra coisa: para praia, tomar sol ou piscina, nunca colocar perfume. Como ele contém álcool, pode manchar a pele. O ideal é usar apenas protetor solar, para se proteger. No caso da academia, também não é indicado muito perfume.

Por quê?

Porque ele se desenvolve conforme sua ação. Tanto que a gente fala para usar perfume na zona de pulsação – dobras dos braços, atrás da orelha, onde você tem mais zona de pulsação e aquilo tem fluxo sanguíneo maior, que vai desenvolver mais o perfume. Isso no seu dia a dia, fazendo as coisas no seu ritmo. Se você tem um ritmo maior, que é fazendo exercício na academia, você potencializa o perfume, como se estivesse dando um choque de impacto, e isso pode gerar um cheiro que não fica tão legal.

Existem estudos dos quais são elaboradas tendências de moda para a temporada. Acontece o mesmo com o perfume? Como funciona?

Perfumes também seguem tendência. Tem momento dos perfumes mais frutais, tem momento dos perfumes gourmand, docinhos, com jeito de caramelo, guloseima, que, inclusive, é bem forte na linha adolescente. Ele segue moda, mas diferentemente da moda – que você faz coleção para ficar apenas seis meses na vitrine -, o perfume tem a coisa de virar clássico. Não tem aquilo de chegar um e derrubar outro, como na moda. O perfume tem de somar; chegam as novidades, mas as clássicas vão permanecer. O perfume demanda mais investimento na fabricação, é produto de menos rotatividade nesse aspecto, porque não é tão sazonal quanto a roupa, apesar de perfumes mais frescos serem mais indicados para o verão e os mais quentes, para o inverno. A ideia do perfume quando é criado é para virar um clássico. Existem, claro, as edições limitadas, mas aí é uma coisa específica, feito para aquele momento, com número calculado de vendas e o que se quer ganhar com aquilo.

(Foto: Elói Corrêa/Facebook)
(Foto: Elói Corrêa/Facebook)
Roberto Pires é jornalista e passou a se debruçar sobre o estudo dos perfumes em 1998, quando voltou de São Paulo para Salvador após trabalhar com moda.

Curiosa, jornalista e libriana. Mestranda no PósCom/Ufba, interessada nos valores - os meus, os seus, os de notícia e os humanos. Se piscar o olho, o cochilo vem, mas os olhos sempre estão abertos para uma série ou outra que desperte o interesse.

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