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Entenda o que é análise cromática e por que uma cor te favorece mais do que outra

Análise cromática, análise de coloração, análise de cartela de cores pessoal. Não importa como você chame – ou escute falar por aí -, o propósito é o mesmo: autoconhecimento. A ideia é saber quais cores potencializam traços e quais escondem o que não queremos mostrar. “É tipo uma porta de entrada, porque através da análise você não vai comprar uma peça que sabe que aquela cor não vai ficar legal. Você quer comprar com mais consciência, quer comprar melhor”, observa Paula Leandro, consultora de imagem especialista na análise de coloração.

Montamos um manual da análise cromática para te ajudar a entender o que é isso, como ele pode ser aplicado à sua rotina e por que uma cor te favorece mais do que outra. Acompanha aqui!

Começo de conversa
Independentemente da técnica utilizada, o modo de começar a análise é o mesmo: a especialista observa os traços e características da cliente. Neste momento, é analisado o contraste (a partir da cor da pele, dos cabelos e olhos), a profundidade (se fica melhor com tons escuros ou mais claros), a intensidade (se cores mais vivas ou mais opacas) e a temperatura da pele (se fria, quente ou neutra). “O importante é que se entenda a característica principal. Muita gente acha que é a temperatura, mas às vezes não é a principal característica da pessoa”, explica Rafaela Mancini, consultora de imagem e estilo.

Algumas pistas sobre essas características são obtidas não só com a observação da especialista, mas a partir do diálogo também. Perguntas como “Depois de um dia de praia, você bronzeia ou fica vermelha?” ajudam a identificar a temperatura da pele – quem tem a pele fria tende a ficar vermelha; quem tem a pele quente costuma ficar bronzeada. “E aí a gente analisa junto com os tecidos. Uma vez que a gente coloca, eles dizem pra gente. É por comparação, mas essas características dão caminho”, acrescenta Paula Leandro.

Como os tecidos dão as pistas, afinal?
Parece bobo, você pode até duvidar da eficácia, mas as especialistas garantem que os tecidos utilizados nas análises são fundamentais para determinação da cartela de cores individual. Mas aí precisamos trabalhar por partes. Primeiro, os tecidos: eles são utilizados para que seja observado o efeito da cor no rosto da cliente. “A cor reflete a luz, que causa reflexo no que está perto. A gente percebe a cor em comparação. O branco em mim pode ser percebido de uma forma e em você, de outra, porque ele está em comparação com minha natureza. Se esses efeitos enfatizam olheira, vincos do rosto, acinzentam a boca, aparecem manchinhas, e quando tira o tecido, elas somem, a gente considera que aquela não é a cor legal. Se colocar tecido de profundidade (cores escuras) que amenizam olheiras, uniformizam o rosto, dá corada no rosto, então já sei que essas cores são melhores. Vamos avaliando cada característica separadamente”, explica Rafaela.

Esse teste de cores com os tecidos é feito a partir de 12 cartelas diferentes, que representam o método sazonal expandido. Este é considerado o mais atualizado e difundido de todos, porque inclui a temperatura neutra da pele, já que não há só pele quente ou só pele fria. De todo modo, as cartelas são: inverno brilhante, inverno frio e inverno escuro; outono escuro, outono quente e outono suave; verão suave, verão frio e verão claro; e primavera clara, primavera quente e primavera brilhante.

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Como perceber qual minha cartela pessoal?
Descobrir que cores mais nos favorecem é algo bem intuitivo, mas não precisa seguir assim daqui pra frente, agora que você está aprendendo sobre análise cromática. As especialistas contam que dificilmente não temos no guarda-roupa peças nas cores da nossa cartela. Para seguirmos acertando e comprando de modo consciente e assertivo, vale prestar atenção em alguns aspectos.

Por exemplo, observar a cor do nosso olho, bem dentro da íris mesmo. “Algumas pessoas têm olhos cor de mel, outras verde escuro, outras azul. Se conseguir reproduzir na roupa a cor dos olhos, fica bem harmônico”, diz Rafaela. O contraste pessoal, por outro lado, é o mais fácil de observarmos sozinhas. Quanto maior a diferença entre os tons de pele, olhos e cabelo, maior é o contraste. “Eu tenho pele bem clara, olhos e cabelos escuros. O meu contraste é alto. Quem tem pele pouco mais morena que a minha e tem cabelo e olhos escuros, a pessoa tem médio contraste. Também pode ser médio contraste pele clara, olho claro e cabelo loiro escuro ou castanho claro”, acrescenta a especialista. Um jeito fácil de observar isso é colocar uma foto em preto e branco. Se houver diferença grande, é alto contraste; se não, é médio ou baixo contraste.

Esse nível do contraste pode ser repetido nas roupas utilizadas. Quem tem alto contraste pode investir em preto e branco, cores opostas no círculo cromático, estampas. Pessoas com médio contraste podem apostar em cores mais próximas no círculo cromático. Já pessoas com baixo contraste podem usar roupas de cores bem próximas, tom sobre tom mesmo. “É seguir seu instinto. Difícil encontrar alguém que ame uma cor que não esteja na cartela. O que muda nas cartelas é a intensidade e a questão de ser opaca ou brilhosa, mas a cor está ali”, encoraja Paula.

Vale reparar também nos elogios, segundo Rafaela. Normalmente, quando estamos com a cor certa, as pessoas reparam, aquele velho “você está com a cara boa hoje”.

Círculo cromático é um referencial na hora de montar os looks (Foto: Reprodução / Claudia Comparin)

Como conciliar as peças que já tenho com as da minha cartela pessoal?
Não é porque você descobriu quais cores te favorecem que você vai jogar fora tudo aquilo que não corresponde à sua cartela, não é mesmo?! A consultora de imagem Rafaela Mancini conta que muita gente ama preto e branco, mas essas cores não estão na maioria das cartelas. “Então, quem não tem essas cores não vai poder usá-las nunca mais? Pode usar. Mas aí a gente tem ferramentas para equilibrar. Tudo é compensação”, tranquiliza.

Pega essa dica, ó: se você tem uma blusa de cor que não é da sua cartela, então coloque terceira peça, brinco ou batom na cor que te favorece. Essas cores vão neutralizar. “Fui montar uns looks e minha cartela é inverno frio. Fiz look que era todo azul clarinho, que não valoriza tanto, e eu estava apagada. Peguei um colar verde escuro, que tem na minha cartela, e quando coloquei o look mudou todo. Só aquela cor da minha cartela neutralizou a desvalorização que o look estava me causando”, conta Rafaela.

Fácil se inspirar na experiência dela e trazer para a nossa realidade, né?!

“Se a pessoa não usa maquiagem, mas usa muitos acessórios e é de cartela de tom frio, ela fica melhor com prata. Então a gente dá indicações para ela usar coisas pratas. Mas se saiu tom quente e ela gosta de usar prata, por que não usar um dourado fosco, sem brilho?”, acrescenta Paula. O modo mais acessível para incorporar a nova cartela ao dia a dia é através dos acessórios e maquiagem, por estarem mais próximos do rosto.

Fui convencida, Moça! Custa quanto fazer essa análise?
Essa ainda é uma área bem nova em Salvador, e o investimento médio para descobrir que cartela é a mais adequada para você é de R$ 300,00 – à vista e no cartão também. As especialistas defendem que não é nada subjetivo, nem é enganação. É técnica mesmo, numa consultoria aprofundada de cores. “A gente enxerga a melhora desse equilíbrio, dessa beleza, quando colocamos os tecidos”, destaca Paula. “É consultoria de cores mesmo: compara tecidos, descobre cartelas, analisa cor de cabelo, vai no guarda-roupa, monta looks com cores que já tem, treinando até coordenação de cores também, e maquiagens “, acrescenta Rafaela.

As especialistas chamam atenção também para a referência: quando fala-se das estações do ano, as cartelas dialogam com o Hemisfério Norte. Por isso as cartelas de outono têm tons mais terrosos, por exemplo.

Curiosa, jornalista e libriana. Mestranda no PósCom/Ufba, interessada nos valores - os meus, os seus, os de notícia e os humanos. Se piscar o olho, o cochilo vem, mas os olhos sempre estão abertos para uma série ou outra que desperte o interesse.

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