Como fazer o fevereiro da alegria em meio a tantas frustrações?

Ao fazer a programação do blog para o mês, estabeleci que este seria o fevereiro da alegria. Só não contava que a vida estaria de cabeça para baixo nessa semana e a última coisa que eu me sentiria era alegre. Como escrever qualquer coisa desse tipo para vocês, leitoras?

Quando saí do banho na sexta-feira, antes de encontrar uma amiga, ensaiei diversos jeitos de começar esse texto. Não lembro de nenhum deles, infelizmente. Ao longo da noite, percebi que o fevereiro da alegria poderia começar sob uma perspectiva diferente: não faz mal estar triste, mas a gente não pode se render a um estado de espírito que nada tem a acrescentar quando se faz presente por muito tempo. E tem outra coisa importantíssima: a gente não precisa passar por isso sozinha. Vou usar um exemplo particular pra ilustrar isso.

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Não tenho a menor expectativa para acontecimentos neste 2018, exceto o fato de que será um ano de mudanças. E eu comecei janeiro acreditando em todos os sinais de possíveis mudanças que me apareceram: oportunidades de crescimento profissional, nova perspectiva afetiva, possibilidade de fazer mais dinheiro. Todos os horóscopos diziam que logo no início do ano haveria mudança de casa, e de fato houve. Como não acreditar nas demais transformações que permeariam minha vida?

Tudo seguia meu script, até que a frustração fez check em cada item da minha lista. Juntas, tais frustrações me fizeram questionar as capacidades que eu tinha e rasgaram o peito de um jeito cuja dor eu não sentia havia muito tempo – e não quero mais sentir tão cedo. Até que eu recebi uma ligação que veio como um bálsamo, me ajudando a perceber que nem tudo depende de mim e que eu não posso escolher o que sentir, mas o que fazer diante disso.

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Me ajudou muito, muito tomar um banho, usar um batom colorido e sair. Ver gente. Foi a primeira escolha desses novos tempo. E aqui eu quero agradecer a minha amiga da vida inteira, Ailma do Shade. Se algum dia eu não souber contar cada pedaço do que me aconteceu nos últimos tempos, pode perguntar a ela. E pergunta a Bia também. E a Claudinha. Inclusive, esta última me disse algo que faz todo sentido sobre a vida: não tem spoiler. Você roteiriza, você atua, você até idealiza. Mas o fim de cada temporada cabe a Deus, e ele não te deixa saber nadinha.

E aí eu chego à conclusão que o fevereiro da alegria começa assim pra mim. É a lição. Alegria de deixar que os desígnios do Cara Lá de Cima (ou do horizonte?) rejam minha vida de maneira resignada. Resistir e maldizer mudanças ou perdas, nessa impermanência que é a vida, é prolongar um sofrimento que não acrescenta em absolutamente nada. Afinal, a gente não aprende nem mesmo pela dor se não abrir os olhos e encontrar um jeito de enxergar o copo meio cheio. Tenho tentado diariamente não me deixar abater por essas inconstâncias, porque cada dia tem sido um 7×1 diferente. A vida é isso.

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Não sei o que você passa por aí, moça, mas tente não deixar que o sofrimento faça morada em ti. Ao primeiro sinal de tristeza, chore o que tiver que chorar, mas lave o rosto, vista a roupa que te faça sentir mais bonita e vá brindar a vida. Brinde-a, onde quer que seja. Diga pra si mesma tudo aquilo que você gostaria que o outro reconhecesse. Ame-se. E não espere ninguém pra isso.

O resto vem, vamos acreditar.

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