Com quantas coisas você já compactuou por ter silenciado?

Passei o último final de semana concentrada na teoria da espiral do silêncio. A ideia elaborado por Noelle-Neumann em 1974 é um dos efeitos dos meios de comunicação de massa, mas voltado para o silenciamento das pessoas. Basicamente, pessoas que têm uma opinião que elas percebem ser minoritária tendem a se calar diante daquelas vistas como majoritárias. Tudo isso porque há o temor do isolamento do grupo. E aqui a gente precisa fazer algumas observações: nem sempre o clima percebido representa a realidade e uma ideia tida como majoritária pode se estabelecer assim por causa desse silenciamento das ideias minoritárias (afinal, quanto mais pessoas acham que suas ideias não serão apoiadas, menos elas falam e, consequentemente, menos pessoas com opinião semelhante àquela “minoritária” se expressam, etc.). Essa teoria faz todo o sentido pra mim, principalmente quando aplicada às relações interpessoais.

Quantas vezes você já compactuou com uma situação porque escolheu silenciar? Quantas ideias você deixou de expressar e defender porque achou que não teria alguém ali para compreendê-las? E aplicando às atitudes, quantas coisas você deixou de fazer porque achou que as pessoas não te entenderiam?

É certo que a intenção inicial da teoria foi traçar a relação entre mídia e audiência, posteriormente avançada pra a ideia de que o que a mídia notícia serve de informação para que percebamos – ainda que erroneamente – qual a opinião predominante. Mas isso pode ser aplicável às nossas relações. Sobre assuntos políticos e morais, sim, mas também sobre questões que envolvam afeto, compromisso, estilo de vida, trabalho.

Não vi até agora alguém dizer que a espiral do silêncio é ruim. Mas talvez seja. E aqui eu imagino que parta mais de uma postura do indivíduo, já que, talvez, não haja mediação de meios de comunicação. Talvez devêssemos ser mais corajosas para expressar e sustentar uma opinião, sermos firmes em nossos valores para que não coadunamos com situações que posteriormente se mostrarão injustas, imperfeitas ou equivocadas. Talvez devêssemos sentir, falar, agir, conscientes de cada passo dado para o alcance de um determinado objetivo.

Certamente deveríamos silenciar menos, mas sem perder de vista a sensatez para saber o que falamos, de qual forma, para que tipo de pessoa. Às vezes o debate é dispensável, porque energia é valorosa demais para ser gasta com quem não sabe aproveitá-la.

Saber distinguir quem merece a explicação de quem merece apenas uma declaração é tentativa e erro.

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