A princesa dos anos 2010

Depois de vinte e dois anos, a Disney me apresentou à princesa que sempre quis ser. Nada de maldade, nada de rivalidade entre mulheres, nada de depender de um príncipe pra ser feliz, tampouco de ter suas habilidades subestimadas. A Disney, enfim, apresentou a todas nós, meninas e mulheres, a princesa que realmente somos. Quando chegamos à adolescência e, mais ainda, na vida adulta, percebemos que não existe fada madrinha para resolver nossos problemas, nem pessoas dispostas a fazer tudo pra gente. Muito menos podemos nos colocar no lugar de vítima e esperar que as coisas aconteçam.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Moana Waialiki é exatamente a princesa que nos demos conta que precisamos ser. Hoje mais do que no passado, já que é mais recorrente a discussão sobre a autonomia feminina, a independência da mulher, e quando questionamos a real necessidade de finais felizes estarem associados ao casamento. A nova animação da Disney nos obriga a desconstruir o ideal de princesa. Moana cresce consciente da responsabilidade que tem com seu povo, já que será chefe da aldeia no futuro, e ainda é escolhida aquela que ajudará a resgatar toda a natureza.

Só pra explicar: o semideus Maui roubou o coração de Te Fiti, que foi jogado no oceano pelo monstro de lava Te Ka. Por causa disso, todas as ilhas que Te Fiti criou foram amaldiçoadas e foram perdendo vida com o tempo. Moana foi escolhida para encontrar Maui e levá-lo até a ilha Te Fiti para recolocar o coração de onde ele nunca deveria ter saído e, assim, resgatar todas as ilhas.

[Contém spoilers] E Moana dá um banho de coragem. Orientada por sua avó Tala, ela avança o recife e cruza o oceano sozinha em busca do Maui. Ainda tem seu potencial subestimado pelo semideus, numa corriqueira postura machista, à qual todas estamos acostumadas. “Você não deveria estar na sua ilha cuidando de bebês?” (ou algo do tipo), “Você não tem coragem”, entre outras frases absurdas que parece mais tirada de um diálogo da vida real. Moana mantém a postura firme, chega a enfraquecer em um dado momento, mas se reenergiza e não desiste da luta. Como todas nós não desistimos. No final das contas, mais por causa dela e menos pelo Maui, o coração de Te Fiti é colocado no lugar e todas a natureza é resgatada. A moça bola estratégias, avança no combate, destrói o que parece ser o vilão da história e resolve a situação. Contou com a ajuda do Maui em um dado momento, mas os louros do êxito vão pra ela, sim. E o mais importante: em nenhum momento foi-se tocado no assunto casamento, amor carnal ou qualquer outro do tipo para “tornar completa” a vida da personagem. Ela mostra que a mulher se basta, até mesmo uma princesa da Disney. Isso!

É um filme lindo, verdadeiramente. Me emocionei várias vezes, com destaque para o final, quando Moana assume a direção do seu povo ao navegarem mar a dentro. Que emocionante! Chorei por dentro de felicidade em saber que hoje as nossas meninas terão um referencial diferente para poderem se orientar. Aquela coisa de controlar o medo, não abaixar a cabeça para o ego masculino e mostrar que pode ser tão boa quanto, sabe?! Nada de rivalizar, nada de diminuir ninguém, mas fincar o pé naquilo que você sabe que é boa. Moana se tornou uma inspiração pra mim, vinte e dois anos depois. Eu peço a todas vocês – mães, tias, irmãs, primas, madrinhas – que apresentem essa princesa para as suas meninas também. A gente precisa disso.

beijo!

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One thought on “A princesa dos anos 2010

  1. Também gostei muito de Moana e a reconstrução do ideal de princesa Disney pela própria compania. É uma evolução das heroínas do estúdio, que desde Mérida investe em personagens femininos mais fortes e menos idealizados.

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