A insegurança em ser feminina

Muita gente me pede uma explicação quando digo o nome do meu blog. Geralmente vem acompanhado de uma interjeição positiva. “Nossa, que legal! Mas da onde surgiu?”. A partir daí eu retomo minha história: é porque eu fui morar com meu pai na adolescência e não tive muita proximidade com meu lado feminino, daí aos 20 anos decidi criar um blog pra despertar essa feminilidade em mim.

Não sei como é pra vocês que atravessaram essa fase com os estímulos maternos de passar um batom antes de sair, gastar tempo procurando por roupas bonitas e experimentando algumas que vocês não vão levar, indo ao salão de beleza frequentemente só pra mudar o visual; usando salto alto, pulseiras, colares, sabendo escolher brincos. Na adolescência eu me preocupava apenas com duas coisas: pintar minha unha e pranchar o cabelo. Hoje me desapeguei de ambas.

Mas ainda é um pouco difícil me ver mulher e lidar com essa feminilidade que sempre existiu, embora nunca tenha sido explorada em todo seu potencial. Depois do blog e da transição capilar, sem dúvidas, tenho me tornado a mulher que gostaria de ser. Não que eu esteja perto de chegar lá, e é exatamente isso que me preocupa um pouco. Ainda bate a insegurança pra algumas coisas, sabe?

Por exemplo, continuo sem saber escolher brincos e sempre uso os mesmos discretos: pérola (versão mais barata, lógico hehe), um ponto de brilho. No máximo uma argola. Nada mais elaborado. Também não sei me comportar numa loja de cosméticos, raramente saio da zona de conforto de comprar o básico exatamente porque ainda não tenho a segurança de dizer pra vendedora o que quero e, caso ela pergunte, por que quero.

Isso vai nas roupas também. É um exercício diário incluir no meu guardarroupa peças pouco usadas no dia a dia de alguém simples. E eu pratico essa desconstrução porque eu gosto de usar peças assim, diferentes, com personalidade. Só me sinto insegura porque tô desenvolvendo isso um pouco “tardiamente”, apesar dos meus 22 anos.

Quer outro exemplo? Acho que faz mais de dois anos que minha mãe me deu uma meia-calça. A única vez que a usei foi pra uma sessão de fotos (essas que ilustram o post) e saí na rua bem, bem, bem insegura quanto à composição. Até pouco tempo tinha isso com o uso de botas também. Sempre achava que alguém ia falar, como falaram uma vez: “Se vier o frio que você está esperando, estamos ferrados, hein?”. :$

Depois disso, usei a bota mais duas vezes. Hoje me desfiz da peça e talvez por isso ainda esteja hesitante em comprar outra. Mas na minha mente tenho trabalhado para desconstruir essas regras que nós mesmas criamos em função do que os outros vão dizer, por pura insegurança.

Embora não tenha desenvolvido toda minha autoconfiança no passado, tô correndo atrás disso agora. Nunca é tarde. Torço para que vocês um dia pensem nisso e se livrem das amarras que te impedem de fazer, ser e usar o que gostam também.

Já falei que nunca é tarde? ♥️

As fotos foram tiradas pela fotógrafa Claudia Cardozo, da Buenas Imagens. As roupas usadas são do acervo pessoal da Moça Criada.

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2 thoughts on “A insegurança em ser feminina

  1. Migs, pensando aqui, será que se tivesse tido “esse empurraozinho” na adolescência realmente seria diferente?!
    Me pergunto pq eu fui criada como uma bonequinha, minha avó AMAVA ME VESTIR com roupas beeeeeem menininhas, vestidos estilos bonecas e eu ODIAVA isso. A primeira coisa q fiz ao vir morar em SSA e “cuidar” mais das minhas próprias roupas (escolher, comprar e talz) foi banir vestidos e saias. Eu usava calça pra tudo kkk. Usava só rabo de cavalo e n pintava a unha…..
    MT tempo depois que voltei a usar peças além de calças, cuidar do cabelo e unhas. Kkkk
    Então, apesar que a influência externa conta, acho que a descoberta do que nos deixa bem vem de nós mesmo. De dentro.

    1. É… Talvez não tivesse sido diferente, mas certamente eu estaria mais atenta a algumas coisas. Eu sei que, como você, depois que comecei a tomar conta das minhas roupas e tive a liberdade de usar aquilo que me deixava melhor, já sabia o que eliminar. Usei rosa o mínimo possível, mas arrisquei em outras cores e peças diferentes, t-shirts com estampas divertidas. Como hoje eu sei que gosto mesmo. Você falou e agora parei pra pensar que a maior parte das minhas roupas é cinza ou preta. E eu só tinha um vestido preto na minha infância/início da adolescência. Engraçado, né? De qualquer forma, concordo contigo que a descoberta do que nos deixa bem vem de dentro mesmo. E graças a Deus que eu pude ter essa oportunidade de descobrir, assim como você também. <3

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